Pular para o conteúdo principal

Postagens

O que fazer quando o interruptor se apaga

A palavra “desligado” é muito forte. Parece que alguém apertou um botão e puff, de repente você sumiu. No fundo é isso mesmo.
Fui desligada há duas semanas e pela primeira vez na vida. Quando penso nas contas fixas, ainda dá um certo medinho, confesso. Mas tem outro sentimento que vem daí. A palavra “desligada” é muito forte. Parece que alguém apertou um interruptor e puff, de repente você sumiu. No fundo é isso mesmo. Ser desligada é sair de um grupo, por mais que você não seja tão fã dele. É romper uma rotina com a qual você aprendeu a lidar por algum tempo. É até reclamar da segunda-feira, não ter mais que bater o cartão no sentimento de ser parte do proletariado. Fazer parte, aliás, é algo que some quando você tem que voltar à antiga empresa para resolver qualquer coisa. Por mais que se tenha uma boa relação, o lance do interruptor faz sentido porque você é sutilmente visto e tratado como um corpo estranho de um dia para o outro. Não importa que tudo esteja bem resolvido. É inegável…
Postagens recentes

Sobre a utopia

Uma das coisas mais lindas que já ouvi na vida. Mais lindas porque justamente me fazem não desistir de caminhar. Nunca. ***
“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.” Eduardo Galeano citando Fernando Birri


A filosofia do “ele quem?”

(Em tempo. Este texto foi escrito há dois anos e publicado originalmente aqui. Decidi republicá-lo porque ele ainda descreve muito bem como ter uma mãe virginiana e nordestina me define).
***
Minha mãe é nordestina e virginiana, o que a torna um misto de praticidade e dureza que não me era fácil entender quando criança. Aquele sentimento materno de doçura, compreensão e colo em qualquer circunstância era lindo... Na televisão. Eu achava bem difícil não poder chorar, nunca, nunca, nunca, pois nada era suficientemente ruim para merecer meu sofrimento. Eu vi minha mãe chorando duas vezes. DUAS. Na vida. Isso não quer dizer que minha mãe não sofre, quer dizer que minha mãe é forte.
Eu sou escorpiana, tenho ascendente e Lua em Peixes, portanto, sou só água. Isso quer dizer que água verte dos meus olhos desde sempre. Choro muito. Vivemos toda a vida assim. Não deixei de chorar, minha mãe não deixou de ignorar meus choros. Sou bem grata a ela. Acho que não endureci, mas aprendi que chorando o…

Fuga

Quando eu era criança, dizia que ia fugir de casa diante do menor obstáculo. Certa vez, mal saída das fraldas, coloquei umas coisinhas numa sacola, abri a porta e disse que ia 'pa patubanco'! Fiquei uns minutinhos na escada do prédio e logo entrei. Mal sabia eu que, já adulta, também me daria vontade de fugir. Mas, agora, a fuga seria PARA casa. A minha, a nossa, a dela. Pegar as coisas e partir para meu recanto, onde me sinto tão bem. Às vezes, mãe, sinto vontade de fugir pra você. Mas te agradeço por ter me ajudado a voar. Te amo! 

♡♡♡❤❤❤



Este texto é de 3 anos atrás, mas ainda faz muito sentido. À minha mãe guerreira, forte, linda, um Feliz Dia das Mães. De longe te abraço apertado, como queria estar perto.

Árvores

Meu pai sempre falava de um documentário a que havia assistido, sobre a inteligência das árvores, referindo-se ao belo exemplar que temos em nosso jardim. Hoje encontrei no YouTube o doc, que é francês e chama 'Arbres' (Árvores), e pude compreender sua admiração. E se as árvores são nossas ancestrais e eu também pudesse ser uma, certamente seria o mangue: aquele que desafia o destino de ser imóvel e avança, morrendo de um lado para crescer de outro. Menos importante que o destino, a felicidade do mangue é o movimento ❤

❤️

Mala cheia

"O fim duma viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já." (José Saramago) Obrigada, Minas, por me receber com mochila nas costas, por me mostrar seus maiores patrimônios - a comida boa e a hospitalidade - por me fazer me redescobrir em mais uma aventura sozinha, mas principalmente, por encher minha mala de paisagens, experiências e sonhos. Volto já.  ❤


Inhotim ❤️

Esquina, Clube da

"Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente, gente, gente..." Nesta minha viagem de ventania, que chamo de estrada trilhada, sonhei um dia em ver esta esquina. Contei compasso, contei comigo e vi ali homens, sonhos e um rio de asfalto serpenteando a esquina. Esta esquina.



Esquina onde foi criado o Clube da Esquina, em Belo Horizonte-MG
❤️