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autobiografia torta

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"Podem ficar com a realidade
Esse baixo astral onde tudo entra pelo cano
Eu quero viver de verdade
Eu fico com o cinema americano" (Paulo Leminski)

Gosto de pisar em folhas secas e ouvir o som dos estalos
Gosto de inventar realidades paralelas, imaginar absurdos, iguais aos que a gente viaja segundos antes de pegar no sono
Gosto de falar sozinha no chuveiro. Não sei cantar
Gosto de ficar sozinha quando tem muita gente perto
Quando fico sozinha de verdade eu choro
Gosto de andar. Sozinha, acompanhada, na praia, na mata, no sol ou na neblina
Gosto de fazer tudo de uma vez
Gosto de dormir embaixo das cobertas, não importa o calor
Gosto de colecionar postais, mesmo de onde nunca estive
Gosto de colecionar fotos de amigos
Gosto de colecionar amigos
Gosto de olhar quantas páginas faltam para terminar um livro
Fico triste quando o livro está acabando
Corrijo erros de português
Existem alguns inadmissíveis
Sou pessimista, tímida e de baixa auto-estima
Quero brilhar
Tenho sede de vingança
Desconfio de meus próprios passos
Decoro poesias e normalmente as declamo para mim mesma
Decoro coisas sem importância
Choro com propaganda e reportagem de televisão
Já deixei de chorar em despedidas e enterros
Tenho memórias que são quase, tenho memórias inteiras, tenho memórias que me escapam mente afora
E vivo assim, de um jeito que nunca foi cantado.

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O poeta da cômoda alta

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"Sinto-me nascido a cada momento para eterna novidade do mundo..." (Fernando Pessoa - Alberto Caeiro)
AS MÁSCARAS DE PESSOA
Grande parte dos que já ouviram falar do poeta Fernando Pessoa conhece apenas versos como “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Poucos sabem que Pessoa (do latim persona = máscara teatral) mascarou sua obra em vários heterônimos, diferentes do pseudônimo, nome fictício que o autor assina a sua obra. Os heterônimos de Pessoa são seres com personalidade própria, criados como uma válvula de escape para sua histeria, ou como ele mesmo afirmou, para sua tendência de simulação.
Excentricidade? Seus heterônimos vão muito além disso. Na arca em que o autor deixou seus escritos (mais de 27.000, sendo que parte dos textos ainda é desconhecida), existem cerca de 72 personagens diversas, mas três merecem destaque: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Cada um possui crenças, posições ideológicas, estilos de escrita e formas diferentes de encarar a vida. E mais. Pessoa atribuiu a cada um descrição física, profissão, escolaridade e, acreditem, mapa-astral.
Sabemos que Caeiro sempre morou no campo, estudou até a 4ª série e condena o pensamento. “Há metafísica bastante em não pensar em nada”. O médico Ricardo Reis é adepto do estilo clássico, do paganismo e da moderação. Já Campos, engenheiro naval, queria sentir tudo de todas as maneiras. Retratou não só a cidade e suas multidões, mas o tédio e angústia que provém dela. Pessoa ainda escreveu obras onde a heteronímia não é manifestada. Assinou Mensagem, obra épica e saudosista, que conta a história de Portugal. Acreditando que “o mito é o nada que é tudo”, recupera o herói nacional em uma época em que a nação estava desacreditada.
Diferente dos amigos imaginários que tinha na infância, Pessoa lança mão de seus heterônimos para criar um jogo artístico de inteligência e sensilbilidade. Como já afirma em Autopsicografia, “o poeta é um fingidor”. Seu fingimento traduziu-se na criação de muitas facetas, sem, no entanto, deixar de ser ele próprio. Paradoxo, o poeta escrevia seus textos em pé, numa cômoda alta, construindo vários universos que giram em torno dele mesmo.
(Texto publicado no Jornal Impacto Acadêmico, Cascavel-PR, 2ª quinzena de outubro de 2006.)
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Aureas Mediocritas

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"El hoy fugaz es tenue y es eterno; otro Cielo no esperes, ni otro Infierno." (Jorge Luis Borges)

Não ser feliz nunca

E viver sonhando

Para o passado sempre voltando

Numa alegria parca

A vida em frente intacta

Os amores procurando

Os anseios o ser levando

E resulta a teia opaca

Se lhe sucede o pequeno desapego

Transforma-o assim no infinito

E esquece do quão o segundo é infímo

Espera ao redor o aconchego

Mas somente o caos e o grito

Vem de encontro ao estado crítico

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Sugestões coloridas em uma tela branca

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"Pintada e não vazia, pintada está a casa. A cor de todas as grandes paixões e desgraças" (Miguel Hernández)

Ausência... Metafórica e literal. A primeira, porque a vida se esvai de mim, levando qualquer gosto de fel ou mel que a gente pode sentir. A segunda, porque arranca o que ao mesmo tempo faz bem e mal. E se esvai de mim, da mesma forma.

Hoje li que as imagens são lidas segundo a vivência de quem as vê. É o que lhes dá sentido. Assim, como a escrita, de certa forma mais explícita, que esconde sentidos que talvez só o escritor desvende. Pensei nos meus textos. Talvez ninguém os entenda melhor do que eu. Mas a possibilidade de lhe darem sentidos outros me impulsiona a continuar escrevendo, mesmo que pareçam tolices...

Mas será mesmo que esse desvendamento só ocorre com a escrita ou com as imagens, que convencionamos a reduzir a literatura e obras de arte? Talvez ocorra também com sentimentos, permeado também por escritas e imagens. Escritas trocadas. Por vezes, escritas cifradas. Imagens de pessoas ali, presentes de carne e osso, que juntamente com palavras transformam dias frios em doces dias. E imagens construídas, sonhadas, imaginadas. Imagens que captamos e reformulamos, mas que não serão concretizadas.

E assim a vida, da mesma forma que a oportunidade e a doçura dos dias, se esvai. Se foi fruto da razão, decidida à luz da moral, ou se foi mero reflexo de sentimentos, não se sabe. Sabe-se que foi, seguiu adiante no rumo da gaveta das lembranças, que serão apagadas algum dia pela vida afora.

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Entre vírgulas, pontos finais e reticências

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Dividir-se. Essa parece ser a condição suprema da raça humana. Desde a união das duas bases que fundem-se e dividem-se e dividem-se num processo de evolução e criação de um zigoto. Já pronto, o feto só saberá que foi gerado a partir da divisão e multiplicação eficaz e coreografada de suas células bem mais tarde, na 7ª série. Mesmo assim, até lá irá dividir-se e dividir o mundo à sua volta. Dividirá pai e mãe, quem sabe até antes de vim ao mundo. Ou os dividirá depois, atribuindo (mesmo na sua pequena fragilidade) a cada um dos dois tarefas distintas que suprirão suas carências... Um cuidará do futuro, o outro do agora. Sustento, trabalho árduo. Carinho, cuidado. Rua, mundo. Quarto, casa. E os dois se desdobram, se dividem pelo amor ao rebento. E se unem, pelo amor ao rebento. Dividir-se, fundir-se. Separar-se, aproximar-se.

O que foi um precisa se tornar dois. Dividir-se pelo bem, de uma ou ambas as partes. Dividir-se pelo presente, pelo futuro. Dividir-se pelo luto, pela dor, pela dúvida, pela atração de outras forças magnéticas. Ou dividir-se para que uma nova vida renasça.

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Não sei colocar títulos

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"Sofremos muito com o pouco que nos falta e gozamos pouco o muito que temos" (William Shakespeare)

Tenho frio. Tenho fome. E tenho medo. Mãos geladas, pés enrijecidos. Coração quente, dizem. Tenho fome do mundo, por vezes escondida sob a máscara conformista e abobalhada de quem caiu aqui de pára-quedas. Tenho medo de negar a fome que tenho e ficar sempre com frio. Complexo demais? Pois faz um sentido absurdo para mim. Nessas horas em que tenho vontade de pegar o pára-quedas que caí, arrastá-lo para aquela montanha bem alta e me jogar para ir longe. Simples assim. Se voltarei é assunto a ser decidido algum dia. Difícil para mim, que planejo demais. Penso demais. Espero demais. Exijo demais. Martirizo-me demais. Brinco demais. Sonho demais. Mas também exagero.

Sou o que não pareço ser. Observo, julgo, esqueço e cometo os mesmos erros. Quero ter o que não tenho, quero procurar o além do que já existe, como uma amiga minha. Estamos certas ou erradas? Abrimos os olhos demais e nos ofuscamos com o que não nos pertence ou estamos com os olhos somente semi-abertos, esperando conquistar o além? Estávamos absortas e descobrimos a luz, se a alcançaremos não cabe a nós decidir.

Confesso que esse foi o mais complexo.

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Metaforicamente codificada

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"Cada leitor é o próprio leitor de si mesmo" (Marcel Proust)

Estive pensando... Textos, principalmente os meus textos e discursos costumam começar assim. Nem sempre penso o que falo, por mais indecente que pareça a colocação. Quase nunca falo o que penso, apesar de falar demais. Mas o que estive realmente pensando é que raramente, escrevo o que penso. Você pode julgar este espaço superficial então... Eu diria que é somente fruto da minha imaginação. Claro que todos meus textos estão carregados das minhas impressões sobre o mundo, impregnados de minha bagagem cultural, indissociados das minhas memórias. Eu não seria uma confiante da Análise do Discurso se não pensasse dessa forma. Porém, o que penso, e mais ainda o que escrevo, sendo repleta expressão confusa do meu pensamento, está perdido em códigos sem fim. Será que as mulheres escrevem mesmo metaforicamente para mascarar-se sob códigos, sem mostrar sua face real? Apesar de ser uma posição covarde, está embasada no contexto de marginalização da mulher. Entretanto, aqui não sou marginalizada. Pelo contrário, as linhas tortas são minhas e os leitores, mesmo sendo poucos, não são virtuais, mas sim muito reais. Dessa forma, só me resta acreditar que o lado escritora aqui está "marginalizado" no que concerne a mim mesma, como um todo. O criador censura a criatura. Desacreditada ou medrosa, o fato é que aprendi a escrever o que penso somente assim. Recheada de códigos, charadas, privilegiando por vezes a forma e me dando ao luxo de proferir exageros (o que seriam de mim sem eles?). Mas será que tudo é a transcrição real, ipsis literis dessa mente insana? Não. Até porque, escrever de forma abstrata agrada certos leitores. A metáfora, o jogo de significações etéreas permite prender o leitor por alguma de suas camadas interiores, se ele possuir algum quê de sensibilidade. E ele lê o que lê, como se lesse a si próprio, encontrando no outro um pedaço de si mesmo. Gostei dessa frase de Proust. Ela mostra que cada um pode ler o que quer, e o que pode ler. em qualquer coisa. E como não se deve explicar, tecnicamente, o que se produz, a leitura é um jogo fascinante. Mais ainda é a

escrita, pela viagem enredada do seu exercício. Ficção ou não, acredito no que disse uma vez Lispector: Escrever é muitas vezes lembrar do que nunca existiu.
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Odeio o modo como não te odeio

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"O ódio é a cólera dos fracos" (Alphonse Daudet)

Odeio tudo. Impactante? Talvez. Mas como disse alguém, o ódio move os homens. Acordei com um ódio que não me move, mas me comove... (Rima muito pobre) Pensei no ódio que sinto em ser quem sou, menina de pernas finas e brancas demais. No ódio de adormecer irrequieta, ansiosa demais para esperar o nada. E é incrível como com o espírito carregado de ira a lista de objetos odiados é imensa. Mas no repouso do ser, listar-se o que se ama é sempre um exercício árduo. Disseram-me que o que se odeia é o que faz parte de nós. As pessoas que mais odiamos são as que espelham nossos reflexos. Eu odeio o desprezo. Não o dado, mas o recebido. E é por isso que me pergunto se é verdadeira a grande receptividade que eu penso ter. Odiar é um ótimo modo de reconhecer os erros. É no ódio que eles se apresentam, um por um, esperando pra serem julgados. Odeio ser ignorada em uma discussão. Odeio falsos entendidos. Odeio infantilidades na hora errada. Odeio ironias na hora errada (existe hora certa para a ironia?). Odeio lembrar dos incidentes que já deveriam ter sido esquecidos. E ainda ficar com ódio do que aconteceu. Odeio. Mas não é um ódio implacável, porque como disse Propércio, esse só existe no amor. No amor, também se odeia. Por isso é que eu odeio o sentimento que começa no estômago, embrulha-me por dentro, sobe para o pescoço e me ataca como um soco na cara. ODeio senti-lo e odeio ter de escondê-lo. Não consigo... Odeio ler escritos, ouvir declarações e admirações. Odeio, odeio, odeio. Odeio saber que isso me fará odiar e ainda ir atrás. Procurar, instigar. Masoquismo, consciente... Fraqueza de espírito... Será que a dor passa, assim como o ódio? Como disse alguém que eu aprendi a odiar, (ou ignorar ou desprezar) os sofrimentos não são esquecidos. Somente aprendemos a passar por cima deles.

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A fantástica epopéia...

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"Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades" (Álvaro de Campos)

Palavras certas e destaque... Medalhas e congratulações... Sonhos e realizações efêmeras... e para quê? Para descobir que as palavras certas não são garantia de nada, que o destaque morre com a inveja e o desânimo... As medalhas enferrujam, as congratulações perdem-se em ecos vazios de sentido. Os sonhos são como nuvens de algodão... Concretos até onde nossa imaginação nos deixa alcançá-los. A efemeridade é alucinógena... Nos deixa extasiados, para logo mais puxar-nos o chão... Hoje eu li que os escritores escrevem influenciados pela infância... A minha foi de fantasias, em muitos sentidos... A fantasia elaborada pelo meu pai, malabarista na arte de deixar nossa vida mais interessante... Fantasias da infância da minha mãe, contadora de histórias. Fábulas de um mundo distante, pelo menos na imaginação de uma criança... Uma vida fantasiosa de amigos imaginários e desejos de tornar-se célebre. Encenações que ensaiavam um futuro promissor, de uma adulta renomada... Infelizmente a gente cresce descobrindo que os roteiros podem não ser produzidos. Cresci rodeada de contradições... Envolvida em histórias fantásticas, mas presa em uma cidade pacata... Querendo histórias de amor inabaláveis, sem antes me apaixonar por mim mesma... Até entrar de cabeça em uma vida nova, sem ter saído do casulo completamente... Provar um turbilhão de sentimentos, gostos, cores e conhecimentos, imaginando sair de tudo isso pronta para enfrentar a vida, a minha vida, sabendo exatamente as direções do script. E me encontro ao final de mais uma fase... Recheada de um conhecimento que pode muito bem ser o mais relevante. Armada de regras gramaticais e decorebas sem fim. Sei que tudo que aprendi seria menos abstrato se fosse acompanhado de um sonho. Contraditório, eu sei. MAs sonho no sentido de sonhar exatamente o que se quer. Projetar-se em algum lugar e correr atrás desse lugar. Porque de nada adianta ser persistente e esforçada se não existem metas, nem pontos de chegada. De nada vale receber céus de louvores e não enxergar um chão firme, para se pisar com magnitude. De nada adianta apenas qualidades. E escrevendo assim, percebo que o problema maior eh que o que mais perto que chega de meus sonhos é a magnitude. E querer a grandeza não facilita em nada as coisas...

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À espera de um milagre...

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"A dor é inevitável, o sofrimento é opcional" (Carlos Drummond de Andrade)

A definição de sofrer não deveria ser algo tão simples como nas palavras de Drummond... Pelo menos não o sofrimento ferrenho, aquele em que se chora sem motivo e em que se tem medo de perder tudo, de uma vez por todas... Porque esse sofrimento não se escolhe, ele se apresenta nu e cru para que o sinta... Escrever por linhas tortas para se escrever certo significa querer ser Deus? Querer abraçar o mundo com as pernas, querer levar todas as coisas à perfeição em um passe de mágica? como querer ser Supremo e fingir que o corpo é inquebrantável, se ele é frágil, fino como a porcelana? Ele é vulnerável, move-se por si próprio e multiplica mazelas, sem qualquer consentimento... Por que esquecer de tudo o que já foi vivido e sofrer o amor, a vida e as amizades? Porque se quer demais... Quer-se exigir tudo tão milimetricamente certo, quer-se pétalas, quer-se desculpas, quer-se juras infindáveis, quer-se soluções mirabolantes... Quer-se um milagre de Deus... E por vezes, esquecendo a vulnerabilidade do corpo, fugimos por ruas e caminhos escuros e nos embrenhamos por vias perigosas, julgando a eternidade e negando a fragilidade de nós mesmos... e só se espera que Alguém aja... e à espera eu me encontro no supremo vazio da existência... As palavras falatam em meu vocabulário. Não sou a mesma, eu sei... Eu me perco em metáforas sem sentido para mascarar a dor que eu finjo sentir, porque a terceira, a que eu realmente sinto, eu já desconheço. Crio neologismos e viajo sem norte. Deixo a clareza e a objetividade para as páginas impressas e públicas e para as declarações particulares... Aqui escrevo para ninguém... E ninguém entende...

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Sin ternura

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"Conhecer-se é errar" (Fernando Pessoa)

Mais condizente com a situação atual, impossível. Sabe aquilo de ser testada, até o último fio de paciência? Cada dia como uma prova de resistência. Mas resistência a quê? Acho que a mim mesma. Putz, filosófico demais isso. Resistir a mim mesma significa ter ataques de descontrole nas horas erradas, para morrer de arrependimento depois... Significa resistir ao meu espírito covarde, e, pior de tudo, perder... A paciência é uma dádiva, dizem. Uma dádiva que só me faz ser covarde. E perder as horas certas, os minutos e segundos certos. E perder oportunidades. E continuar levando a vidinha mediocremente. O passo seguinte é ignorar, fechar os olhos. Ignorar é realmente ser ignorante, no real sentido da palavra... E fechar os olhos... Será que se toda a humanidade fosse cega, a mediocridade ainda existiria? Fechando os olhos, a da minha vida continua ali. Acho que Pessoa, tem mesmo razão. Conhecer-se é errar. Como ele mesmo aconselha depois, no seu Livro do Desassossego o caminho é mesmo desconhecer-se conscientemente. O negócio é ser irônico com a vida. Levá-la ao pé de uma valsa bem ritmada, com passos certos, sem improviso, sem testar limite algum. E acabar na mesma vidinha besta de sempre. Não, não é possível que todos os caminhos sejam convergidos para a mesma mediocridade. Acho que a solução seria não seguir fórmulas. Abaixo à regra, à formalidade, ao racionalismo, à ponderância. Recorrer ao impulso, à imprudência, para ver se não deixo escapar o momento certo. Sem partir para a ignorância. Mas usando da ironia, se preciso. Não sei se minha vida continuará medíocre. Mas sem emoção, com certeza ela não será.

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Ganhar ou perder? Amar...

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"A hora mais escura é a que vem antes de o sol nascer" (Provérbio espanhol)

Reclamaram que meus textos eram tristes. Reconheço que é bem mais fácil ser dramática do que ser engraçada, apesar de ser melhor ser alegre que ser triste... É muito simples derramar linhas chorosas sobre qualquer assunto. Chorar pela situação amorosa, pelo tempo ou pela crise nacional. Difícil é quando os motivos realmente te assolam e você nem encontra forças para chorar, quanto mais para escrever. Traumatizante ver na sua frente a prova de algo do que nunca deveria acontecer. Mas aconteceu fazer o que?! E se o que já não tem remédio deve ser remediado, então que se comece logo de uma vez... E o que depende da nossa vontade deve esperar para ser feito, então vamos relaxar... E curtir horas de estrada... Conhecer gente nova e lugares novos... Fugir do tédio e não ter planos ao longo de um dia... E ver pessoas concretizando planos e recomeçando a vida... Perceber a felicidade nos olhos delas... E assitir aos códigos... Brincar de códigos... Olhar para o lado e ver a pessoa mais importante da sua vida sentada ali, disposta a desvendar tudo com você, com olhos fascinantes... Somente para se chegar a conclusão de que a vida é feita de charadas... E decifrar cada uma delas é masi fácil se a gente percebe a incoerência de que para ser feliz sempre se perde um pouquinho... Mas o que se ganha vale muito mais a pena...

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Máscaras, apenas máscaras...

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"O inferno são os outros" (Jean-Paul Sartre)

Sempre gostei dessa frase, embora nunca tenha entendido o que Sartre quis dizer com ela. Talvez goste pela sua subjetividade, deixando a cada um que a interprete, afinal todos temos nossos infernos particulares. Também se pode entender diferentemente o que são os "outros". Talvez sejam os outros que existem em cada um de nós... Aqueles que se escondem sob as infinitas máscaras que usamos todos os dias e que, quando caem, nos levam ao inferno. Nesses últimos dias fui ao céu e ao inferno várias vezes. As máscaras insistiram em não ficar obscuras umas sob as outras e mostraram sua face, naqueles momentos em que você não consegue enfiar todo seu descontrole dentro de um saco. Fui ao inferno pela primeira vez. E o que apareceu foi a máscara de feição chorosa, como uma dos símbolos do teatro. Mas não se viu teatro algum. Somente a crua e nua cara ensopada de uma menina que chora ouvindo Beatriz... Também procurei desesperadamente uma máscara que pudesse esconder a vergonha e a certeza de ter fracassado mais uma vez. Mesmo assim, nenhuma delas apareceu. Não, talvez tenha surgido uma, a máscara que aparece quando engolimos em seco. Fui ao inferno pela segunda vez... Mas também se pôde ir ao céu. Ao céu das palavras ditas, escritas e acariciadas. Ao céu das fantasias concretizadas, dos medos aplacados e das esperanças, sempre esperanças... E é aí também que exitem máscaras. As que mascaram que, à custa de um céu, os infernos terão que aparecer, um a um, a qualquer hora. Mas a máscara que uso agora sabe que, infelizmente, só se vive um céu de cada vez.




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As linhas tortas deveras certas...

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"Se nos fosse dado o poder mágico de ler na mente uns dos outros, o primeiro efeito seria sem dúvida o fim de todas as amizades".
Segundo as poderosas fontes do Google, o autor da frase é Bertrand Russel. Quem é ele é, o que fez, ou se foi mesmo ele quem disse isso, eu não sei. Achei interessante começar essa tentativa de blog com essa citação, porque entendo esse espaço como uma maneira de transparecer nossos pensamentos sobre todas as coisas. Minha intenção primeira não é ser observada, talvez nem ser lida. Aprendi que ser vista demais pode acarretar problemas... Sabe-se lá por que eu fiz esse blog então.. Pode ser pela vontade irrepremível de dizer certas coisas, que por não ter espaço não foram ditas ou escritas... Pode ser também pela minúscula chance de algúém ler oq escrevo, perceber que tem a mesma visão e aí então posso dizer que tive um objetivo louvável alcançado... Ou talvez eu escrevo nessas linhas tortas tão milimetricamente certas para descobrir que quando eu acho que de nada valeu, algo sempre nos mostra que algo, por mais ínfimo q seja, valeu a pena... Seria pessimismo demais sempre pensar o contrário...
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