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A fantástica epopéia...

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"Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades" (Álvaro de Campos)

Palavras certas e destaque... Medalhas e congratulações... Sonhos e realizações efêmeras... e para quê? Para descobir que as palavras certas não são garantia de nada, que o destaque morre com a inveja e o desânimo... As medalhas enferrujam, as congratulações perdem-se em ecos vazios de sentido. Os sonhos são como nuvens de algodão... Concretos até onde nossa imaginação nos deixa alcançá-los. A efemeridade é alucinógena... Nos deixa extasiados, para logo mais puxar-nos o chão... Hoje eu li que os escritores escrevem influenciados pela infância... A minha foi de fantasias, em muitos sentidos... A fantasia elaborada pelo meu pai, malabarista na arte de deixar nossa vida mais interessante... Fantasias da infância da minha mãe, contadora de histórias. Fábulas de um mundo distante, pelo menos na imaginação de uma criança... Uma vida fantasiosa de amigos imaginários e desejos de tornar-se célebre. Encenações que ensaiavam um futuro promissor, de uma adulta renomada... Infelizmente a gente cresce descobrindo que os roteiros podem não ser produzidos. Cresci rodeada de contradições... Envolvida em histórias fantásticas, mas presa em uma cidade pacata... Querendo histórias de amor inabaláveis, sem antes me apaixonar por mim mesma... Até entrar de cabeça em uma vida nova, sem ter saído do casulo completamente... Provar um turbilhão de sentimentos, gostos, cores e conhecimentos, imaginando sair de tudo isso pronta para enfrentar a vida, a minha vida, sabendo exatamente as direções do script. E me encontro ao final de mais uma fase... Recheada de um conhecimento que pode muito bem ser o mais relevante. Armada de regras gramaticais e decorebas sem fim. Sei que tudo que aprendi seria menos abstrato se fosse acompanhado de um sonho. Contraditório, eu sei. MAs sonho no sentido de sonhar exatamente o que se quer. Projetar-se em algum lugar e correr atrás desse lugar. Porque de nada adianta ser persistente e esforçada se não existem metas, nem pontos de chegada. De nada vale receber céus de louvores e não enxergar um chão firme, para se pisar com magnitude. De nada adianta apenas qualidades. E escrevendo assim, percebo que o problema maior eh que o que mais perto que chega de meus sonhos é a magnitude. E querer a grandeza não facilita em nada as coisas...

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À espera de um milagre...

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"A dor é inevitável, o sofrimento é opcional" (Carlos Drummond de Andrade)

A definição de sofrer não deveria ser algo tão simples como nas palavras de Drummond... Pelo menos não o sofrimento ferrenho, aquele em que se chora sem motivo e em que se tem medo de perder tudo, de uma vez por todas... Porque esse sofrimento não se escolhe, ele se apresenta nu e cru para que o sinta... Escrever por linhas tortas para se escrever certo significa querer ser Deus? Querer abraçar o mundo com as pernas, querer levar todas as coisas à perfeição em um passe de mágica? como querer ser Supremo e fingir que o corpo é inquebrantável, se ele é frágil, fino como a porcelana? Ele é vulnerável, move-se por si próprio e multiplica mazelas, sem qualquer consentimento... Por que esquecer de tudo o que já foi vivido e sofrer o amor, a vida e as amizades? Porque se quer demais... Quer-se exigir tudo tão milimetricamente certo, quer-se pétalas, quer-se desculpas, quer-se juras infindáveis, quer-se soluções mirabolantes... Quer-se um milagre de Deus... E por vezes, esquecendo a vulnerabilidade do corpo, fugimos por ruas e caminhos escuros e nos embrenhamos por vias perigosas, julgando a eternidade e negando a fragilidade de nós mesmos... e só se espera que Alguém aja... e à espera eu me encontro no supremo vazio da existência... As palavras falatam em meu vocabulário. Não sou a mesma, eu sei... Eu me perco em metáforas sem sentido para mascarar a dor que eu finjo sentir, porque a terceira, a que eu realmente sinto, eu já desconheço. Crio neologismos e viajo sem norte. Deixo a clareza e a objetividade para as páginas impressas e públicas e para as declarações particulares... Aqui escrevo para ninguém... E ninguém entende...

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