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Sugestões coloridas em uma tela branca

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"Pintada e não vazia, pintada está a casa. A cor de todas as grandes paixões e desgraças" (Miguel Hernández)

Ausência... Metafórica e literal. A primeira, porque a vida se esvai de mim, levando qualquer gosto de fel ou mel que a gente pode sentir. A segunda, porque arranca o que ao mesmo tempo faz bem e mal. E se esvai de mim, da mesma forma.

Hoje li que as imagens são lidas segundo a vivência de quem as vê. É o que lhes dá sentido. Assim, como a escrita, de certa forma mais explícita, que esconde sentidos que talvez só o escritor desvende. Pensei nos meus textos. Talvez ninguém os entenda melhor do que eu. Mas a possibilidade de lhe darem sentidos outros me impulsiona a continuar escrevendo, mesmo que pareçam tolices...

Mas será mesmo que esse desvendamento só ocorre com a escrita ou com as imagens, que convencionamos a reduzir a literatura e obras de arte? Talvez ocorra também com sentimentos, permeado também por escritas e imagens. Escritas trocadas. Por vezes, escritas cifradas. Imagens de pessoas ali, presentes de carne e osso, que juntamente com palavras transformam dias frios em doces dias. E imagens construídas, sonhadas, imaginadas. Imagens que captamos e reformulamos, mas que não serão concretizadas.

E assim a vida, da mesma forma que a oportunidade e a doçura dos dias, se esvai. Se foi fruto da razão, decidida à luz da moral, ou se foi mero reflexo de sentimentos, não se sabe. Sabe-se que foi, seguiu adiante no rumo da gaveta das lembranças, que serão apagadas algum dia pela vida afora.

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Entre vírgulas, pontos finais e reticências

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Dividir-se. Essa parece ser a condição suprema da raça humana. Desde a união das duas bases que fundem-se e dividem-se e dividem-se num processo de evolução e criação de um zigoto. Já pronto, o feto só saberá que foi gerado a partir da divisão e multiplicação eficaz e coreografada de suas células bem mais tarde, na 7ª série. Mesmo assim, até lá irá dividir-se e dividir o mundo à sua volta. Dividirá pai e mãe, quem sabe até antes de vim ao mundo. Ou os dividirá depois, atribuindo (mesmo na sua pequena fragilidade) a cada um dos dois tarefas distintas que suprirão suas carências... Um cuidará do futuro, o outro do agora. Sustento, trabalho árduo. Carinho, cuidado. Rua, mundo. Quarto, casa. E os dois se desdobram, se dividem pelo amor ao rebento. E se unem, pelo amor ao rebento. Dividir-se, fundir-se. Separar-se, aproximar-se.

O que foi um precisa se tornar dois. Dividir-se pelo bem, de uma ou ambas as partes. Dividir-se pelo presente, pelo futuro. Dividir-se pelo luto, pela dor, pela dúvida, pela atração de outras forças magnéticas. Ou dividir-se para que uma nova vida renasça.

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