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O poeta da cômoda alta

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"Sinto-me nascido a cada momento para eterna novidade do mundo..." (Fernando Pessoa - Alberto Caeiro)
AS MÁSCARAS DE PESSOA
Grande parte dos que já ouviram falar do poeta Fernando Pessoa conhece apenas versos como “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”. Poucos sabem que Pessoa (do latim persona = máscara teatral) mascarou sua obra em vários heterônimos, diferentes do pseudônimo, nome fictício que o autor assina a sua obra. Os heterônimos de Pessoa são seres com personalidade própria, criados como uma válvula de escape para sua histeria, ou como ele mesmo afirmou, para sua tendência de simulação.
Excentricidade? Seus heterônimos vão muito além disso. Na arca em que o autor deixou seus escritos (mais de 27.000, sendo que parte dos textos ainda é desconhecida), existem cerca de 72 personagens diversas, mas três merecem destaque: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Cada um possui crenças, posições ideológicas, estilos de escrita e formas diferentes de encarar a vida. E mais. Pessoa atribuiu a cada um descrição física, profissão, escolaridade e, acreditem, mapa-astral.
Sabemos que Caeiro sempre morou no campo, estudou até a 4ª série e condena o pensamento. “Há metafísica bastante em não pensar em nada”. O médico Ricardo Reis é adepto do estilo clássico, do paganismo e da moderação. Já Campos, engenheiro naval, queria sentir tudo de todas as maneiras. Retratou não só a cidade e suas multidões, mas o tédio e angústia que provém dela. Pessoa ainda escreveu obras onde a heteronímia não é manifestada. Assinou Mensagem, obra épica e saudosista, que conta a história de Portugal. Acreditando que “o mito é o nada que é tudo”, recupera o herói nacional em uma época em que a nação estava desacreditada.
Diferente dos amigos imaginários que tinha na infância, Pessoa lança mão de seus heterônimos para criar um jogo artístico de inteligência e sensilbilidade. Como já afirma em Autopsicografia, “o poeta é um fingidor”. Seu fingimento traduziu-se na criação de muitas facetas, sem, no entanto, deixar de ser ele próprio. Paradoxo, o poeta escrevia seus textos em pé, numa cômoda alta, construindo vários universos que giram em torno dele mesmo.
(Texto publicado no Jornal Impacto Acadêmico, Cascavel-PR, 2ª quinzena de outubro de 2006.)
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Aureas Mediocritas

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"El hoy fugaz es tenue y es eterno; otro Cielo no esperes, ni otro Infierno." (Jorge Luis Borges)

Não ser feliz nunca

E viver sonhando

Para o passado sempre voltando

Numa alegria parca

A vida em frente intacta

Os amores procurando

Os anseios o ser levando

E resulta a teia opaca

Se lhe sucede o pequeno desapego

Transforma-o assim no infinito

E esquece do quão o segundo é infímo

Espera ao redor o aconchego

Mas somente o caos e o grito

Vem de encontro ao estado crítico

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