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Mostrando postagens de 2007

Cansei, hein?

"cansaço.. este sentimento infinito tomou conta de mim de um tal jeito.. eu procurei definir: é preguiça, e incapacidade de seguir..
cansaço.. de tentar ocupar um novo espaço, este cansaço físico e mental; eu ando tão desanimado que nada nesse mundo me arrasta além de mim (...)". (Música de Zécarlos Ribeiro - Grupo Rumo)
Cansei de dormir mais tarde e acordar mais cedo do que meu corpo aguenta. cansei de trabalhar mais do que minha paciência aguenta. Cansei de ser mais risonha do que minha simpatia suporta. cansei de olhar de dez em dez minutos recados que não vêm. Cansei de olhar inerte para a tela esperando que ela pisque. Cansei de contar os dias para acabar o mês e as semanas para acabar o ano. Cansei de esperar os feriados para pulá-los, trabalhando como se eles não tivessem passado. Cansei de me teletranspos=rtar da cadeira do escritório para a cadeira da faculdade, para a cadeira de casa, sem ver sol, sem ver céu, sem ver árvores, como se o dia não tivesse existido além…

Fajuta

"(...)Não haverá um cansaço
Das coisas.
De todas as coisas,
Como das pernas ou de um braço?

Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir...(...)
(Fernando Pessoa)


Sinto-lhes informar, mas a irmãzinha morreu.
Sabe aquela?
A que está sempre disposta a te ajudar.
- Ai, ela é tão querida...

Aquela que você sabe que sempre pode contar.

- Posso fazer, sim, sem problemas.
- Claro.
- Pode deixar comigo. Preciso fazer várias coisas, mas fica para depois.

Então. Vc sabe do que eu estou falando. Todo mundo tem uma. Se eu sou a sua, sinto muito. Ela acaba de falecer. Não direi que a madrasta má tomou seu lugar, mas pode ser que a irmã mais velha, aquela egocêntrica e rabugenta, seja uma boa opção.

Sobre o tempo

(...) Quando se vê, já são seis horas…
Quando se vê, já é sexta-feira…
Quando se vê, já é Natal…
Quando se vê, já terminou o ano…(...)
(Mário Quintana) Sofro da síndrome não do medo do fim, mas do início.
Pânico de começar, medo de decepcionar, teimosia de evitar o inevitável.
Como agora.
Em que o que escrevo aqui agora é apenas um subterfúgio para não fazer aquilo outro.
Porque eu sei que estaria fazendo aquilo outro, se precisasse escrever o que aqui agora escrevo.
E assim, substituindo o que deve ser feito com o que se faz subitamente, as horas e os dias passam.
A chuva cai e vem a estiagem.
O mês acaba e recomeça.
Há começos mais atrativos que outros.
É tão fácil comer um chocolate quando a gente tem que preencher folhas em branco.
É tão fácil descobrir músicas novas quando a gente tem que cumprir as obrigações.
Limpar a casa fica até fácil quando se tem que começar um tratado.
Se tenho tempo, não faço. Se não tenho, lamento.
Vou adiando o começo, sem saber que tudo para existir, começa do começo.

Matiz

"Sou como você me vê
Posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania,
depende de quando, e como, você me vê passar"
(Clarice Lispector)
Quando você me beijou
Vestíamos azul
Eu, turquesa
Você, petróleo
Preciosa você me vê
Raro eu te olho

Dois tons, dois mundos
Em frente a casa
Uma cor.

Viagens

"Lutar com as palavras é a luta mais vã. Entretanto lutamos, mal rompe a manhã" (Drummond) Certas vezes, ao pensar na palavra - essa pedra no meio do caminho ou degrau de nossa expressão - em sua forma morfológica, acredito que ela pode ser ressignificada continuamente. Pensar nas vezes em que disse "adeus", nesses últimos tempos e nos que ainda direi, fez-me acreditar que a palavra pode, às vezes, expressar perfeitamente o que sua forma morfológica significa. Coisa estranha essa de ficar teorizando nossa argumentação, por mais que sejam só devaneios de alguém que precisa começar a consertar o mundo e não sabe por onde começar... A - prefixo de negação, supressão, falta, como em anarquia (falta de governo), anestesia (ausência da sensibilidade).E por que não seria A-DEUS a negação de Deus, a negação do que é supremo? A-deus é a não onipresença entre dois ou mais corpos. Dizer a-deus é deixar de ser onisciente sobre o que o outro faz, nem que seja pelos segundos que…

Para dias sem vontade

"Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande" (...) (Fernando Pessoa)Vivo complexa
sintética
Passo embora
agora
Fujo através
sopés
Carrego estandartes
pares
Sinto presença
carência
Espero milagre
acre
Desfaço nó

Trago texto
vejo
meio
desejo
cheio

A vida é colorida, são os olhos que a vêem cinza

“Tenho a impressão de tudo aquilo que aprendi se tornou ineficaz. Hoje tenho que desaprender o que aprendi e começar de novo a cada manhã” (Fernando Sabino)Toda crise leva a uma evolução, diz uma amiga minha. E o que se faz até a evolução chegar? Aprende-se a esperar, ousa-se tentar, para então cair e levantar, mas talvez ainda não se enxergue evolução nenhuma. Espera-se novamente, ocupa-se o tempo ocioso que parece não fazer sentido, que parece não levar a lugar algum. Tentativas apenas, de uma realidade aparentemente sombria, ou que pelo menos teima em não clarear. Ainda não encontrei o interruptor, deve ser apenas isso. Lembrei-me dos versos de Pessoa, nos quais seu sonho é um porto infinito. È o da minha persona também, Pessoa. É a vontade de viajar sem rumo, sem norte, sem bússola, sem leme, porque isso combina com minha falta de norte, pelo menos o perceptível. As águas parecem tão transparentes e límpidas lá adiante que se quer chegar a elas, por mais que não se saiba quanto te…

O senão do quase

"Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou..."
(Sarinha Westphal) Muito pior do que o não é o quase. Muitos já falaram sobre isso, relembrando a máxima de que o terceiro lugar é melhor que o segundo, uma vez que aquele termina com uma vitória, já este, com a fracassada lembrança de Quase ter ganhado. Vivemos em uma época em que o Quase tem contornos definidos e se mete onde não devia, oferecendo uma dose de adrenalina, insinuando a concretização do momento esperado, para depois deixar a angústia do que poderia ter acontecido e não aconteceu. Igualzinho ao “Uuuuu” da torcida frente a um Quase gol, a bola perdida, a defesa do goleiro adversário. O esporte, talvez, é o terreno onde acontecem os maiores engodos do Quase,…

Vontade de não ser (ou desejos de egocentrismo)

"O homem está condenado a ser livre." (Sartre)Ultimamente, ao contrário de muitos (que vivem sempre no interminável desejo de SER algo), me apeguei na vontade de não ser diversas coisas. Vontade de não ser dependente, por exemplo. Não ter que me prender a coisas vãs, como ligar para pedir dinheiro ou ter que dar satisfação de que horas chegou. Não ter que depender dos outros para tomar uma atitude, pois o que eu acho já bastaria. Não depender de alguém que me diga que sou bonita e valho a pena, porque o simples fato de eu achar isso já satisfaria minhas vontades. Não depender de um emprego que consuma todas as horas inúteis e úteis do meu dia, pois mesmo sem ele eu ia conseguir dar sentido a elas. Não depender de secador, prancha e maquiagem para saber que tenho o poder de ser bonita sim, como quando o sol do entardecer bate em meu rosto, ou quando um fato qualquer me deixa radiante. Não depender de alguém ao meu lado, porque nada do que essa pessoa possa dizer iria abalar o…

Fatal Fate

"Que difícil que é a vida dos homens, pensou ela. Eles não têm asas para voar por cima das coisas más."
(Sophia de Mello Breyner Andresen em "A Fada Oriana")Era uma menina má. Em todos os sentidos. Má porque era egoísta o suficiente para achar que ninguém a entendia, mas não fazia o menor esforço para entender alguém. Gostava de mimos e carinhos, mas não se aventurava a fazê-los primeiramente. Dramatizava as histórias, sonhava contos de fada, mas não movia um só grão de areia para mudar seu destino. Quando, mais tarde, julgou ter encontrado a felicidade, era tarde demais. Lá, naquele lugar longe - o qual nunca sabemos onde é ao certo, porém acreditamos piamente que existe - já haviam ouvido por demais suas queixas. E decidiram, por bem, entregar-lhe toda a sorte de lamentações, para que ela aprendesse que o destino poderia ser mais amargo que a maneira como costumava pintar sua vida.

Desabafo interior

"Da estátua de areia
nada restará
depois da maré cheia"(Helena Kolody – genial)
Estou ficando impressionada com a quantidade de textos lidos nesses últimos tempos sobre perdas irreversíveis. Essas coisas que mexem com nossa vida porque nos fazem dar conta de que estamos realmente tomando decisões que nos afetarão pelo resto de nossas vidas... Nunca imaginei ao longo da minha infância e adolescência que um dia eu fosse tão responsável pelo meu futuro... Lembro-me vagamente de quando ouvia na televisão que o Brasil poderia sediar a Copa de 2006... 2006, 2006, aquele ano parecia tão distante! E agora 2006 passou, levando sonhos, lembranças e convivências.. Começa um novo ano e a cada dia sinto nos ombros o peso de decidir bem mais do que a cor da minha mochila, o que vou fazer no meu aniversário ou o que quero de presente... Estou escolhendo a cor do meu vestido de formatura (e por mais que isso pareça banal, nunca pensei q um dia essa faculdade fosse acabar, que eu ia precisar um…