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Mostrando postagens de Janeiro, 2008

Desponta a ponta e tonta, conta a medronta

...Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir...
(Florbela Espanca)
Pode ser que a imagem do teu ser assim, tão docementeE reler os teus escritos, feitos assim, tão de repenteTragam a mim o amor arrebatadorComo nunca houvera de ser chamado Estranho amor_ _Talvez meu coraçãoSeja apenas a parte mais medronta da minha alma.Medronta. Palavra inventada.Porque não há medrosa nem medonha que defina ser medronta.Aquela que é amendrontada.O que foi passou, acabou-se e está feito.Foi. Do verbo ir. Irregular.Imperfeito.
O que há de ser, será.Será, do verbo ser.Como regular, absolutamente virá.E o que foi... Bem, caminhou com as próprias pernas.

Vem, pára e vai-se embora

"Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia". (Fernando Pessoa)É engraçado como antes de começar qualquer coisa, é imprescindível certa dose de medo da mesma forma como é preciso uma certa dose de coragem. Juntas e dosadas, as duas sensações nos impulsionam adiante. Somente a primeira finca nossos pés no chão, fundamental para evitar que a sede provocada pela segunda nos tornem desenfreados. E perigosos. Uma vez, ouvi Pedro Bial dizer que aprendeu em uma cobertura de guerra [não lembro exatamente qual, nem quando], que ao estar no meio dela era preciso ter medo para garantir sua sobrevivência. E arrematou com algo como: é o medo que te segura na trincheira e evita que você leve um tiro. Certa vez, a atriz Paloma Duarte falou que antes de iniciar qualquer novo trabalho, ela sentia medo de simplesmente não conseguir compor sua personagem. Algo parecid…