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Mostrando postagens de Julho, 2008

Maggie

"Ando perdida nestes sonhos verdes
De ter nascido e não saber quem sou"(Florbela Espanca)
Maggie só se deu conta que ia morrer quando o elevador despencou de vez. No começo, quando ele parou, ela ainda pensou que poderia ser coisa do pessoal da manutenção ou uma queda de energia. Nos sete segundos em que o elevador caiu, só uma coisa passava na cabeça de Maggie. Ela não viu um filme da sua vida, nem gritou por socorro. Pensou apenas: Vai ser assim? Por anos engrandeceu sua vida. Imaginava os homens com quem se envolvia como príncipes modernos, com quem teria casas grandes e majestosas como palácios. Compartilharia com eles uma vida de estrela. Sempre aumentava a intensidade da sua vida, desde as cenas da infância, as declarações ditas ao pé do ouvido, além de imaginar acasos e frases dignas de filmes, que transmitia aos poucos amigos com detalhes minuciosos. Assim era com tudo. De forma que uma hora ou outra a imaginação se contradizia, ela se via perdida nas mentiras que inve…

Sérgio, a alegria da minha viagem

“Pior que não ter onde cair morto, é não ter onde ficar em pé vivo.” Autor Desconhecido

Ônibus chechelento. Você adentra e vê que sua passagem está marcada para um número ao lado do qual tem um sujeito mal encarado. Com a arte do improviso, se vira e se joga nos bancos ao lado. São nove horas da manhã de uma segunda-feira.Aí você se acomoda, com aquela cara que não deveria estar ali, com raiva de ter perdido o ônibus no dia anterior e ter faltado meio dia de trabalho. De repente...- Bom dia, pessoal. Meu nome é Sérgio. (Áudio: Voz de locutor de comercial dos anos 50. Empolgação idem). Eu sou o motorista que irá conduzir vocês até o destino. A previsão de chegada é (uma hora a mais de viagem do que eu tinha programado). Esse ônibus é um horário intermediário, então nós paramos também na estrada. (Leia-se: para qualquer ser vivo que estiver parado na beira da estrada). E ele continua: Gostaríamos que vocês colocassem o cinto de segurança. Porque é obrigatório. Ééé, é obrigatório. (Ningué…

Mademoiselle

"Ser mulher e ser livre, sempre!" (anônimo)

Quando quero me sentir mulher forte escuto Maria Rita.
Quando quero escutar o que preciso dizer para outros escuto Marisa Monte.
Quando quero ensurdecer escuto Cássia Eller.
Quando quero sentir tesão de ser mulher doida escuto Rita Lee.
Quando quero saber o que os homens podem pensar ao nosso respeito escuto Chico Buarque, principalmente quando ele canta como se fosse mulher.
Mas ninguém canta como mulher, genuinamente. Ninguém escreve como mulher, genuinamente. Sabemos apenas que o sangue que nos escorre uma vez por mês nos torna diferentes mas igualmente semelhantes em nossas diversas formas.
Por isso escuto vozes firme, sem perder a doçura e a graça femininas. Convencional demais? Pode ser. Ando cansada de procurar outros sons, do mesmo jeito que estou cansada de procurar pessoas, lugares e situações fantásticas.

*Colaboração da frase: Gizele em seus dias de deusa sem majestade.