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Mostrando postagens de Agosto, 2008

10 coisas sobre mim que nem todo mundo sabe

Meu cabelo cresce rápido demais
É difícil deixá-lo no lugar, mas às vezes eu não o penteio. Deve ser um trauma de infância, quando minha mãe me fazia escová-lo 50 vezes de cada lado. Foi ela que me ensinou que quando o cabelo está embaraçado, você tem que pentear as pontas, depois ir subindo. “Senão o cabelo quebra, menina!”

Tenho três travesseiros
E eles têm hierarquias. Tem o the Best, o médio e o piorzinho. Para as fronhas também há hierarquias. Ou seja, o melhor travesseiro ganha a melhor fronha.

Reli um livro apenas uma vez
A ambição de querer ler todos os livros do mundo me faz desistir de reler um livro, mesmo que ele esteja na minha lista de 10 melhores. O único a receber minha segunda visita foi Cem anos de solidão, do Gabo.

Adoro listas
Para tudo. Lista de supermercado, lista de coisas que eu preciso levar em uma mala de viagem e até listas de coisas que eu não posso esquecer de falar em uma apresentação. E aí podem estar incluídos até a saudação inicial e meu nome. Adoro até lista…

Num desses encontros casuais

"Não são os grandes planos que dão certo; são os pequenos detalhes." (Stephen Kanitz)

Saindo de casa, despenteada (pra variar), atrasada (pra variar), com sacolinhas de lixo na mão, cruzei na entrada do prédio com uma garota que já vinha de longe olhando para mim com um sorrisinho. (Ai... Pensei. Ela deve me conhecer de algum lugar e eu não estou a reconhecendo. Isso sempre acontece comigo, ainda escrevo um texto sobre isso).A garota abriu um sorrisão na boca pintada de vermelho e soltou: - Você não é a Tati? - Sim.- Michele Matos, Parafusos e Nostalgias!E quer apresentação melhor? Nome, sobrenome e blog, nosso ponto de encontro e motivo pelo qual sabemos que a outra existe. Seguiu aí um abraço e (para mim) a emoção (seria isso?) de dar uma cara a um blog de uma parafusólica e nostálgica como eu. Ela me reconheceu, (o que me surpreendeu) talvez por uma foto, ou por alguém ter comentado que me conhecia. Ela estava entrando no meu prédio, afinal. - Muito bom conhecer gente ass…

Judite

"Em cada pingo de chuva a minha vida falhada chora na natureza. Há qualquer coisa do meu desassossego no gota a gota, na bátega a bátega com que a tristeza do dia se destorna inutilmente por sobre a terra." (Bernardo Soares - Fernando Pessoa)

Judite abriu os olhos na manhã de domingo e percebeu que se encontrava sozinha. Não apenas sozinha na cama, sozinha no quarto ou sozinha no apartamento. Percebeu que em todos os anos da sua vida jamais havia sentido a solidão naquela dura forma.
Tão sozinha que o quarto já pequeno a sufocava e não deixava espaço para ela respirar qualquer mágoa. No segundo seguinte ela sentia como o mural de fotos à sua frente: vazia. Como se nada no mundo pudesse preencher sua dor, sua solidão.
E Judite chorou. Chorou para extirpar seus demônios, chorou por um tempo, mas logo parou. Nem as lágrimas nem os demônios a acompanhavam mais e ela se encontrava inteiramente só.
O silêncio das lágrimas secas do seu rosto misturou-se com a solidão de seu quarto e co…

Rocambole

"(...)Um bicho igual à mim, simples e humanoSabendo se mover e comoverE a disfarçar com meu próprio engano.O amigo: um ser que a vida não explicaQue só se vai ao ver outro nascerE o espelho de minha alma multiplica..." (Vinícius de Moraes)
Tem uma amiga minha que vive dizendo que vai montar um caderninho com pessoas divertidas que passam pela vida dela. Não conheço tanta gente assim, mas tenho certeza de que teria um caderninho recheado, se me propusesse a fazer um.A dona da idéia me renderia um ótimo texto, não há dúvidas. Mas falarei hoje de outra, uma que entrou há pouco tempo na minha vida, mas de uma forma tão intensa que... nem sei.Se fosse pela cara de brava que ela tem e pela máxima que a primeira impressão é a que fica, teria um par de amigas a menos nesse mundo. Mas nem foi difícil se aproximar da mulher com pose de publicitária renomada, mais velha e que parecia confiar totalmente no seu taco. Descobri que ela estava apenas começando faculdade de comunicação, na pa…

De assalto

Oito horas da manhã de plena quinta-feira. Luz do dia, céu claro. Rua vazia. Apenas eu, com os sentimentos rodando a mente.Nem tanto sozinha.Senti de súbito uma intuição que nunca tive. Um medo concreto. Por mais que minha imaginação possa ser fértil, às vezes pessimista demais, nunca ela se mostrou tão forte. Talvez ela tenha ajudado a tomar a atitude precipitada. Após um relance de olhos, o homem ao meu lado avançou sobre a bolsa. Eu não quis soltá-la. [Depois, quando perguntada, respondi que a reação se deu para que ele não pudesse levar coisas que eu tinha. Coisas caras demais, duramente conquistadas].Agora vejo que realmente foi o instinto. A raiva de dar de graça. Não deixar barato. Realmente não foi. Dor que corta o cerne da razão. Dor que te angustia, que te dilacera. Dor de se sentir impotente, fraca, sozinha, mesmo com o olhar de outras pessoas sobre você, acompanhando seu sofrimento.Nesse instante, não importava a quantidade de olhos. A dor era só minha.A violência não é so…

Sobre as coisas que eu quase perdi

Não me canso de dizer que perco tudo. Minha distração sempre me faz esquecer a sombrinha na farmácia, perder a caneta preferida pela rua ou deixar a bolsa no guarda-volume.E é só horas depois , ao chegar em casa com a chave numerada na mão é que me dou conta de que minha distração ainda me levará à falência. O fato é que normalmente eu QUASE perco as coisas. Ou seja, eu as perco, mas acabo encontrando. Foi assim quando entraram na minha casa, levaram todas as roupas e eu as reencontrei horas depois no brechó. (É sério, juro. E não vá fazer a pergunta idiota: E aí, você teve que comprar tudo de novo? Sou distraída, não burra).Lembrei de escrever um texto sobre minhas coisas quase perdidas depois de ter quase perdido o celular. Recuperá-lo (três dias depois de incomunicabilidade total) foi um momento sublime. Com direito a um halo de luz em volta dele quando a moça do supermercado me entregou o aparelho. Tive até a impressão de que tocou Carruagem de Fogo enquanto minha mão alcançava pa…

Luzia

"Escrevo sobre isolamento e ternura, a perturbadora ambivalência nossa, frivolidade e covardia, às vezes a graça e o riso." (Lya Luft)

Luzia tinha esse nome por causa da santa, padroeira da visão. Não que sua mãe fosse beata de igreja. Pelo contrário. A tia era prostituta e a mãe engravidou do caixa do supermercado em uma tarde nublada de outono, entre um turno e outro de trabalho. O pai nunca assumiu a filha e foi a tia, com a renda de um mês, que pagou todas as despesas do hospital e lhe comprou um enxoval cor-de-rosa. Disse apenas à irmã que colocasse um nome de santa na menina, para tentar evitar que ela tivesse um futuro sórdido. A tia riu quando foi convidada para ser madrinha, dizendo que o que ela poderia ensinar à sobrinha não poderia ser dito em voz alta na igreja. A menina terminou por não ser batizada e recebeu o nome semanas depois de nascer, quando então a mãe lembrou da medalha de Santa Luzia que seu pai carregava sempre com ele, desde que passou a sofrer com a…