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"Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão"

(Carlos Drummond de Andrade)

É engraçado pensar em como podemos mensurar o tempo de formas diferentes. O tempo dos relacionamentos, por exemplo, parece transcorrer mais rápido que o tempo que passa depois do fim. Falei isso para um amigo, que me respondeu que talvez o tempo transcorrido enquanto durou o relacionamento talvez tenha sido mais feliz. Será? Talvez tenha sido a rotina que tornaram os dias mais fluidos e, assim, mais fugazes.

Ou talvez não. Porque os relacionamentos podem ser bons, nem um pouco rotineiros e mesmo assim passarem como uma ventania que varre folhas pelo ar. Seria clichê dizer que tudo que é bom passa mais rápido do que os instantes de sofrimento? E seria mais um “lugar-comum” dizer que o que é bom dura pouco, mas é infinito e inesquecível enquanto dura?

Talvez não seja clichê dizer que justamente por isso, deva acabar. Para que dois corpos se separem e se tornem outras matérias, encontrem outros corpos, vivam novas vivências e carreguem outras lembranças.

E o que passou permanece vivo na lembrança, mas deixa um gosto agridoce pelo que foi e justamente por ter ido.

E o que mais dói é que enquanto fazemos força para esquecer ainda sentimos que o tempo em que vivemos com outra pessoa não será apagado, porque não podemos apagar quem fomos durante aquele curto ou longo espaço de tempo. Esse tempo está encalacrado em nossa história e se multiplica infinito, cheio de macro e micro histórias, que se desdobram sem mais ter fim.

Mas o fato é que quanto mais o recordamos e mais o relembramos, de alguma forma, exorcizamos e mandamos esse tempo embora mais rápido do que aqueles que se negam em sentir a dor. Para estes, o sofrimento vem em doses homeopáticas. Entretanto, quando sentimos a dor de verdade, ela se concretiza e incrivelmente se dissipa como uma bolha. Demora, mas depois que dói, seca, cai e cicatriza.

E o que é incrível é que depois de cicatrizar, quando estas duas pessoas se encontram, os corações ainda batem um pouco mais forte, porque as histórias geralmente deixam rastros e jamais permanecem em branco em duas vidas.

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