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Mostrando postagens de Maio, 2008

Enfim...

Acho bonito falar alemão.Por isso, talvez, eu não queira aprender a falar alemão.Se eu falasse alemãoas pessoas iriam dizer, simplesmente, “ele fala alemão”e aí perderia toda a graça.A graça está em achar bonito falar alemão.Por isso, às vezes,eu deixo de fazer algumas coisas.Deixo de dizer que te amoporque dizer que te amo soaria como uma banalidade a maisnesse mundo cheio de banalidades.e onde habito eu, um poeta das banalidadesE simplesmente me calo, deixo a barba crescerescrevo poemas para depois apagá-los de minha lembrançae esqueço coisas que seriam inesquecíveissimplesmente porque perdi a capacidadede reter as coisas boas em minha memória.(Labirinto - Hermínio Bello de Carvalho)
Não, não gosto de alemão, nunca achei graça em falar alemão, aliás, acho feia a pronúncia carregada de chhrr finais que nunca conseguiram entrar na minha boca. Mas coloquei esse poema aqui porque lembrei dele enquanto lembrava de palavras que gosto tanto que costumo não usar. “Enfim” é uma delas. Acho li…

Perdendo a personalidade

“- Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... A alma exterior pode ser um espírito, um fluído, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação”
(Machado de Assis)Para mim, as situações abaixo são mais comuns do que se imagina...- Eu já não te conheço?
- Acho que não.
- Então acho que te confundi com outra pessoa...- Nossa, tenho uma prima/irmã/conhecida/vizinha/aluna que é a sua cara!
- Ah, é? Hum, legal.- Você não é neta do João Lacerda?
- Nunca ouvi falar.
-Mas é tão parecida com ele...(ao telefone)
- Alô...
- Camila/Sandra/Berenice!
- É a Tatiana.
- Desculpa, confundi.A sua voz é igual a dela!- É você ou sua irmã??
É por isso que, com certa freqüência, eu paro diante do espelho e digo de uma forma bem articulada:
-Você é Tatiana Lazzarotto, não deixe nada te fazer acreditar no contrário.

A maldição da bisteca

Reza que acaba logo. (popular)
Aconteceu há pouco mais de um mês, na fila do açougue. Dia de compra do mês.-Que carne vamos comprar?Entre as opções, bife, costela, frango...Foi aí que surgiu a idéia infame.-E se a gente comprasse bisteca de porco?-Pode ser...É isso que até hoje a gente não entende. Nenhuma das duas é fã de bisteca, a tal da bisteca não estava em promoção, por que raios comprar bisteca?-Meio quilo, por favor. Estava feita a cagada.Ao chegar em casa, dividimos a aquisição em pacotinhos. Até hoje, se as duas forem separada em salas diferentes para testemunharmos, vamos dizer o mesmo. Não eram muitos pacotinhos.Mas aí vem a explicação.As bistecas se reproduzem no congelador.No primeiro dia, foi divertido.-Nossa, porco, faz tanto tempo que eu não como. Bom, né?No segundo dia de cardápio suíno, já estávamos meio chateadas com a idéia.No terceiro, (semanas depois), torcíamos o nariz.As possibilidades se esgotavam. Fritas, assadas, com limão, com molho... De todas as formas, d…

Enjoadinho

“Ninguém pode ser dono de um gato, mas eles podem abençoá-los com sua companhia, se quiserem” (Frank Engram)
Sempre quis ter um gato, mas a animosidade da minha mãe contra esses pobres animaizinhos me fez desistir. Uma vez, o destino até ajudou e trouxe um gatinho sem dono para minha casa. Depois que minha mãe chutou-o para longe do alto da varanda no segundo andar, o bichano simplesmente desapareceu e com ele minha vontade de ter um outro. Mais tarde, quando passei a morar sozinha, os apartamentos sempre eram minúsculos e eu costumava viajar para a casa dos meus pais nos feriados, o que excluía as hipóteses de abandonar o animal ou levá-lo para junto de minha mãe. Enfim, depois de 22 anos, consegui realizar meu sonho. Não vou tanto para casa e moro em um apartamento grande, que tem uma área de serviço capaz de abrigá-lo. O gato, bebê ainda, não tinha lar e veio ao meu encontro, que não tinha gato ainda. Anunciei a novidade aos quatro ventos e todo mundo fez aquela cara (conhecida já) …