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Mostrando postagens de Setembro, 2008

Meu reino das palavras

"Alheias e nossas as palavras voam (...)"
(Cecília Meirelles, Vôo) Antes mesmo de saber escrever
As palavras já formavam imagens
Em minha mente.
Tarde, por exemplo.
Ao ouvir Boa Tarde,
vinha-me à cabeça um velho
de barba branca e rala
e expressão plácida.
O velho da Tarde,
como o chamo hoje,
ficava na soleira de uma porta
sob um céu alaranjado
contemplando o entardecer.

Elas sempre têm razão

(...) E se o mundo em ti principiava,
No teu mistério entre astros absortos,
Suavemente, ó mãe, tudo termina. (Natália Correia)
A gente tenta
No fundo a gente sempre tenta.
Ser diferentona
Parecer moderninha
Dispensar o amor da vida inteira
Pôr o pé para fora de casa
E não voltar antes das seis e meia
A gente não quer limpar
E cozinhar, só se for petit gateau
Mas no fundo, lá no fundo
Sabemos que ainda somos as mesmas
E vivemos
Como nossas mães.
P.S. Salve Dona Suelânia e Dona Maria!

Quase-morta

“Sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo,
Espécie de acessório ou sobressalente próprio,
Arredores irregulares da minha emoção sincera,
Sou eu aqui em mim, sou eu”.(Álvaro de Campos)
Todo mundo vai morrer um dia. De acidente, do coração, assassinado, afogado, queimado. Tem mortes mais inevitáveis que as outras, mas na verdade, basta estar vivo para morrer. Quando se tem uma filha de 22 anos, formada, sem nenhuma dificuldade aparente, esse conformismo deixa de existir e você caga e anda para a história da morte inevitável. Se puder evitar, faz o que pode!Foi o que aconteceu com meus pais na última semana. Na verdade, foi nessa semana. Mas meu pai briga comigo quando eu digo que a semana começa na segunda e não no domingo. Enfim, foi na última segunda. Tirei as amigdalas, já contei aqui.Seis dias depois da cirurgia tive um sangramento na garganta. Acho que foi pequeno, mas o suficiente para me alarmar. Chorei horrores. Ao me ver desesperada, meus pais ficaram mais nervosos que eu e desa…

Quem sou eu, mesmo?

Nas vontades do meu pai e da minha mãe, Tatiana Carolina.
Mas hoje sou Tati, pra quase todo mundo.
Já para a Lis, eu sou a Tets
O Gil me chama de Tatislane
Quando a Pati fala, é Teits
A Carol inventou Tatismara
O Polaco não me chama de nada
Eu sou o cupim, segundo a Dai
A Diangela diz que eu sou Tatiêine
O Marti me chama de querida
Uma vez me chamavam de Tati Carol, mas passou.
Meu irmão dizia que eu era a cabeçuda
A Cris disse que eu era um tatu
Para as Marinas, ex-vizinha
Para o Flavinho, ainda sou
Eu já fui a princesinha do papai, mas há tempos foi-se meu reinado
Para a 2ª princesa, sou a chatinha
A Fabi me trata por Tatizinha
A Vanessa por meu amor
Sou filha do Papai Noel
Uma vez fui bacharel, da outra licenciada e uma vez especialista
Poucas vezes fui amor, nunca fui doutora, nem tia
Já me chamaram de Daniela, Carla e Ludmila
(mas esses não contam, foi engano)
Diante das várias alcunhas, prefiro a indagação de Shakespeare: “O que há num simples nome? O que chamamos de rosa, com outro nome, não teria igu…

Tudo pode ser dito no silêncio

Dos cais do silêncio partem brancas barcas
Para remotas estrelas dentro de mim(Fernando Botto Semedo, Poemas do silêncio)
Essa semana estou de férias. De pernas para o ar na casa de meus pais. Ô, coisa boa. Fazia tempo que eu não ouvia a musiquinha de abertura da sessão da tarde e a voz do locutor do Vídeo Show. Não estou preocupada com o horário que vou acordar (e isso em plena quarta-feira!). Pode parecer ótimo, senão fosse o motivo das minhas repentinas férias setembrais. Tirei as amigdalas, que tanto me incomodavam e que provocavam o espanto dos otorrinolaringologistas a quem consultei. “Vai doer”, já tinham me avisado. “Ah, mas não deve ser uma dor insuportável, afinal todo mundo faz”. Ledo engano. Nunca passei noites tão mal dormidas, tanto que tinha medo de dormir e acordar ainda pior. Já achei que meu ouvido fosse explodir. Já dobrei a dose dos analgésicos e já recusei muita comida. Essa, aliás, é a pior parte. Você deixa de ter fome, para desespero da sua mãe que passou a manhã…