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As pessoas de 2008

Sobre quem encontrei ou em quem me esbarrei no ano que passou

O ano de 2008 serviu para me mostrar muitas coisas, mas, principalmente, que amigos vão e vêm. Os que vão permanecem vivos na lembrança e nos reencontros, casuais ou marcados. Os que vêm mostram que novas amizades continuarão vindo e, como o sol, trarão a promessa de dias (e anos!) mais felizes.

Costumo dizer que os anos ímpares me trazem novidades e os anos pares mantêm as coisas nos seus devidos lugares. É sempre assim, talvez com raras exceções. Algumas delas vou listar aqui.

Em ordem mais ou menos cronológica, os indicados na categoria "Amigos Revelação 2008":

Mary Stela

Ela surgiu na minha vida antes de 2008, mas foi nesse ano que nos tornamos cúmplices, tanto na arte de cuidar de um gato, como para guardar segredos sobre utensílios domésticos. Eu nunca pensei que fosse encontrar outra "Cris" e quando a Maristela chegou, quietinha trazendo sua geladeira e seu fogão, eu jamais imaginaria o quanto a ausência dela chegaria a ser um pé no saco. Aprendi com ela a escarafunchar dotes culinários que nem sabia que tinha, que talento musical não é necessário para cantar e que morar com uma pessoa não é "só dividir contas e faxina, mas uma parte da nossa história" (VALÉRIO, 2008)

Pati

Sobre ela eu já escrevi um texto inteiro. Talvez seja a integrante da lista mais complexa de se descrever, mas as experiências divididas não necessitam de qualquer explicação. Por muito tempo eu lembrarei dela quando ler um bom livro, comer um bife, subir em cima de uma bicicleta ou ver uma estátua viva.

Marina

Na nossa primeira conversa, ela perguntou se eu era sua nova vizinha e eu perguntei como ela agüentava aquele galo insuportável da casa ao lado toda a manhã. "Acostuma", ela respondeu. Com ela descobri que ainda existem pessoas que realmente têm o coração puro. Ela mostrou um carinho por mim que desarmou meu coração para as amizades instantâneas. Simplesmente porque é impossível não guardar um carinho imenso pela "loira, alta e bonitona". Além disso, é impossível conhecer alguém tão inesquecível quanto a Susete.

Hartmann

Cena: uma festa com música (ensurdecedoramente) eletrônica. Pensei alto: "É por essas e outras que eu penso... Eu gosto mesmo é dum boteco". Ele escutou. Pronto, viramos amigos. Às vezes eu me pergunto como posso sentir saudade de uma pessoa com quem convivi tão pouco. Mas aí quando ele vem me perguntando: "E aí, meu bem, quando vem pra cá?" o coração aperta e eu vejo que isso se chama saudade mesmo.

Michele Matos

Ela aliou em seu blog duas palavras que também me definem bem: Parafusos e Nostalgias. E ler o que ela escreve me trouxe saudades guardadas no peito e parafusos que até então eu não sabia onde encaixar. Ela também leu o que eu escrevi e depois de um longo diálogo de comentários, acabamos nos conhecendo de uma forma nada comum. A Michele me ensinou que conhecer quem está por trás de um blog é uma coisa muito importante, tanto que pode marejar os olhos. Ela me acolheu como acolhe todos à sua volta. Quando vi que mesmo acabando de chegar eu já merecia sua atenção, percebi como tive sorte.

Pedro

Por um tempo fomos vizinhos invisíveis um ao outro. Depois, vieram os esbarrões e, talvez por influência da Michele, os encontros passaram a ser mais freqüentes, quase diários. Descobri que um acadêmico de Matemática pode perfeitamente ter ao lado da cama livros de aritmética alternados com a poesia de Cesário Verde. Com o Pedro também descobri, entre outras coisas, que o bom gosto não está restrito ao círculo de Humanas, que a sensibilidade não é privilégio das mulheres e que vizinhos podem te alegrar bem mais que um mero empréstimo de um pouco de açúcar. Ainda bem que eu não morri, senão não teria dado tempo de saber disso tudo.

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