Ele trama. Ela? Drama

“não faz diferença

se você vem amanhã

ou não vem

desisti de esperar

por alguém

cuja ausência

me faz companhia”

(Martha Medeiros)


Ele era bipolar.

Ela era autêntica.

Vez por outra ele trazia rosas.

Ela se derretia.

Noutras ele a ignorava

“Deve ser minha culpa”, ela dizia.

Ela ficava a esperá-lo na praça

Ele nas rodas de cachaça.

Ela comprava um vestido

Esperava vê-lo tirando.

Ele fingia não ver

Quando ela surgia entrando.

Ela lia e relia tudo o que ele lhe escrevia.

Mal sabia que para outras ele também o fazia.

Diante do bem-me-quer e do mal-me-quer.

Não sabia ela o que sentir.

Até que um dia jogou as pétalas fora.

E escreveu em uma carta o seguinte apontamento:

De agora em diante, tal qual o pólo,

Tal qual o sentimento.

No pólo em que tu me gostas,

Serei a coisa amada.

No outro, em que me desprezas,

Serei o seu tormento.

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