Entre vírgulas, pontos finais e reticências

Dividir-se. Essa parece ser a condição suprema da raça humana. Desde a união das duas bases que fundem-se e dividem-se e dividem-se num processo de evolução e criação de um zigoto. Já pronto, o feto só saberá que foi gerado a partir da divisão e multiplicação eficaz e coreografada de suas células bem mais tarde, na 7ª série. Mesmo assim, até lá irá dividir-se e dividir o mundo à sua volta. Dividirá pai e mãe, quem sabe até antes de vim ao mundo. Ou os dividirá depois, atribuindo (mesmo na sua pequena fragilidade) a cada um dos dois tarefas distintas que suprirão suas carências... Um cuidará do futuro, o outro do agora. Sustento, trabalho árduo. Carinho, cuidado. Rua, mundo. Quarto, casa. E os dois se desdobram, se dividem pelo amor ao rebento. E se unem, pelo amor ao rebento. Dividir-se, fundir-se. Separar-se, aproximar-se.

O que foi um precisa se tornar dois. Dividir-se pelo bem, de uma ou ambas as partes. Dividir-se pelo presente, pelo futuro. Dividir-se pelo luto, pela dor, pela dúvida, pela atração de outras forças magnéticas. Ou dividir-se para que uma nova vida renasça.

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