À espera de um milagre...

"A dor é inevitável, o sofrimento é opcional" (Carlos Drummond de Andrade)

A definição de sofrer não deveria ser algo tão simples como nas palavras de Drummond... Pelo menos não o sofrimento ferrenho, aquele em que se chora sem motivo e em que se tem medo de perder tudo, de uma vez por todas... Porque esse sofrimento não se escolhe, ele se apresenta nu e cru para que o sinta... Escrever por linhas tortas para se escrever certo significa querer ser Deus? Querer abraçar o mundo com as pernas, querer levar todas as coisas à perfeição em um passe de mágica? como querer ser Supremo e fingir que o corpo é inquebrantável, se ele é frágil, fino como a porcelana? Ele é vulnerável, move-se por si próprio e multiplica mazelas, sem qualquer consentimento... Por que esquecer de tudo o que já foi vivido e sofrer o amor, a vida e as amizades? Porque se quer demais... Quer-se exigir tudo tão milimetricamente certo, quer-se pétalas, quer-se desculpas, quer-se juras infindáveis, quer-se soluções mirabolantes... Quer-se um milagre de Deus... E por vezes, esquecendo a vulnerabilidade do corpo, fugimos por ruas e caminhos escuros e nos embrenhamos por vias perigosas, julgando a eternidade e negando a fragilidade de nós mesmos... e só se espera que Alguém aja... e à espera eu me encontro no supremo vazio da existência... As palavras falatam em meu vocabulário. Não sou a mesma, eu sei... Eu me perco em metáforas sem sentido para mascarar a dor que eu finjo sentir, porque a terceira, a que eu realmente sinto, eu já desconheço. Crio neologismos e viajo sem norte. Deixo a clareza e a objetividade para as páginas impressas e públicas e para as declarações particulares... Aqui escrevo para ninguém... E ninguém entende...

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