A lápis

Texto inspirado no blog Não enviadas, de Camila Rufine e Graci Polak


Bom, (sempre achei que qualquer conversa séria que eu teria com você começaria com essa palavra) não posso negar que de algum modo você me encanta. Não sei te precisar o porquê, afinal, você não é o meu tipo, passa longe de Don Juan e só volta e meia resolve lembrar que eu existo.


Nosso relacionamento (se é que podemos chamar assim) foi zebra em todos os momentos. Os desencontros se sucederam, um a um, e os encontros pareceram tão certos como uma substância gelatinosa escorregando por entre os dedos.


Talvez você tenha algo que, contra tudo e qualquer outra coisa, puxa minha alma para perto de você. Algo mais forte que uma descrição vocabular. Um assim, sei lá... acorde tocado na hora certa. Uma marca invisível, que foge ao externo e se esconde em algum lugar ainda não descoberto, mas resolve se insinuar quando é hora. Ou vai ver que você me instiga simplesmente pelo fato de eu não ser alguém de grande importância para você. E o que eu quero no fundo, no fundo, é conquistar o inatingível. Em tudo.


Faz parte de mim achar que é preciso desafiar a condição do irreversível. Talvez por isso você me diga, na calada da noite, que eu sou corajosa. Não, o que eu sou é burra. E teimosa.


Não tenho dúvidas que sim, você tentou (ou tenta) gostar de mim. Sinto como se você tentasse listar minhas qualidades para si mesmo, de forma a condicionar seu coração a bater mais forte por mim. Mas não, não adianta. É como diz a música, você pode até estar querendo querer-me sem ter fim, mas esse querer não há em ti. Ou seja, você simplesmente não pode tentar cavar algo que não está escondido embaixo da terra, ou pode, mas será em vão. O fato é que você simplesmente não está a fim de mim e isso eu compreendo (ou tento compreender).


Porque quando eu penso assim eu lido melhor com esses conflitos na minha mente. É por isso que eu obrigo-me a pensar em você, atrás da pose de muralha impossível de se escalar, apenas como um menino. Um menino bobo, que não sabe o que quer, que não sabe se expressar e que não sabe que as oportunidades se esgotam.


Deixei de pensar no que há de errado comigo ou se alguma coisa por mim pode ser despertada em você um dia. Desisti do quebra-cabeça. Não sou eu, não é você. Dei-me conta, simplesmente, que existem peças que não podem ser encaixadas.

2 comentários:

{ *Jé } at: 8 de junho de 2009 17:11 disse...

Simplesmente um dos melhores que já vi...

{ Paty Ortega } at: 9 de junho de 2009 07:33 disse...

Adorei!!! Passei exatamente por isso.

 

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