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Maggie

"Ando perdida nestes sonhos verdes

De ter nascido e não saber quem sou"

(Florbela Espanca)


Maggie só se deu conta que ia morrer quando o elevador despencou de vez. No começo, quando ele parou, ela ainda pensou que poderia ser coisa do pessoal da manutenção ou uma queda de energia. Nos sete segundos em que o elevador caiu, só uma coisa passava na cabeça de Maggie. Ela não viu um filme da sua vida, nem gritou por socorro. Pensou apenas: Vai ser assim?

Por anos engrandeceu sua vida. Imaginava os homens com quem se envolvia como príncipes modernos, com quem teria casas grandes e majestosas como palácios. Compartilharia com eles uma vida de estrela. Sempre aumentava a intensidade da sua vida, desde as cenas da infância, as declarações ditas ao pé do ouvido, além de imaginar acasos e frases dignas de filmes, que transmitia aos poucos amigos com detalhes minuciosos. Assim era com tudo. De forma que uma hora ou outra a imaginação se contradizia, ela se via perdida nas mentiras que inventava para si, mas não cansava de dissimular a realidade. Dessa forma o grand finale imaginado por Maggie também se chocou com o fundo do elevador do prédio, depois que ela saiu da repartição.

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