Me despeço e vou...

Chega a hora de dizer adeus. Engraçado, sempre imaginei o meu último dia aqui. Sabia que um dia iria embora, mas não imaginava uma despedida súbita. E sempre acreditei que quando fosse embora, levaria a mudança toda para outra cidade.
Continuo na mesma cidade e, talvez por isso, a despedida seja menos dolorosa. Ou não. Ainda estarei ao alcance dos seus abraços, ainda os terei ao alcance da minha visão. Por um tempo talvez eu ainda me esforce para me fazer presente. Ainda devo um último abraço para algumas pessoas que não estão aqui.
Acompanharei os passos que vocês darão sem mim, verei o que de bom cada um irá fazer, mas com um sorriso no canto da boca por ter feito parte disso tudo. E vai chegar um dia em que serei apenas uma lembrança, alguém que protagonizará uma história que começa como: “aquela menina que trabalhava uma vez na imprensa...”.
Parto em busca de um sonho. E, juro, não quero parecer clichê. Um sonho mesmo, uma coisa que cutuca aqui dentro e que vez ou outra me lembra do que eu sempre quis. Uma vontade que dá, incomoda e a gente finge que não vê. Mas a gente sabe que, mesmo fingindo, não passa. Porém, de uma coisa ainda não tenho certeza. Há momentos em que os sonhos nos pregam peças. Não sabemos se são eles só teimosia da cabeça ou se fazem parte mesmo do que queremos. E como saber? Por um tempo, me angustiei para saber a resposta. E hoje vejo que a resposta está exatamente no passo que irei dar. Vivendo esse sonho. Se ele arrefecer, sinal de que não era sonho, era devaneio. Se ele, persistindo, der pé, sinal de que era vocação.
Se tenho tanta certeza, por que estou agora chorando baixinho, enxugando as lágrimas que, graças a Deus, o Leandro – distraído como ele só – não viu? Por que me pego despedindo vagarosamente da minha mesa, da intranet, do banner torto, do telefone que não para de tocar? Por que demoro a escrever o e-mail derradeiro (aquele!), em terminar aquela tarefa que eu já me habituei a fazer? Porque é difícil partir por si só. Quando a gente é criança e o pai decide mudar de cidade, a gente chora pelos amigos que ficam, mas, oras, é a vida. Depois que a gente cresce, as despedidas passam a ser frutos das nossas escolhas. Hoje o céu chora e o que ele parece me dizer é que tudo é por minha conta e risco.
Acho que mais bonito do que dizer que sentirei saudade é dizer que vocês farão parte das minhas melhores histórias. Que vocês são personagens da equipe maravilha que irá permear os contos de fada da publicidade que ainda contarei. Vocês serão o meu dream team. Um dia, se algum de vocês me ouvir dizer que eu já trabalhei com uma equipe realmente maravilhosa, saiba que são vocês mesmos a quem estarei me referindo. E eu ainda acrescentarei que: não, não é horrível ser a única jornalista entre dez publicitários. E: sim, eu poderia só saber mexer no Word, mas graças à equipe maravilha, hoje eu sei muito mais.

Aos amigos da i9, que se fizeram presentes ao longo de um ano, o meu muito obrigada e a minha admiração.

Hasta.
Tatiana

10 comentários:

{ Scheyla Joanne Horst } at: 29 de janeiro de 2009 12:35 disse...

Como diz aquela música da Paula Toller, "eu não sabia que existia, esse outro parto, de partir". Mas é, né.
Então, nos primórdios era peripécias sim. Na verdade até o fim do ano que passou era. Aí resolvi dar uma mudada. haha. Por que?
Até! :)

{ Camila Belini } at: 29 de janeiro de 2009 13:46 disse...

Seria até redundante dizer q odeio despedidas... afinal, qm gosta?

Lindo texto tati

abraço!

{ Michele Matos } at: 29 de janeiro de 2009 13:49 disse...

nem preciso dizer o quanto despedidas mexem comigo, vc presenciou...
mas esse texto foi de arrepiar...todo sentimento do mundo está nele...
=)

{ Tiozaum } at: 29 de janeiro de 2009 16:15 disse...

É verdade, é sempre bem triste se despedir.

Foi bem chato dizer adeus de tudo la no Rio. Mas eu estava convencido que seria melhor vir embora, por isso entendo e concordo com o que vc disse sobre as escolhas.

Acho que entendo como vc está se sentindo.
Agora é estar pronta pra enfrentar o futuro!

Boa sorte e sucesso!
No que precisar de mim, e no que eu puder ajudar, pode contar :)

Beijo!

{ Elaine } at: 29 de janeiro de 2009 16:22 disse...

Detesto despedidas!:(
Principalmente de amigos legais!
Mas tudo vai da certo!

Um beijo
Elaine

{ Milena } at: 29 de janeiro de 2009 17:51 disse...

Concordo com a Michele, todo o sentimento do mundo está nele. Um tantão do meu sentimento tbm!!!
Triste é, mas é preciso... e ainda mais que vc vai atrás do que vc quer!
Te desejo toda toda a sorte e sucesso do mundo.
Bjao

{ Cáh } at: 29 de janeiro de 2009 23:39 disse...

Despedidas de fato são sempre tristes, no entanto necessárias.
Espero que sejas feliz no teu novo mundo-novo.

Adicionei-te aos meus seguidores, para que eu consiga estar com mais frequência viajando no que você escreve!
Adoro vir aqui e não estou sendo clichê.

beijos

{ Alyne } at: 30 de janeiro de 2009 06:28 disse...

Tati, como assim???
Pra onde vais???

beijo

{ rique } at: 30 de janeiro de 2009 19:18 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
{ Camila Reginato } at: 30 de janeiro de 2009 19:21 disse...

otimo texto ...
lembrei de uma musica mto legal
"Não Vou Me Adaptar - Nando Reis"
bem despedida , pena q elas mais cedo ou mais tarde sempre acontecem neh tatiana?

 

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