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Máscaras, apenas máscaras...

"O inferno são os outros" (Jean-Paul Sartre)

Sempre gostei dessa frase, embora nunca tenha entendido o que Sartre quis dizer com ela. Talvez goste pela sua subjetividade, deixando a cada um que a interprete, afinal todos temos nossos infernos particulares. Também se pode entender diferentemente o que são os "outros". Talvez sejam os outros que existem em cada um de nós... Aqueles que se escondem sob as infinitas máscaras que usamos todos os dias e que, quando caem, nos levam ao inferno. Nesses últimos dias fui ao céu e ao inferno várias vezes. As máscaras insistiram em não ficar obscuras umas sob as outras e mostraram sua face, naqueles momentos em que você não consegue enfiar todo seu descontrole dentro de um saco. Fui ao inferno pela primeira vez. E o que apareceu foi a máscara de feição chorosa, como uma dos símbolos do teatro. Mas não se viu teatro algum. Somente a crua e nua cara ensopada de uma menina que chora ouvindo Beatriz... Também procurei desesperadamente uma máscara que pudesse esconder a vergonha e a certeza de ter fracassado mais uma vez. Mesmo assim, nenhuma delas apareceu. Não, talvez tenha surgido uma, a máscara que aparece quando engolimos em seco. Fui ao inferno pela segunda vez... Mas também se pôde ir ao céu. Ao céu das palavras ditas, escritas e acariciadas. Ao céu das fantasias concretizadas, dos medos aplacados e das esperanças, sempre esperanças... E é aí também que exitem máscaras. As que mascaram que, à custa de um céu, os infernos terão que aparecer, um a um, a qualquer hora. Mas a máscara que uso agora sabe que, infelizmente, só se vive um céu de cada vez.




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