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Odeio o modo como não te odeio

"O ódio é a cólera dos fracos" (Alphonse Daudet)

Odeio tudo. Impactante? Talvez. Mas como disse alguém, o ódio move os homens. Acordei com um ódio que não me move, mas me comove... (Rima muito pobre) Pensei no ódio que sinto em ser quem sou, menina de pernas finas e brancas demais. No ódio de adormecer irrequieta, ansiosa demais para esperar o nada. E é incrível como com o espírito carregado de ira a lista de objetos odiados é imensa. Mas no repouso do ser, listar-se o que se ama é sempre um exercício árduo. Disseram-me que o que se odeia é o que faz parte de nós. As pessoas que mais odiamos são as que espelham nossos reflexos. Eu odeio o desprezo. Não o dado, mas o recebido. E é por isso que me pergunto se é verdadeira a grande receptividade que eu penso ter. Odiar é um ótimo modo de reconhecer os erros. É no ódio que eles se apresentam, um por um, esperando pra serem julgados. Odeio ser ignorada em uma discussão. Odeio falsos entendidos. Odeio infantilidades na hora errada. Odeio ironias na hora errada (existe hora certa para a ironia?). Odeio lembrar dos incidentes que já deveriam ter sido esquecidos. E ainda ficar com ódio do que aconteceu. Odeio. Mas não é um ódio implacável, porque como disse Propércio, esse só existe no amor. No amor, também se odeia. Por isso é que eu odeio o sentimento que começa no estômago, embrulha-me por dentro, sobe para o pescoço e me ataca como um soco na cara. ODeio senti-lo e odeio ter de escondê-lo. Não consigo... Odeio ler escritos, ouvir declarações e admirações. Odeio, odeio, odeio. Odeio saber que isso me fará odiar e ainda ir atrás. Procurar, instigar. Masoquismo, consciente... Fraqueza de espírito... Será que a dor passa, assim como o ódio? Como disse alguém que eu aprendi a odiar, (ou ignorar ou desprezar) os sofrimentos não são esquecidos. Somente aprendemos a passar por cima deles.

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