Se eu pudesse...

“Não há coisa que não esteja como que perdida entre infatigáveis espelhos. Nada pode ocorrer uma só vez, nada é preciosamente precário” (Jorge Luis Borges)

Se eu pudesse nascer de novo, seria um pedreiro. Muitos divagaram sobre essa possibilidade, mas duvido que alguém tenha se apropriado da tranqüilidade de um pedreiro deitado na grama após o almoço. O sossego pousa ali e ali fica, unindo um bando de barbudos de camisas de time, sem a chave da obra para recomeçar a lida da tarde. Nem com as gostosas que passam na rua eles mexem. Uma pausa merecida, de tudo.

Se eu pudesse voltar no tempo, seria como o casal de adolescentes que vi hoje de manhã. Com agasalho do uniforme, há duas quadras da escola, na certa fugidos, eles não se encaravam. O porquê da briga deles, fiquei tentando imaginar comigo mesma. Olhavam para lados opostos, ela para baixo, ele para o horizonte. Queria voltar a ter essa expressão que só os adolescentes têm, de achar que o seu problema acabará com o mundo de uma vez por todas. Mal sabem que quando a gente é adulto os problemas crescem e podem durar a vida inteira.

Se eu pudesse parar o tempo, congelaria o seu olhar cruzando no meu, assim, sem mais nem por que. Guardaria o seu rubor em um potinho e levaria comigo para onde eu fosse. Pausaria em mim a ânsia de te querer sempre perto, buscando em qualquer gesto tua vontade de ficar também.

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