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Sem sal, sem açúcar e sem afeto



Já me disseram que eu meto medo nos homens. Ultimamente não ando assustando nem meninos na tenra idade, que dirá homens feitos. Já me disseram que eu sou complexa. Ah, para (agora sem acento diferencial). Meu pai me entende.

A verdade é que eu não creio mesmo que eu seja assim. Talvez, devo confessar, eu seja um pouquinho só imponente e incompreensível. Mas isso faz parte do que no fundo se traduz como insegurança. E faz parte de mim fechar minhas comportas quando elas não sabem para onde escoar.

Sob um certo ângulo isso deve se chamar autocontrole. Visto-me, ou tento me vestir, com a capa do autocontrole, mas ela é tênue e vez ou outra costuma cair. Principalmente quando ele entra na minha casa como se fosse sua ou ousa aparecer nos meus pensamentos, como se fosse completamente normal pensar mais nele do que em mim. Então eu quebro a cabeça para lhe escrever, para que nas poucas linhas eu não pareça ousada demais.

Eu mal lembro meu nome e CPF, que dirá que tenho autocontrole, quando ele entra nos meus jogos sem pedir licença e sem pedir licença já faz parte de mim. E eu me pergunto onde ele está quando na pedra mais alta eu digo seu nome repetidas vezes, quando nossa música toca, quando seu sorriso me falta...

Sou como um fantasma na vida de alguns homens. Inevitável eles se separarem de mim, levando um pedaço meu nas suas bagagens. Inevitável eu ficar, guardando um pouco deles na minha caixinha de recordações. É como se eu fosse a poça de água que a chuva acumulou e abandonou como se fosse bonito deixar um pedaço seu depois de ir embora. E quando esquecerem da chuva, a poça continua ali, para lembrar que a chuva há pouco existiu. Eu penso nele e inevitavelmente lembro dos outros que já choveram. Os homens também são fantasmas para mim.

Comentários

Graci Polak disse…
Eu compreendo tudo que vc escreveu, Tati. E fico sem palavras para escrever sobre isso, principalmente porque a questão é constante nos meus dias e tartaruga aqui, para não se resfriar ainda mais, se recolhe dentro do casco.
Caso sério, rsrs...

Eu sou seu primeiro comentário no blog novo??
Tô emociada, rsrs...

Bjooo!!
Graci Polak disse…
Meu segundo comentário, depois de perceber vários erros, rsrs...

Na verdade eu fiquei emocionada, não emociada (não lembro de ser viciada em emo, rsrs. Bjooo!
Tiozaum disse…
Ficou legal seu blog aqui Tati :)

É mto legal qdo vc escreve sobre vc e seus sentimentos. Vc faz isso de uma forma q eu até posso imaginar como vc se sente de verdade.

Adoro!

Beijos!
Michele Matos disse…
Bem vinda ao Blogspot! Que bom que estragou o outro, aqui é mais fácil deixar comentários...
Ótimo texto.
Você não é complexa, o mundo é um pouco.
va_nessals disse…
Mudou de casa então?
Fazia tempo que não te visitava mais... Que desnaturada!
Confesso que não captei completamente isso tudo que vc escreveu. Ta ficando complexa, hem!
Saudade!
:*
P. disse…
Este comentário foi removido pelo autor.
Raquel Farias disse…
Foi como me olhar no espelho, quando li os 3 primeiros parágrafos. As vezes acho bom tudo isso, outras ruim. Mas assim somos nós.

Que bom que vc veio pro blogspot, assim é mais fácil de comentar. Bem-vinda!
Finito disse…
Massa! Muito massa!
Bem vinda ao blogspot... blogspot é mara!

Ahhh, e respondendo sua pergunta: na verdade, aquela idéia esdrúxula veio à tona quando fechei meu olho pra dormir... e fiquei planejando-a a noite inteira.

É por isso que vivo com olheiras.
Alyne disse…
Eu já tentei comentar mas acho que não deu certo. Mas como eu ia falando, vc nem avisa do Blog novo menina.
Quanto ao texto, acho que entendo bem do que vc tah falando.
beijo
Katya disse…
consegui consegui, aff, foi mal, mandei pelo kukut o outro...

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