Vontade de não ser (ou desejos de egocentrismo)

"O homem está condenado a ser livre." (Sartre)

Ultimamente, ao contrário de muitos (que vivem sempre no interminável desejo de SER algo), me apeguei na vontade de não ser diversas coisas. Vontade de não ser dependente, por exemplo. Não ter que me prender a coisas vãs, como ligar para pedir dinheiro ou ter que dar satisfação de que horas chegou. Não ter que depender dos outros para tomar uma atitude, pois o que eu acho já bastaria. Não depender de alguém que me diga que sou bonita e valho a pena, porque o simples fato de eu achar isso já satisfaria minhas vontades. Não depender de um emprego que consuma todas as horas inúteis e úteis do meu dia, pois mesmo sem ele eu ia conseguir dar sentido a elas. Não depender de secador, prancha e maquiagem para saber que tenho o poder de ser bonita sim, como quando o sol do entardecer bate em meu rosto, ou quando um fato qualquer me deixa radiante. Não depender de alguém ao meu lado, porque nada do que essa pessoa possa dizer iria abalar o que pensa a pessoa mais importante da minha vida: eu mesma. Não depender de um quarto fechado, sem distrações e em mais absoluto silêncio para executar qualquer tarefa e sim, concentrar-me em qualquer ambiente para provar que sou capaz. Para isso, talvez seja preciso interessar-me mais por mim. Apaixonar-me por mim, prestar mais atenção nos meus desejos, nas minhas opiniões e dar mais importância a elas. É chegada a hora de levar em conta a dose de existencialismo que há em minhas crenças e acreditar que somos frutos de nossas ações, de nossas escolhas. (Lembro-me de uma senhora dizendo que é válido rezar para encontrar um namorado, desde que você saia de casa e esteja aberta a sorrisos). Primeiro nascemos, existimos, para moldar nossas essências e destinos de acordo com o que queremos. E eu quero ser livre.

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