A menina que já fui um dia

Pessoas mais novas me despertam certa curiosidade. Meninas, particularmente. Talvez porque eu tenha a mania de me reconhecer nelas. Faço isso com a minha irmã direto. Mas com ela a genética favorece, admito. De qualquer forma, olhando para elas costumo me deparar com a menina que eu já fui um dia. E vejo que as dúvidas são as mesmas, os problemas de relacionamento são os mesmos, as desavenças familiares são as mesmas, as experiências, inevitavelmente, acabam sendo as mesmas.
A adolescência, enfim, parece ser a mesma, desde que o mundo é mundo. E conhecer uma adolescente de 17 anos, que aliás, hoje faz 18, confirma ainda mais minha hipótese.
Não que sejamos parecidas. Longe disso. Mas há uma roda viva que une todas as mulheres em uma constante. Não dizem que somos particularmente iguais? Pois é.
Essa menina se queixa para mim de coisas pelas quais eu também já me descabelei um dia. A mãe que não a entende, o irmão ríspido, a vontade de sumir pelo mundo, as rixas com as amigas... Tudo isso já permeou minhas reclamações constantes. E, quando me queixava com alguém mais velho, me deparava com um suspiro e um olhar que numa só piscada dizia: Sim, eu sei. Já passei por tudo isso, minha filha e, acredite, vai passar. Você pensa que o mundo vai acabar agora, mas saiba que amanhã você já esqueceu. Um dia você vai ver que o tempo vai deixando os pepinos cada vez maiores e as facas para descascá-los cada vez mais cegas. E você sentirá falta dessa época, em que quase tudo pode se curar com um porre, um beijo ou um balde de pipoca.
Mas você também vê naquela menina um vigor que você já teve e hoje parece ter te abandonado. Uma vontade de viver, uma força tirada sabe-se lá de onde, uma capacidade de não se esquentar com certas coisas, porque elas não precisam ser notadas, se você não quiser. Não é questão de irresponsabilidade, é questão de leveza. E, quem diria, você aprende a ser leve com ela.
Para se lembrar da sua adolescência, basta que uma menina cruze seu caminho. Aí você percebe, com um sorriso no rosto, que tudo tende a ser igual, com algumas poucas diferenças. Porque talvez a vida esteja perdida como que em infatigáveis espelhos, como diria Borges. E se aquela adolescente se espelha em você, ou você nela, não é por acaso.
O que você deseja para ela, enfim, é que cometa erros, sim. Nada de muito anormal, mas o suficiente para se aprender que a volta por cima é melhor que qualquer coisa. E que ela se divirta, mais do que você o fez na sua própria adolescência. Porque hoje em dia a gente sente a velhice chegando aos 23. E o tempo passa naquele piscar de olhos conhecidos já, que junto com a maturidade traz consigo uma pontinha de arrependimento.
Aniversários são bons momentos para balanços, mas não aos 18 anos. Talvez justamente por isso você diga que não goste de aniversários ou talvez seja pelas festinhas compartilhadas na infância com o irmão mais velho (pausa para reflexão: será que eu traumatizei para sempre meu irmão porque minha mãe fez uma festa comum para nós dois e, além de ser no dia do meu aniversário – um mês depois do dele – a decoração era inteira da Xuxa?). Talvez você esteja certa. Aos 18, completar anos não precisa ser uma grande coisa. Esse é o momento em que se pode apenas reunir os amigos, receber poemas e notar que há um monte de gente torcendo. Eu sou uma delas.
Parabéns, Tarini.

7 comentários:

{ Tiozaum } at: 5 de março de 2009 05:40 disse...

Eu tb me sinto assim algumas vezes conversando com amigos mais novos.
É duro saber q estou ficando velho :P

Parabéns Tarini!

{ Michele Matos } at: 5 de março de 2009 06:16 disse...

Ai que lindo!
Eu ainda sou tão imatura, mas sair da faculdade só não é mais assustador que ter que decidir que faculdade fazer.
Parabéns Tarini! Você inspira blogueiras, faz a gente rir e nunca deixa o silêncio dominar um ambiente.
bju tati!

{ Neto } at: 6 de março de 2009 05:29 disse...

parabeens pra tua irma...

bom eu nao me vejo mto no meu irmao, acho ele uma versão melhorada de mim, hehehe, mas eu gosto das nossas diferencas

mas tem uma coisa: um porre, um beijo ou um balde de pipoca ainda, na minha opiniao, curam qq coisa e vao curar pra sempre =D

{ Graci Polak } at: 6 de março de 2009 08:22 disse...

Eu posso até ficar sem comentar por uns tempos, mas sempre leio seus textos e gosto muito, Tati. Esse, particularmente, é fantástico. Me identifiquei em cada frase. =)

Mtomtomto bom!

Bjooo!

{ Tarini } at: 6 de março de 2009 15:24 disse...

Nossaaa num tenho nem o q falar...
Ate parec uma menininha q eu conheço...
Sera q me identifiquei?
=D
Mto lindo Tati...
Amei, amei, amei...nossa como amei...
Vc só me faz chorar...
Mto obrigado!!
Td d bom p/ vc...
Amo mto!!

Texto MARAVILHOSOO
Sua fã numero 1
=*

{ Scheyla Joanne Horst } at: 10 de março de 2009 15:29 disse...

Que bonita essa homenagem ;)

{ Pollyana } at: 10 de março de 2009 17:11 disse...

eu adorei!
de alguma forma a gente sempre acaba se indentificando e a Tarini despensa comentários, mas merece muito essa homenagem.
cuidem dela em guarapuava :D

 

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