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Pêndulo

Demorei, vejo hoje, a aprender diversas coisas
Tardei a pegar um carro, adiei por anos o curso de inglês
E essas coisas agora me faltam
Por medo, falta de dinheiro ou de coragem
Deixei planos para trás, professores sozinhos nas salas
Ficou para um dia, quem sabe

Cedo demais, contudo, fiz outra tantas
Terminei graduações com avidez, estudei e li demais
(o que não quer dizer que aprendi o bastante)
Hoje é difícil para assimilar novas coisas
É penoso também dar cabo em projetos
Porque, ao meu ver, começar algo torna-se complexo

Não é mais tão fácil como antes parecia ser
Aprender um idioma, ler um livro, terminar um bordado
Tudo isso me cansa só de pensar
E, assim, até pequenas coisas viram passíveis de desistência
Vejo-me, paralisada, entre a procrastinação e a pressa
Uma se move lentamente, deixando para depois
A outra avança, na ânsia de abandonar os inícios

Percebo que em algum ponto as duas se encontram
No irrepreensível desejo de terminar
Na fatalidade de deixar as coisas para trás
O ponto em que elas terminam sou eu
Que me movo, a passos lentos
Contra a onda e a favor do vento
Cambaleando entre duas forças contrárias

Comentários

Nandu disse…
Para de pensar o que eu penso;
cansados de correr na direção contrária...
Neto disse…
gostei mto do texto, mas no fim tudo tem um porque ;)
e a vida continua boa e ruim como sempre é
A.V. disse…
Ás vezes, quando eu "leio você", fico pensando se o texto está falando de mim ou de quem escreveu... eu me identifico com muito, seja na forma ou na essência...
Beijinho grande.
Graci Polak disse…
nem sempre há coragem para terminar seu bordado, meu tricô

=)
Renata Caleffi disse…
se conseguir fosse tão facil quanto desistir acho que tudo seria um tanto quanto mais fácil, principalmeente a parte do tricô e do inglês.
seria isso uma espécie de sentimento dicotômico?
eita, adiar curso de inglês eu continuo fazendo, e é caro sim, não é só falta de coragem, hehe. :)
Finito Carneiro disse…
Sabe o que significa "resiliência"? É um termo da física, ao se referir ao fato de se renovar à natureza. Essa palavra foi adaptada para o dia-a-dia e se refere ao fato de que o ser humano tem a facilidade - ou a chance - de se levantar quando cai.

"O covarde nunca começa,
o fracassado nunca termina
e o vitorioso nunca desiste".

É isso aí, mocinha... vamos lá! Resiliência é a palavra chave.
Michele Matos disse…
Deve ser a ansiedade que não nos deixa chegar ao fim dos projetos...
belo texto tatiii!!
bjaaao
va_nessals disse…
Nossa Tati, eu tb to assim... Nem sei qto tempo faz que não leio um livro inteiro! Começo e paro! Bom era o tempo que o único compromisso era ir para a escola...
:)
Vanessa.

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