Sunday’s sunset

Há diferentes tipos de saudade. Todas costumam doer. Principalmente aquelas nas quais se sabem as ausências inevitáveis. Pessoas que morreram, amigos além mar, amores que vão e não deixam a promessa de voltar.
A saudade que me dói, particularmente hoje, é de alguém que surgiu rápido e cuja existência foi intensa. Alguém de quem eu senti falta após a curta temporada de presença constante. Porém, quando voltou do período distante, não veio o mesmo do que quando partira.
Fomos, aos poucos, nos afastando. Primeiro devagar, mas depois, com o tempo, os abismos foram ficando mais profundos. A distância entre uma rocha e outra passou a ser tão grande, que fomos nos cansando de tentar alcançar o outro lado.
Nisso tudo, o que me dói é a vontade que me dá, constantemente, de ter ao meu lado um alguém que se esforça para ficar tão distante. E me dói ainda não saber sequer o porquê desse desejo.
Nas tardes ociosas de domingo, lembro de um tempo de convivência diária, que embora me pareça tão antigo, faz doer por ser tão recente e tão diferente do agora. Um tempo em que não era preciso desejar muito estar perto, porque isso era inevitável. Nesse tempo estivemos próximos, amigos, e me agradava estar assim.
Eu realmente não sei o que lhe cansou ou o que lhe causou repentino estranhamento. Repetidas vezes, como agora, baixei o volume da televisão e quebrei a cabeça, em vão, na tentativa de buscar respostas.
Por fim, vejo que cansei de sentir essa tristeza pegajosa, que já ardeu, machucou e hoje apenas incomoda. Mas o que mais me intriga é saber que sua falta faz mais sentido para mim e que para ele minha ausência não só passa despercebida como se faz necessária.
Repasso na cabeça todos os acontecimentos que antecederam sua barreira de gelo e descubro, esgotada, que não há nada que justifique sua escolha.
Concluo, enfim, que tudo – a amizade, a convivência, o sentimento bom – não passou de um pôr-do-sol, que veio e, por alguns momentos, encantou os olhos e preencheu a alma. Depois simplesmente foi embora, anoitecendo o dia. Como tinha de ser.

A saudade, amigo, é o que o desencontro deixa de lembrança nessa vida estranha que a gente leva.

9 comentários:

{ Diangela } at: 1 de março de 2009 16:00 disse...

Amiga, depois desse post senti necessidade (e saudade) de conversar contigo. A última frase foi ótima.. espero que, apesar de tudo, vc esteje bem. Te adoro. Bye.

{ Paulinha Fernandes } at: 1 de março de 2009 16:08 disse...

Tatiii... eu me identifico muito mesmo com os seus textos, com a tua sensibilidade. Mas não fique triste não; eu não sou uma pessoa triste. Sou melancólica, saudosista e idealizo demais. Mas, do meu jeitinho, gosto de ser assim.
E sobre o seu texto, amei. Impossível o contrário.
Beijoo
Ah!
Como vc poe música no blog??

{ Neto } at: 1 de março de 2009 16:09 disse...

saudade é uma coisa mto ruim, mas sempre há oportunidades de matá-la e fazer isso é sempre bom ^^

Sentiu a ênfase dos SEMPRE né ;)
sempre...

{ Alyne } at: 1 de março de 2009 17:02 disse...

Caramba Tati!!!!!!!!!!
Lindo e intenso!

{ Michele Matos } at: 1 de março de 2009 17:48 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
{ Michele Matos } at: 1 de março de 2009 17:48 disse...

Me bateu uma saudade...da vpo, da mãe, do pai...
que saudade de vc tati...vamo no cinema?

{ Michele Matos } at: 1 de março de 2009 17:49 disse...

da vó*

{ CINTIABLICIDADE } at: 4 de março de 2009 05:01 disse...

é a saudade que mais doi mesmo é essa que não se pode matar!!!

{ Estrela do Mar } at: 4 de março de 2009 15:19 disse...

A saudade é um rato que rói rói e dói, dói.

 

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