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Mostrando postagens de Maio, 2009

Três fatos

Hoje me ocorreram três fatos que, isoladamente, talvez não valham um devaneio antes de pegar no sono. Juntos eles me renderam certas divagações. Mas não quero atribuir-lhes sentido de começo, meio e fim. Não acredito no misticismo do número 3 nem acho que um acontecimento a mais quebraria a corrente. A descrição não segue a ordem cronológica, da mesma maneira como eu os percebi e os retomo agora, final da noite.

No início da noite, encontrei um velho amigo no supermercado. Em seis anos de amizade, sou capaz de bater os olhos nele e perceber que algo lhe aflige. Hoje foi exatamente assim. O sorriso franco do dia-a-dia dava lugar a uma expressão cansada de quem tudo já viveu e com pouco se contentou. Conversamos por um tempo e ele resumiu as dores na vontade de que algo bom lhe caísse dos céus.
Disse a ele que tudo ia passar. Olhei ao nosso redor tentando encontrar mais um argumento para mostrar-lhe que a vida tinha um quê de belo. Vi as pessoas encasacadas, comprando seus pães e leites …

Histórias

Quando me perguntam por que quis ser jornalista, sempre respondo que me fascina contar histórias. Por que não foi ser escritora, então? Falta-me talento.
O fato é que, desde criança, as histórias sempre me rondaram. Não sei quem me ensinou a gostar delas. Dizem que as crianças leem quando são estimuladas e, claro, quando o exemplo vem de casa. O mais perto que tive de “uma casa de leitores” foi a livraria que meu pai abriu quando eu tinha uns dois anos. Mas, em uma cidade pequena, os livros não dão lucros. Constatado isso, meu pai, um mestre no mercado, transformou o local em uma livraria/loja de bugigangas e mais tarde em uma livraria/loja de bugigangas/mercearia. Meu irmão, com sete anos, era obrigado a vender alfaces, chuchus e outras leguminosas em frente do estabelecimento. Ele, que não herdou o tino comercial do meu pai, (como nenhum dos três filhos) vendia tudo a preço de banana e saía correndo brincar.
Não tenho lembranças dessa época, mas ganhei de herança da livraria (fech…

Comadre

Há um dia em que os sinais aparecem. Como um alerta. Pisca uma luzinha vermelha como se algo estivesse prestes a explodir na sua cabeça caso você não note o aviso. Um desses sinais me diz que estou envelhecendo.
Não há rugas, não tenho doenças que surgem com a velhice. Tenho apenas a incrível sensação de estar passando. Não há mais pique para fazer festa três dias seguidos. Algumas brincadeirinhas tornam-se inoportunas. Pago as próprias contas e pedir dinheiro em casa nem me passa pela cabeça, de tão ridículo. Venho me tornando amiga de pessoas mais velhas, casais, gente estável. Os papos são outros. As prioridades são outras.
Tudo isso são apenas pequenos sinais, melhores notados depois que um pisca-alerta mor me surgiu nas últimas semanas. Uma das minhas melhores amigas anunciou que vai casar. De repente, os amigos não mais ficam e namoram. Não se queixam de briguinhas, não estão à caça de alguém. Eles estão colocando alianças douradas nos dedos, planejando uma vida em comum e escolh…

Tal pai, tal filha

Sempre culpei meu péssimo senso de direção ao meu cérebro feminino. Depois, passei a colocar também meu destrambelhamento na jogada. Já me perdi inúmeras vezes, não só dentro de uma cidade, mas também (pasme) dentro de uma casa. Não sei ler mapas, não consigo seguir coordenadas e nem fornecer informações a motoristas perdidos.
- Moça, você pode me dar uma informa...
- Não sou daqui – digo sempre, mesmo que esteja na esquina do meu prédio.
Ontem descobri que meu problema em me situar e me deslocar é puramente genético.
Quatro dias antes do feriado, meu pai me avisou de que não era preciso comprar passagem para viajar até o reduto da família. Como ele estaria viajando e justamente um dia antes do feriado passaria pela cidade onde moro, poderia me dar uma carona. “Assim, você se safa de gastar com a passagem e de perder o ônibus”, falou, em tom de brincadeira. But, como a Lei de Murphy rege a minha vida, isso não é, absolutamente, garantia de uma viagem tranquila.
Dirigir na cidade onde moro …