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Mostrando postagens de Julho, 2009

Cidade, minha cidade qualquer

Hoje faz frio e chove, como é comum nessa cidade fria e chuvosa. Mas há dias em que faz sol e é nesses dias que eu posso andar menos encolhida. Dia desses eu corria, e não andava, atrasada para um compromisso, sob o sol escaldante do meio-dia. No asfalto sob meus pés, um caminho que eu traçava diariamente há dois anos. Nas proximidades das ruas e calçadas havia meu antigo trabalho. Desde que pedi demissão, nunca mais tinha voltado a pé àquele lugar, uma região meio inóspita da cidade.
Naquele tempo eu me sentia meio sozinha, com a pesada sensação de estar contrariando uma lógica inevitável: ir embora da cidade que me deu de presente o diploma. Eu deveria ter ido embora, mas continuava ali, nadando contra a maré da indiferença.
E quando revisitei o lugar que foi palco do peso dos meus passos e da minha cabeça martelando com meus medos e sonhos, era como se eu tivesse voltando a toda essa gama de marasmo e, talvez, de indiferentismo.
A certa altura, na rua deserta ouvi um barulho além dos …

Sem digitais

Digamos que meu processo de habilitação no Detran se encontra na metade. Já comprovei a residência, já tirei a foto, já fiz o psicotécnico, aguentei 45 tortuosas horas de aulas teóricas (nas quais meu estado de espírito alternava entre a vontade de tomar cicuta e a ideia de quebrar o vidro e pular janela afora) e, finalmente, marquei meu teste teórico.
Como a primeira data disponível era uns 20 dias depois do fim das aulas e como no simulado eu fui, digamos assim, meio abaixo das expectativas, decidi dar uma revisada antes. Tá, eu estudei. Meu irmão diz que é feio dizer que estudou para a prova do Detran. Mas eu li a apostila e fiz até um resuminho, que li no ônibus, no caminho até a prova. (Papai ficaria orgulhoso).
Passei por cima das placas (passei o olhar em cima do conteúdo, não me joguei por cima das placas literalmente. Não quero ser reprovada antes de pegar o carro de aprendizagem!), porque confio na minha capacidade de percepção simbólica. Também passei reto a mecânica básica, …

Hermenegilda

Entre as muitas coisas que me acompanham desde que me entendo por gente, uma é Hermenegilda. Não sei ao certo por que ela surgiu, mas segundo a lenda familiar foi quando eu tinha uns dois anos. Minha mãe conta que eu ia participar de um concurso de Boneca Viva (uma espécie de competição de miss infantil) e minha madrinha resolveu me fazer uma pintinha na bochecha com lápis de olho. O local inflamou depois disso e nasceu uma ferida.
A tal me acompanha desde então e aparece periodicamente, em intervalos de seis meses, aproximadamente. Bem criança minha mãe achava que era mordida de aranha e mandou detetizar a casa. Só adolescente fui descobrir que se tratava de uma herpes. “Mas herpes na bochecha?”, todos me perguntam. Realmente, não deveria existir. Contudo ela está lá, coçando, despontando e inchando minha bochecha de tempos em tempos.
Um dia resolvi dar-lhe o nome de Hermenegilda, porque, como ela fazia parte de mim, deveria ter um nome. Hermenegilda gosta de viajar e quase sempre apar…