Expectadora do Teatro

Ansiosa,cheguei cedo. Gosto de ir em shows porque a mágica da música sendo executada me fascina. Gosto ainda mais porque me sinto expectadora de um espetáculo sendo concebido diante de mim, uma privilegiada, bem como aqueles ao redor de mim.

Dessa vez, entretanto, a mágica estava toda ali, bem maior que minha concepção de show. A mágica estava no nome, nas danças, nos gestos, nas rimas, no fogo, nas acrobacias. Magicamente, tudo se orquestrou, tudo se encadeou como se fosse necessário acontecer daquele jeito, ato após ato.

Não é necessário ter tanto conhecimento prévio de O Teatro Mágico para gostar do show. Bem, pelo menos foi isso que eu vi quando olhava para trás e me deparava com olhos brilhantes, tentando encontrar uma lógica para que aquilo pudesse despertar tal nível de fascínio.

Como disse uma das amigas que encontrei no final, um encontro de gente sensível. Ou, como anunciou o próprio Fernando Anitelli, gente rara. O Entrada para Raros era o primeiro disco, mas o segundo, O Segundo Ato, me trouxe um misto de cor, som, poesia e arte que foi impossível escapar dele.

Assim como foi difícil não se derreter ao ouvir a prece musicada de todo esse projeto musical. Ouvir a prosa presa à poesia, a reunião de mosaicos, trazidos de lugares distantes, mas que você, mesmo sem nunca ter visto antes, sabe que tem um significado forte e um tanto sensível.

A cantiga do peixe que eu cantei na infância cantei de novo. Ela saiu fácil, porque dessas coisas a gente não esquece. Meus olhos fitavam sem descanso a dança da menina e do menino que bailavam, sincronizados, coreografados, perfeitos, nas tiras de pano e no balanço da acrobacia. Eu ali parecia mesmo retomar o olhar da garota que fui um dia, que sentia medo pelos outros praticarem números arriscados. Nesse belo show me senti a criança que assiste ao espetáculo do circo. Que se emociona com a poesia, que canta os versos como se fosse uma oração. Os olhos nos quais estava refletido o fogo cuspido no palco se fecharam em certos momentos, mas logo depois se abriam para não perder um minuto daquilo tudo.

Há dois anos uma amiga me fez conhecê-los, dizendo que ao se despedir (de mim e de outros) sobraria tanta falta. Sobrou a falta dela, justamente por isso, no show, assim como da própria música. Mas a minha preferida foi cantada no final, quando a plateia sentia o desconforto diante do que está chegando ao fim. Nesse momento Fernando cantou o prato do dia, deixando o meu próprio dia, minha noite, o show estudpendo mais feliz.

Mostrando que seu projeto não é feito só de música, interpretação e lucro, mas se sustenta em convicções, em vontade de fazer diferente, democratizando e sensibilizando. Até pilares familiares tem. A vontade e a arte desse artista Fernando Anitelli foram os grandes diferenciais desse show e da minha imagem do Teatro daqui para frente..

E ao encontrar meu mais novo ídolo, não tive tempo de mais nada a não ser abraçá-lo e posar para a foto, entre cotovelos e gritos de gente que queria o mesmo.

Não tive tempo de dizer tudo isso a ele. Não tive tempo de agradecer pelo espetáculo. Pena.



Teatro Magico - Pena

8 comentários:

{ Michele Matos } at: 5 de julho de 2009 20:27 disse...

Eu ficava observando o fascínio das pessoas tbem e pensava: isso é tudo que Guarapuava precisa!
Foi uma das coisas mais lindas que já vi na vida...Não sei quais foram as outras coisas lindas que vi...
bju tatica...
Muito bom!

{ Diangela } at: 6 de julho de 2009 05:15 disse...

Pô, Tati!!!!
Vai se ferrar com esse texto, agora fiquei inconsolavelmente arrependida de não ter ido ;/ Mas fica pra setembro então? haha ;~~

{ Não Enviadas } at: 6 de julho de 2009 05:34 disse...

Eu ainda estou de cara porque não fui. Eles são demais... curto há quase 3 anos.
Sinto inveja de você...
;)

Bjos

{ Juliana Cruz } at: 6 de julho de 2009 07:59 disse...

so gosto de teatro magico qdo vejo o show. nao acho as musicas legais pra se ouvir em casa ou no mp3...sei la.são cançoes muito visuais. pra ser sincera, nao tenho mais pique de encarar as filas, mas as apresentqações são super fofas mesmo.

{ Neto } at: 6 de julho de 2009 15:23 disse...

eu ainda nao os conheco, nao ouvi musicas, mas fiquei com vontade d ir no show pelo seu texto ;)

Klaus at: 6 de julho de 2009 18:21 disse...

Também não conhecia esse famoso teatro. Mas foi a magia do prato do dia deste blog mágico que acrescentou mais essa poesia à minha companhia! Bom, fazer rimas é com eles, mas tentei fazer como arroz e feijão: uma combinação, mesmo que não tão perfeita...

{ Paulinha Fernandes } at: 7 de julho de 2009 07:19 disse...

Tati, faz mais ou menos um mês que fui 'apresentada' a eles, e aaaamo! e em setembro to aih, pra assistir. e pra ver o lançamento do livro do rogerio, meu amigo!
;)
feliz!

{ Dai } at: 28 de julho de 2009 19:54 disse...

O dia q vc lançar o seu livro serei a primeira a comprar...

Vc escreve perfeitamente bem, com emoção...lindo demais ler tudo q vc escreve...

Vidas transcritas

 

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