Dez

É o número que dá início a contagens regressivas. O primeiro que a gente grita no Ano Novo. É o tanto de dedos que a gente tem na mão. Mas só um deles, o indicador, eu uso para contar no calendário quantos dias faltam. Dez. As coisas que a mocinha detesta naquele cara, aquele que já morreu, no filme. Os negrinhos daquele livro, da Agatha Christie. Aquele que eu nunca li. As teclas do telefone, sem contar a estrelinha e o jogo da velha. Dez são os botões de números, que, teclados na ordem certa, transportam-me para a conversa de todo o dia. A conversa dá saudade. São dez os risquinhos, no relógio, entre um número e outro. O ponteiro tem passeado por eles devagar, o desgraçado. Dez mandamentos. Demorei um tanto para decorá-los. O número do mês do meu aniversário. Dez unhas, as do pé, para cortar. O total de letras do meu sobrenome gigante. A nota que a gente quer tirar, isso se o sistema não for sacana e considerar o máximo cem e não dez. Aí dez vira um. Mesmo sem a vírgula no meio, meu amigo, dez vira um. O número de linhas de cada número da tabuada para decorar na 3ª série. O total de minutos a mais de sono em cada apertada de soneca no celular. Dez era o tanto de aniversários que eu tinha quando a gente se mudou e quando a gente ganhou os cachorros. Dez era o número de vagas da casa de praia das últimas férias, mas a gente apertou e entraram onze. Se eu fosse paciente, dez eram os anos em que eu ia demorar para concluir as graduações e a pós, com um espaço de folga, porque ninguém é de ferro. Mas como eu queria ser de aço, decidi terminar tudo em metade disso. E hoje me sinto como se tivesse dez anos a mais. Um décimo, uma década, decágono. Pensei no dez porque faltam dez dias para te rever. Mas pensei tanto que já é dia dez. E agora só faltam nove. Ainda bem.

12 comentários:

{ Klaus } at: 9 de setembro de 2009 21:02 disse...

Como sou o primeiro, me dou ao direito: dez dedinhos (não os do Lula) espalmados com um sorriso orgulhoso, em segundo plano, ao fundo, indicam a nota desse belíssimo texto! Incrível, mas você se supera, Tati! (ah, a do relógio eu nunca imaginei e do celular sequer reparei. Informativo ainda, ora, pois!) E romântico, claro! Parabéns! Beijos!

{ Paulinha Fernandes } at: 10 de setembro de 2009 04:13 disse...

Tati, juro que esse texto me lembrou o Mourão e a paranóia dele com os 'onzes'. rsrsrs
E concordo com o Klaus, mto bonito o texto. Ainda bem!
=)

{ Mauricio Toczek } at: 10 de setembro de 2009 07:05 disse...

Dez anos que moro em Guarapuava, dez anos que decidi começar a me tornar adulto, e acho que não consegui fazer isso ainda. Vou ser criança para sempre.

Belo texto.

{ Regina } at: 10 de setembro de 2009 07:15 disse...

Muito bom, Tati!! Parabéns!!!
Meu número é o 7...

{ Juliana Cruz } at: 10 de setembro de 2009 11:59 disse...

há tempos nao lia nada assim. uau.

João at: 10 de setembro de 2009 18:18 disse...

Passado o 09/09/09, sobram apenas 9!
:D

{ Diangela } at: 11 de setembro de 2009 04:38 disse...

Agora você tem que escrever um texto sobre o "noves fora zero", né?! hehe e eu outro sobre os três (dias que faltam pra gente matar a saudade)...
bjs, amiga, boa sexta!

{ Michele Matos } at: 11 de setembro de 2009 10:07 disse...

Bravo! Bravo!
O que eu posso dizer?
Nota 10 pra você!
=**

{ Marcela Paiva } at: 11 de setembro de 2009 10:13 disse...

Não sei se é um texto romântico ou miguxo, mas ficou bonito.

{ Finito Carneiro } at: 11 de setembro de 2009 16:52 disse...

Se superou! Muito bom!

{ Klaus } at: 13 de setembro de 2009 00:58 disse...

Droga, "perdi de ser" o 10o comentário! Jamais me perdoarei!!!hahaha Agora já são 11. Ainda bem.

{ Scheyla Joanne Horst } at: 14 de setembro de 2009 10:16 disse...

Números, números, números. O que é, o que são, o que dizem sobre você?

 

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