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Mostrando postagens de Junho, 2009

He's back

Quatro dias ou quase isso. A partir da constatação, seguiu o choque, a tristeza, a sensação de incapacidade. Depois veio a hora de contar para todo mundo. Perdi o gato. O psicopata? Esse. Aí já estava me conformando que o havia perdido, quando a menina da casa ao lado (e dois andares abaixo) disse que ele estava escondido embaixo da residência, acuado pelos três cachorros que latiam sem parar.
Como assim? Tão perto, o tempo todo? Demorei para encontrar os moradores em casa e acabei conseguindo a ajuda de dois bombeiros (meus colegas de trabalho) que se prontificaram à tarefa do resgate. Rodamos a casa, gritamos, ajoelhamos na terra para encontrar o bichano. E ele veio. Magro que era uma tripa, sujo, assustado.
E lá se foi a saga de contar para todo mundo. Achei o gato. E ouvir: eu não disse que ele voltava? Sim, devia ter acreditado. Cheirou o território e depois de um tempo recuperou a pose de rei do pedaço. Tentou abrir a porta do meu quarto e mesmo debilitado conseguiu. Dormiu nas mi…

Outro porto

Eu poderia escrever sobre a sensação que tenho em ser uma menina do interior no meio de um monte de gente da cidade grande (mais ou menos o que senti quando o blog dos 30 começou a ser alimentado). Poderia, quem sabe, falar sobre as primeiras aulas da autoescola, dos dias cinzentos que tem feito em uma das cidades mais frias do Paraná. Mas o que me aconteceu ontem foi maior que isso e me deixou uma nódoa grande no peito. Daquelas que te fazem ter vontade de chorar, mas maior que essa vontade é o sentimento de que não há nada que se possa fazer. Aí a sensação de impotência dá lugar a uma falta de... uma falta dele.

Sobre o meu texto (o primeiro!) que publiquei no Blog das 30 pessoas.

Papai Noel veio em junho

Junto com as festas juninas, fogueiras de São João, época de muito quentão e amendoim, eis que recebo um presente de Papai Noel.
É claro que me refiro ao meu pai. Contra tudo o que eu penso de gente que recebe a vida de mão beijada dos pais, eu vivo recebendo presentes do meu. Nas horas mais inusitadas, coisas das quais às vezes eu nem preciso. Quando eu era criança, ele viajava para o Paraguai três vezes por semana e, a cada viagem, eu recebia um pacote. Sempre uma coisa inédita, algo que ele não colocava nas prateleiras que tínhamos na cozinha de casa. Algumas vezes ele vendia umas coisas do meu quarto, como a minha guitarra rosa.
Eu adorava aquela guitarra. Era cor de rosa, a cor da Xuxa, tinha botões coloridos e eu, sem nenhum talento musical, conseguia tocar todas as canções populares nela.
Um dia, a mulher de um médico chegou e pediu um presente para a afilhada. Meu pai mostrou uma guitarra igual a minha, mas branca.
- Ah, eu gostei, é um belo presente, mas a menina só gosta de coi…

Despertador

E na mudez da palavra amor tantas vezes dita...

Acordei com esse verso na cabeça. Tem gente que acorda com músicas, palavras, sonhos martelando na caixa craniana. Eu desperto com poemas. As palavras vieram com o abrir dos olhos, com com seu gosto, com sua pele bem próxima e a vontade de que aquele momento se tornasse constante, sem a parte chata da constância.

Escovei o cabelo, os dentes, troquei de roupa e a frase ressoava dentro de mim, como se fosse urgente ser antecedida ou continuada.

Caminhei pelas ruas ao seu lado. Pelas calçadas tentei lembrar de onde teria surgido o verso. O verso de nove palavras, iniciado por uma conjunção que indicava ter antecedentes. Como tínhamos, eu e você.

Não sei se fui eu ou você quem decretou que eu deveria pesquisar se o verso já existia e, caso contrário, deveria escrever eu mesma um poema onde essas palavras se encaixassem.

Duvidei que meu inconsciente fosse poeta e tivesse deixado escapar uma frase tão cadenciada para essa cabecinha tão cheia de pro…