125x125 Ads

Turbulência emocional

13 comentários

A semana nem acabou e eu já vivi aquelas gangorras emocionais que toda mulher louca transtornada e de hormônios à flor da pele conhece. Já fiquei muito triste, de não consegui esconder. Fechei a cara e questionei os sonhos, que viraram pó. Achei uma solução, quebrei a cabeça, desenhei esquemas. Me vi livre. Entreguei os betes, senti saudade, quis que uma catapulta me arremessasse para bem longe. Fiquei feliz, acordei não me cabendo em mim. Recebi notícias como quem recebe um presente de rei mago. Aí voltei, voltei a mim, voltei às páginas, desejei uma terapeuta, um banho de sais. Desejei você aqui. Senti cansaço, de quase fechar o olho. Tive de escrever, mesmo sem saber a mensagem. Soube a mensagem, mas não pude escrever, nem falar. Pedi uma trégua, mas tive de continuar, para terminar. Porque assim, desse jeito me veria livre. E a possibilidade de ter de novo a responsabilidade nas mãos fez os sonhos se esfacelarem entre os dedos. Tive ciúmes, senti o rosto arder, só de imaginar. Não tive forças para nada, engoli a comida. Acordei com o olho inchado, não senti fome. Deixei o impulso me levar, acabei com quatro passagens na mão. Duas de ida, duas de volta. Trocaria todas elas por um bilhete só de ida para qualquer lugar, lugar nenhum.


Mais informações »

O porquê

14 comentários
A gente vive querendo mudar de emprego
Muda. Aí acha triste não ter um amor
E quando tem, arruma mais motivo para ser descontente

A gente vive sem dinheiro, mesmo quando ganha aumento
Se atola em dívidas e quer mais
E nem se lembra de quando vivia com pouco

A gente vê um velho amigo na rua
Ele passa e nem te acena a mão
E você diz para si mesmo que ele deve ter se distraído

A gente entra numa loja mais chique que de costume
Olha a cara de desdém da vendedora
E ainda se arrepende de ter entrado

A gente quer emagrecer para conquistar alguém
Fica brava quando o ponteiro não abaixa
E acha que é isso o que importa

A gente toma antibiótico por qualquer coisa
O corpo fica resistente
E decide ir na farmácia comprar um mais forte

A gente trabalha mais do que deveria
E bem mais pelo que ganha
E no fim acha que está devendo favor

A gente vive o inverno todo resfriado
Come mal e dorme pouco
E pensa que assim está aproveitando a vida

A gente ouve as perguntas das crianças
E responde qualquer bobagem, porque estamos ocupados
E nem sabe que, para elas, isso importa

A gente ganha folga
E o tempo escapa antes que você resolva tudo
E lembra de repente do poema
Porque rápido e rápido são seis horas, sexta-feira e o Natal

Eu ainda quero entender o porquê disso tudo.

* O poema a que me refiro é o do Quintana, “Seiscentos e sessenta e seis”.
* Qualquer semelhança com Marina Colasanti e o seu “A gente se acostuma” não é mera coincidência.
Mais informações »
 

Copyright © 2010 • ::: salto baixo • Design by Dzignine