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Mostrando postagens de 2010

De todos, Marcelo

Ele só tem um olho, o outro foi perdido. O braço direito está por um fio, a boca, quando aberta, deixa aparecer a marca de uma canetinha vermelha. Um dos braços tem uma espécie de plástico por dentro, o outro não – motivo de um mistério insondável, descoberto só muitos anos mais tarde. Ao fundo da boca, uma peça dura, que também sempre fez parte do mistério.
Assim descrevo o meu brinquedo de infância predileto, que me foi dado no meu aniversário de um ano. Mas foi só com uns cinco que o batizei. O cachorrinho de pelúcia passou a ser Marcelo, nome do vizinho da nossa sorveteria, com quem eu brincava todo dia.
Nunca mais ouvi falar do Marcelo, o garoto, que hoje deve ter bem uns 30 anos. O cachorrinho continua lá, na minha ex-cama, posto de destaque frente às dezenas de brinquedos que povoam as prateleiras. Marcelo é bem menos conservado que as bonecas, as barbies, todas bem penteadas e sem um pingo de pó, fruto do trabalho minucioso da minha mãe, que não deixa por nada a gente doar os br…

A chegada

Não foi agradável a viagem. A menos que você considere que desagradável é uma palavra muito forte para definir onze horas de voo dividindo o banco com as pernas dobradas da mulher ao lado, que se esparramou para dormir no colo do marido. A menos que desagradável seja uma palavra muito forte para exprimir a vontade irreprimível de ir ao banheiro e enquanto você espera na fila, uma mineira puxa um papo interminável e no exato momento em que você consegue escapar e anuncia a sua nova amiga de que vai entrar no banheiro, a aeromoça grita: Agora todo mundo sentado que tem turbulência!
Assisti a um filme em italiano, para matar a saudade antecipada da língua que eu me esforcei a aprender nesse meio tempo. E com sorriso disfarçado nos lábios, me dei conta que entendi tudo (salvo uma palavra e outra) como se estivesse assistindo em português. Fora o filme e os minutos dedicados à refeição (se você considerar desagradável uma palavra muito forte para definir uma comida, finja que não leu essa p…

Envelheço na cidade (eterna)

Acho que consigo me lembrar de todos os aniversários que tive, desde os da mais tenra idade, graças às fotos das festas idealizadas pela minha mãe. Do 1º ao 8º ano foram superproduções, com vestidos-bolos, bolos-castelos, decorações dignas de carros alegóricos e um minucioso registro fotográfico. A partir do 9º aniversário minha irmã nasceu e virei gata borralheira.
Mesmo assim nenhum aniversário passou em branco. Sempre tive bolos para cortar, velas para apagar e amigos para receber. Virou uma espécie de ritual não deixar o aniversário ser uma data qualquer. Acho engraçado quando alguém diz que não gosta do seu aniversário. Eu adoro os meus, são como a demarcação, com outra pedra fundamental, de uma fase que começa e, principalmente, do inferno astral que termina. Eu festejo a cada ano meu nascimento, teria por que não festejar?
Este ano envelheci sozinha. Demarquei a chegada dos 25 anos em Roma, a cidade eterna, que não acaba de ter coisas para mostrar. Quando se acredita que toda a …

Sob o azul

Cenário: um campo cheio de olivas de um lado, casas bonitas e bem cuidadas do outro.

Horário: final de uma tarde esplendorosamente azul.

Personagens: eu e o bebê, mas o bebê dormia.

Ato: conduzir o carrinho por uma rua estreita, a última da vila.

Trilha sonora: o som do carrinho no asfalto.

O espetáculo: o sol quase se pondo a Oeste e, ao girar a cabeça perpendicularmente a Leste, encontrar a lua crescente que despontava, tímida, quase transparente no azul. No meio dos dois astros, rastro de nuvens em um céu, repito, esplendoroso. E embaixo eu, movendo a cabeça lentamente de um lado a outro.

Conclusão: um dos meus raros momentos de paz. Uma injeção de ânimo. E saber que não estou sozinha enquanto tenho meus olhos, meus cúmplices.

Na garganta

Foi quando eu tinha uns 12 anos. Estava visitando meus tios no Rio de Janeiro e voltava da casa de um deles perto do meio-dia. Prestes a entrar no prédio da minha outra tia, onde passava a maior parte do tempo, aconteceu. Uma força estranha e invisível me arremessou para trás. Senti uma dor na garganta e quando passei a mão constatei: sangue.
Descobri minutos mais tarde que não era uma força invisível e sim uma linha esticada onde garotos tinham lambuzado de cerol. A mistura de cola e vidro moído me cortou a garganta, mas foi de levinho. Claro que fiquei assustada, mas o que mais me deixou espantada foi a voracidade com que minha tia, quando descobriu, avançou sobre a linha e esbravejou contra os moleques. Ela destruiu todo o trabalho.
Tenho a cicatriz até hoje. Para mostrar àqueles que duvidam quando eu conto a história, mais uma “das que aconteceram comigo”. Anos mais tarde, a garganta quase me matou de novo. Tive uma hemorragia séria depois de uma cirurgia e achei que daquela vez ia …

Prece

Quando eu peço a Ele “livrai-nos do mal”, na oração que gosto de rezar, está incluído no pedido que afaste de mim pessoas que não são do bem. Aquelas que carregam maldade em seu peito, aquelas invejosas, aquelas que não sabem amar. Pessoas doentes, pessoas que fogem, pessoas que imaginam que neste mundo ter a si mesmo é o que basta, que se vendem por pouco, que se deixam dominar por um orgulho cego, que se arrastam pela vida guiadas por sentimentos malévolos. Desse tipo de gente, Deus, eu quero mesmo é distância.

A lua

Se me perguntassem, aos dois anos de idade, qual era meu maior medo, eu responderia: a lua. Foi motivo de muitas gargalhadas do meu pai, que gostava de atiçar meu temor. Ele me punha em frente a uma janela larga, que se estendia por quase toda a sala do nosso apartamento, sem cortinas, e se divertia com minha cara de pânico diante da lua.
Eu não sei explicar por que ela me incomodava. Talvez por ela ser grande, única e majestosa, reinando branca num império negro de servas estrelas. Ela parecia me olhar de um jeito impositivo, desafiando-me a mostrar quem eu era. E aos dois anos acho que eu não tinha muita ideia da minha real identidade. Nem que isso existisse.
Venci, aos poucos, meu medo da lua. Adquiri outras fobias, mais normais, como de répteis ou de altura. A lua voltou a me desafiar quando parti da casa dos meus pais rumo a terras estrangeiras. Quando viajei, digamos assim, ao encontro do meu voo mais alto.
Enquanto eu chorava pela saudade antecipada que já estava sentindo de quem …

Meu

O sonho trago embalado aqui dentro
Por vezes esqueço de o embalar e ele ressurge
Lembra-me de tudo o que quis e que é possível
O sonho é meu, apenas meu de ser, embora haja torcida
Trago apenas a esperança de compartilhá-lo

Hoje, porém, acordei com gosto amargo de sonho distante
De sonho longe, acenando para mim do navio
Quem parte é o sonho e não eu, o que me deixa partida
E mesmo sofrendo não posso deixar de avistá-lo

O sonho que me embala é o sonho que eu embalo
Eu faço o que posso, peço arrego, peço ajuda
Sem esse sonho me sinto perdida, sem vontade alguma
E me desespera essa falta de sonho, essa falta de vida

O sonho que me embala é o sonho que eu embalo
Sozinha.

CUIDADO! Baixe os olhos ao passar por ele (a)

Tem gente que deveria andar com uma placa assim pendurada no pescoço: CUIDADO, baixe os olhos quando passar por mim. Tenho um(a) namorado(a) demente. Nem todos os “privilegiados” têm essa feliz ideia. É aí que surgem os barracos astronômicos, na imensa maioria das vezes sem razão de ser. Quem passa por ridículo... bem, não é difícil de imaginar, né?
O primeiro sintoma do possessivo doente é venerar seu objet... digo, seu(a) namorado(a). Considera-o mais amado e idolatrado do universo, save salve. Sendo assim, é claro que todas as fêmeas de um raio de 100km, quiçá do universo inteiro (não esqueçamos das facilidades virtuais), não fazem outra coisa na vida a não ser desejar seu macho. E, em sua doente fantasia, não excluem da lista nem a mãe dele e nem a cadela de estimação.
Parece exagero, mas não é. Já ouvi casos de namoradas que armam pitis absurdos porque o rapaz deu ração para o cachorro antes de telefonar para a amada passando o relatório diário. Casos de namorados que jogam o parce…

O destino de Cauã

Na rodoviária, esperava o lanche absorta em pensamentos, quando os devaneios foram interrompidos por uma vozinha de criança.- Tia, meu cabelo está bonito?Não pude deixar de rir. Um garoto lindo, como aqueles de comercial. Os olhos azuis, bem azuis. As bochechas rosadas e um sorriso capaz de abalar qualquer ranzinza. Disse que sim, estava bonito, mas ele retrucou dizendo que não, estava feio.O pai riu e me falou que não deu tempo de cortar o cabelo do filho antes de viajar. “Aproveitei meu único dia de folga para fazer isso, mas o lugar estava fechado. Vai chegar ao Paraná cabeludo, não tem outro jeito”. Reparei nas malas, pouca coisa. -Vão passar pouco tempo lá?Então ele me contou a história toda. O senhor O.J., como o chamarei aqui, separou da mulher poucos meses antes de Cauã nascer. A mãe ficou com a criança, mas quando tinha 1 ano e 6 meses, Cauã foi encontrado pelo pai cheio de hematomas e uma infecção no ouvido. Levou-o embora para São Paulo. Lá não recebeu ajuda de ninguém. “Ne…

Lagarta

Sabe quando eu te pergunto se a vontade de largar tudo passou e sabe quando você me responde que não, sabe que isso me conforta? Ontem eu vim aqui e conversamos só um pouco, mas o suficiente para te ver feliz. E isso também me conforta.
Eu estou um pouco mais retraída, mas isso não tem a ver com ciúme. Ou brabeza. É só um tempo que eu preciso para parar, entender e absorver. Faz parte do meu aprendizado olhar alguém como você e ver que tudo dá certo. Que gente inconformada também tem manhãs de sol, planos para um futuro próximo e uma sorte que transforma poça de água em chafariz.
Eu queria te acrescentar o tanto que você me acrescenta, eu queria te chacoalhar como a sua amizade me chacoalha e eu queria te inspirar como você me inspira. Eu queria ainda ter essa sua humildade profissional em se espantar quando alguém escancara que você é competente e imperdível. Eu queria, mas não posso. Não hoje, nesse dia de quietude. Hoje eu preciso ficar sozinha, ou então ficar acompanhada, mas só ouv…

Encaixotando a vida

A sensação não deixa de ser estranha. Em pouco tempo, você vê tudo o que você tem se transformar em pilhas, em caixas, sacolas amontoadas pelos cantos. A intenção era organizar, mas o que sinto é justamente o contrário. Ao revirar papéis, fotos, escritos de uma vida que já foi e que insisto em guardar comigo, sinto-me como que espalhada pela casa, por cada cantinho dela. A casa não é mais minha. Sou apenas uma hóspede que divide lugar com nostalgias que flutuam pelo ar, com a ausência de tudo que já vivi. Sobra pouco espaço para a expectativa do que ainda está por se descortinar. Junto com as caixas e sacos devidamente organizados, estou eu, como que fragmentada. Estou dividida, porque em cada coisa carregada está um pedaço meu, uma lembrança. Arrumar a mudança mexeu comigo. Uma porque o que eu nutria pela cidade era um sentimento de derrota. Era como se tivesse perdido para o lugar, uma vez que não havia conseguido ser dele. Talvez, nunca tenha me esforçado o suficiente. Mas o cont…

Sangre

É pela dor e pela falta. Sei muito sangrar quando as coisas não vão bem. Pode ser difícil as lágrimas rolarem, mas elas vêm, ah vêm. O atraso me incomoda, me incomoda ainda mais a impotência. Eu passei dias sem entender a irracionalidade humana. Sem entender porque as pessoas precisam machucar o outro para se redimir. Eu me senti fraca para cumprir as obrigações, porque cumprir obrigações é o que há de mais chato nessa vida. Eu precisava sangrar, de raiva, de falta de coragem. Tudo explodiu hoje, com a ressaca desse dia cinza, um dia de folga, de festa, dia de euforia, de encontro. Para mim o dia virou dia útil, dia de trabalho, de se sentir sozinha, pequena, esquecida, raivosa. Dia de sangrar. Eu ainda planejo como encontrar quem me deixou sem resposta, mas acho que quando esse dia vier, ficarei quieta. Setenta vezes sete. Engoli a dor, a incompreensão, mas preciso de ajuda. Até para sangrar eu preciso de ajuda. Não sou nada independente. Preciso que alguém me explique que machucados…

Rumo ao total

Eu não vou me eximir. Já contei inúmeras histórias únicas. Já me deixei levar por visões unilaterais, já deixei que uma raça, origem, status classificassem uma pessoa, muito antes dela própria. Enganei-me, na maioria das vezes. Aprendi, em todas elas.
Chimamanda fala da imagem construída de povos, mas a gente pode ampliar o reino de histórias únicas para muitos outros campos. Eu, por exemplo, quando pequena, consumia contos de fadas em que o único final feliz era o casamento. E para conquistá-lo, a mulher deveria ser uma bela e doce princesa. Agradeço por alguns outros livros terem cruzado meu caminho, pessoas me alcançado e que novas percepções tenham me sido mostradas. Não me considero isenta de construir e crer em histórias únicas, mas uma pequena porção de algumas particularidades já se descortinou ante meus olhos.
Hoje mesmo (um dia depois de eu assistir ao vídeo), um colega de trabalho comentou que o gol da seleção sul-africana seria reproduzido no país pelos próximos quatro anos.…

Capítulo

Um sábado à noite sozinha faz a gente pensar em muita coisa. Ao som de Janis Joplin, os pensamentos voam e a gente quase se teletransporta. Quando canso do passeio, desligo o som, ligo a televisão e só escuto o final da novela. Nunca assisto, mas incrivelmente sei tudo que está havendo. Tudo faz sentido.
Lembrei de quando eu assistia a novelas e da sensação que me dava quando eu ouvia a música da abertura ao final do último capítulo. Era uma coisa estranha, de algo sendo visto e ouvido pela última vez. Tanta coisa passou até todo mundo casar, ter filho, até todo mundo (com exceção de um ou outro vilão), quase em uníssono, decretar: esse é o dia mais feliz da minha vida. Pronto, a felicidade aportou.
Lembrei também de um churrasco ao qual fui, onde um dos convidados tocava violão e uma menina arriscou cantar Janis. Primeiro timidamente, depois com a força toda dos seus pulmões. Gostei de ouvi-la. Nunca mais voltei àquele lugar e talvez jamais volte. Mas ficou a sensação.
Talvez, a vida s…

Carta para as amigas

Faz tempo que tenho vontade de lhes escrever uma carta. Não um bilhete, como os da escola, que nos divertiam num fôlego na aula. Não um e-mail, aqueles que se escrevem e se leem com pressa. Mas uma carta, uma carta recheada e reveladora, como as da nossa adolescência.
Cartas que outros mais de perto não entendiam o sentido, uma vez que morávamos na mesma cidade e, muitas vezes, postávamos os escritos pelo correio, com selo no valor de um centavo. Para escrever, não era preciso muito. Umas três canetas coloridas, uns adesivos de um caderno 10 matérias, algumas divagações. Cada carta era a certeza de estar compartilhando uma certeza.
Há muito venho querendo escrever-lhes uma carta, mas sempre me atrapalho na organização dos dados. Sempre há uma novidade que motiva a partilha, mas com ela vem um punhado de outras lembranças, de outros fatos que, sozinhos, não justificam uma carta, mas reunidos dariam um romance.
Mas o que mais me impede de escrever uma carta é a incerteza. A incerteza do p…

O Muro Azul

Pegar no sono foi uma das coisas mais temíveis de uma determinada época da minha infância. Eu ouvia o silêncio da casa, e ficava intacta, debaixo das cobertas, torcendo para que o dia raiasse. Meu quarto, pequeno e lotado de bonecas e quinquilharias, dava margem aos meus medos, pois era comum as bonecas me olharem com olhares maquiavélicos e ursos se transformarem em criaturas assassinas.
Minha mãe dizia que tudo era besteira e me recomendava rezar antes de dormir. “Senhor, queria agradecer pelo meu dia e que eu consiga dormir hoje, amém”. Nunca adiantava. Era só terminar o cochicho que o silêncio se apossava e qualquer ruído se transformava em pretextos para se fechar os olhos com força, tapar os ouvidos. Foi aí que aprendi a técnica do Muro Azul.
Imaginava um muro azul, bem azul, sem fim. Olhava para todos os lados e não conseguia enxergar onde terminava o muro. Mas ele estava ali, na minha frente, bem azul. E eu não sei por que cargas d’água olhar para o muro me deixava em paz. Talv…

Provocação

Se é esta a época da história em que mais se prega o respeito às diferenças, a importância de se acabar com preconceitos contra as minorias, engraçado como muitos dos “cabeças abertas” ainda se mostram mordazes diante de alguém que tenha qualquer tipo de crença.
Vivemos um período em que todos devem ser tratados como iguais, independentemente. Por isso, aplaudimos a iniciativa de se acabar com qualquer intolerância. Incentiva-se a ação de organizações, políticas públicas, líderes quando estes pretendem promover a igualdade, a inclusão. Achamos bonito ter uma vasta gama de gente ao nosso redor, com gostos, preferências sexuais, raças e posições políticas diferentes. Julgar alguém que escreve ou fala diferente da norma considerada certa hoje é chamado de preconceito linguístico.
Parece estranho então, um grupo ficar marginalizado. Em uma época que o ateísmo ou agnosticismo é tido como a verdade absoluta, aqueles que levantam as mãos para o céu, que praticam sua religião de qualquer forma …

Múltipla

Ainda não sei se sou a Rebeca, a Amaranta ou a Renata Remedios, do Gabo. Porque não sei definir se sou aquela que arrasta ossos, que costura uma mortalha ou a que se apaixona por borboletas amarelas.

Fico me perguntando se eu sou a Maria ou a Gabriela, do Tom Jobim (a Garota de Ipanema tenho a certeza que não). Porque, como a primeira, eu preciso partir, eu preciso deixar. E da mesma forma que a segunda me perdem por aí.

Também não sei se sou a Rosa, a Rita ou a Morena de Angola, do Chico. Porque posso arrasar projetos de vida (incluindo o meu), posso causar perdas e danos. Mas o que mais me intriga é não saber se mexo o chocalho ou se é ele que mexe comigo.