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Mostrando postagens de Janeiro, 2010

Minha breve vida de ciclista

Esses dias acordei cedo num domingo e me peguei, distraidamente, assistindo a uma competição de ciclismo na televisão. Não posso negar que nas últimas voltas da corrida parei de bocejar e passei a achar o negócio emocionante, porque quem estava lá atrás de repente estava liderando, e quem tinha vantagem por todo o percurso de repente comia poeira e eu me vi torcendo, tensa, nos momentos finais.
Reparei nas pernas dos ciclistas e de repente me ocorreu que a bicicleta seria a única solução para, enfim, eu ter pernas iguais às da Ivete Sangalo. Recuperei mentalmente imagens da minha infância andando sobre duas rodas e acabei lembrando que eu adorava andar de bicicleta. Minha mãe costumava dizer que eu passava mais tempo pedalando que andando com as próprias pernas.
Claro que essas lembranças me trouxeram também o episódio que me fez para sempre me afastar do guidão.
A bicicleta, minha fiel escudeira, era uma Cecita Pink, daquelas de meninininha, com direito à garupa e cestinha. Eu andava c…

Histórias dos pequenos

- Ei, você tem filha?
Parecia ter uns 6 anos de tão mirrada, mas tinha 8, descobri depois. Era morena de praia, magrinha, com biquini rosa da Moranguinho. No meio das ondas ela ainda esperava minha resposta.
Apontei para minha barriga e perguntei:
- Por quê? Parece?
Ela balançou a cabeça afirmativamente.
- Você acabou com minha autoestima agora – respondi.
Ela riu, mesmo sem saber o que era autoestima. Mergulhou numa onda e perguntou de novo:
- Você tem mãe?
- Claro, todo mundo tem.
- Eu não – ela falou, sem tristeza na voz.
Não respondi. Enfiaria minha vergonha no bolso, se tivesse um.
Ela pegou na minha mão e decretou que a gente mergulharia em todas as ondas, depois que jogou água em mim porque eu relutava em me molhar.
Perguntou meu nome, disse que o dela era o mesmo. Mentira, o primo dela, Arian, um pouco mais velho, me contou mais tarde que ela se chamava Ana Alicia.
Ana Alicia era espevitada. Não cansava nunca. Não largou da minha mão um segundo e me perguntou tanto que soube mais da minh…