Meu coração navegador

Nunca fui de coleções. A de tazos dos salgadinhos foi um fiasco, a do chocolate Surpresa me dava vergonha e foi um custo eu ter todos os bichinhos de uma das séries do Kinder Ovo – as tartarugas, as únicas que tiveram um exemplar de cada na minha estante. A existência da Batida, uma tartaruga com um coco na mão, irritou-me profundamente, porque a bicha não vinha em chocolate algum. Quando veio, também, encerrou minhas tentativas de preencher minha vida com o Kinder Ovo.
Mais tarde parti para as coleções que não precisavam necessariamente ter um fim, um objetivo a ser alcançado. A possibilidade de frustração era menor, uma vez que seria só reunir exemplares e mais exemplares de uma mesma espécie. Assim, dediquei-me a colecionar adesivos, depois papéis de carta, cartões telefônicos e selos. Todas as coleções, abandonadas, acabaram pouco a pouco sendo jogadas num canto do guarda-roupa.
A única que vingou foi a de postais. Como nunca tive mania de jogar coisas fora, acabei juntando alguns poucos cartões, comprados ou ganhados de presente, e decidi ali iniciar o que denominei coleção.
Digo denominei porque é muito mais um arquivo de lembranças do que propriamente um algo que um colecionador daria grande valor. Todos os cartões são bem-vindos à minha coleção, não precisa necessariamente ter um lugar estampado. Tenho alguns promocionais, outros de colégios onde meus amigos estudaram, um de um hotel que me hospedei. São reuniões de lembranças minhas ou das pessoas que, lembrando do fato que eu guardava postais, traziam um de cada lugar por onde passavam. A maioria não tem dedicatória, mas eu sei quem me presenteou.
Hoje contei 135 postais. A maioria é de viagens – minhas ou de pessoas queridas. E ao desfolhar meu leque de pedaços do mundo, deparei-me com fotos deslumbrantes, de lugares por onde um dia ainda quero passar. Roma, Campos do Jordão, Londres, Salvador, Araxá, Belo Horizonte, Genipabu, Chamonix, Paris, Bariloche, Las Vegas, Nova York, Pipa, Berlim, Veneza, Santiago do Chile, Praga e até o Museu do Olho, do Oscar Niemeyer, que estava fechado nas duas vezes em que tentei conhecer.
É uma viagem e tanto, uma volta ao mundo para ser concluída em 80 anos e com muito dinheiro e desapego. Mesmo assim, não me desanimo. Trago aqui dentro o sonho e a chama, que ora vira brasa, bastando uma faísca para reacendê-la. Quero ver o que outros já viram e me trouxeram. Quero que esses pedaços de mundo guardados no meu pacote azul fiquem guardados também aqui dentro, nas gavetas que estou esvaziando para que possam receber coisas novas.

4 comentários:

{ João } at: 13 de março de 2010 20:16 disse...

Esse texto me fez lembrar que, das várias coleções de figurinhas que fiz quando criança, uma delas era a do PING PONG (aquele chiclete, para quem não lembra) VOLTA AO MUNDO.
Outra lembrança foi a do filme DIÁRIOS DE MOTOCICLETA.
Mas melhor seria se saíssemos das referências externas - da figurinha ou a experiência dos personagens no filme - e experimentássemos conhecer cada foto do postal 'in loco'.

{ Graci Polak } at: 15 de março de 2010 08:32 disse...

Vou te mandar um cartão promocional do Reinaldo Gianechini, que guardei para dar para a Paula, e outro de Canoinhas, se que é existe.

Vc é que escolhe entre conhecer Canoas ou Giane, hehe...

{ Camila Rufine } at: 16 de março de 2010 12:51 disse...

Vivo tentando começar coleçoes também. E viagens. Quem sabe um dia né?

Ps: Se quiser um de chicago, é só mandar o seu endereço pra mim.

{ va_nessals } at: 5 de abril de 2010 17:19 disse...

Nossa, agora me lembrei que trouxe um postal pra vc de Natal e um de Buenos Aires... Acho q vou ter que mandar pelo correio...

 

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