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Provocação

Se é esta a época da história em que mais se prega o respeito às diferenças, a importância de se acabar com preconceitos contra as minorias, engraçado como muitos dos “cabeças abertas” ainda se mostram mordazes diante de alguém que tenha qualquer tipo de crença.
Vivemos um período em que todos devem ser tratados como iguais, independentemente. Por isso, aplaudimos a iniciativa de se acabar com qualquer intolerância. Incentiva-se a ação de organizações, políticas públicas, líderes quando estes pretendem promover a igualdade, a inclusão. Achamos bonito ter uma vasta gama de gente ao nosso redor, com gostos, preferências sexuais, raças e posições políticas diferentes. Julgar alguém que escreve ou fala diferente da norma considerada certa hoje é chamado de preconceito linguístico.
Parece estranho então, um grupo ficar marginalizado. Em uma época que o ateísmo ou agnosticismo é tido como a verdade absoluta, aqueles que levantam as mãos para o céu, que praticam sua religião de qualquer forma escondem suas crenças debaixo dos panos. Não falam que foram à missa, ou ao culto, ou ao terreiro, omitem a palavra Deus (ou qualquer outra entidade em que acreditam) de suas frases. Por serem minoria ao entrar em discussões que geralmente começam com: Deus? Deus é coisa que não existe.
Estamos em uma época em que, em um território livre de preconceitos, não se ousa questionar com quem o outro se deita, em quem o outro vota, de onde o outro vem, qual é sua família. Ora, isso é retrógrado. Igualmente retrógrado é ter uma religião. É sinônimo de ignorância, burrice.
Se a gente que acredita tanto que ser hetero ou homossexual não é questão de certo ou errado, se independentemente de você ser esquerda ou direita podemos dividir a mesma mesa de bar, por que os cristãos, judeus, budistas (e outros tantos) ainda se encolhem quando o assunto passa a ser religião? Por que o medo de ser massacrado por defender o que se acredita?
É claro que é comum, ainda, ser discriminado por ser gay, ou lésbica, ou negro, ou branco, ou amarelo. Mas existem meios em que essas pessoas não sentem tanto o peso disso. Preconceito virou coisa do passado? Então, analise, com cuidado, se você não avança feroz sobre um outro que ousa dizer que reza. Contradição?
Em “respeitar os demais”, no que tanto você acredita, está incluído respeitar as escolhas. Acreditar em Deus é a minha. Nem por isso vou tentar fazer outro acreditar nele também, senão for o caso. Por isso, também não quero que me façam desacreditar. E aí, você topa uma convivência pacífica?
Uma vez, li uma definição de fé. Dizia: quando você tem, nenhuma prova é necessária. Quando você não tem, nenhuma é suficiente. Acho que isso resume bem.


Respeito mútuo: é nisso que eu acredito.


É, ele não resiste mais.

Comentários

Graci Polak disse…
Tati, Tati...

Também acredito que é o respeito mútuo que conta e que os ateus podem ser muito-muito chatos, tanto quanto os crentes em Deus. Até mais, porque respeitam ainda menos o direito da crença, infinitamente mais significativa para quem a tem.

Só não entendi o seu ponto de vista sobre a marginalização da religião, mas aí, eu creio, a diferença está no seu mundo para o meu. Aqui, com quem eu convivo, anormal é não crer, não ir à igreja. Isso sim é feio, muito feio, sinal de vergonha.

Na Câmara de Vereadores, antes da sessão, lê-se um trecho bíblico. Deus é citado em todas as cerimônias públicas, com todas as certezas possíveis, sem margem de possibilidade para quem não acredite. Ninguém pode ir contra e eu sou levada pela maré, sem chance de nadar contra.

Sou ateia, desde criança. Fiz catequese e cresci na igreja, sem acreditar, obrigada pela minha mãe. Hoje eu só vou quando alguém me pede companhia e bem de boa, porque não acho que seja burro ou retrógrado acreditar. Acho bonito quando é sincero, de verdade, não fingido como eu noto em algumas pessoas, mas calo.

Questionei muito minha falta de crença, pensei muito na fé das outras pessoas. Hoje não tento convencer ninguém de nada, porque a minha verdade é a minha, a sua,unicamente sua. Ninguém precisa ter vergonha de ser o que é, mas, no meu caso, omitir é uma questão de sobrevivência, rsrs...

Mas, cá entre nós, mais chato que um crente te tentando enfiar Jesus goela abaixo é um ateu radicalista tentando te desacreditar de tudo. Eu deixo falando sozinho.
Michele Matos disse…
Bravo, Tati!!!!
Eu gosto de falar de crenças com quem sabe respeitar, e existe sim,muitas pessoas com opiniões diferentes que conseguem manter uma conversa sem brigar. Antigamente eu brigava, hoje eu nem sei quem está certo, apenas sei que me faz bem acreditar em Deus.
=**
Linda você indo trabalhar!
...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazón
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ


TE SIGO TU BLOG




CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...


AFECTUOSAMENTE
TATIANA


ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE CHOCOLATE, EL NAZARENO- LOVE STORY,- Y- CABALLO, .

José
ramón...
Graci

O texto é o meu ponto de vista (no meu lugar, com a minha crença, com quem eu convivo). O seu é outro, totalmente inverso até, poderíamos dizer. Mas eu não posso abranger todos os pontos em um texto apenas (por isso gostei do seu comentário, que mostrou uam outra visão). Um texto é sempre um recorte e o que eu quis "recortar" foi justamente essas contradições.
Não acho nem um pouco benéfico botar "Jesus goela abaixo" como você falou. Acho que até que é por isso que a maioria das pessoas critica tanto a religião. Porque foram obrigadas a praticar uma, desde criança, pelos pais. Só não acho justo usar isso para criticar quem tem, como se a crença, sei lá, daquele seu amigo fosse um reflexo de tudo de ruim que a religião lhe trouxe. Se fosse assim, viveríamos no reino da intolerância, né não?
Tentei não generalizar, mas é óbvio que muita gente, só pq não acredita, vai se doer, mesmo sem ter servido o chapéu. Como eu coloquei ali no texto, não vou ficar obrigando ninguém a nada, pq respeito outro, mas exijo o mesmo respeito em troca. Enfim, existem pessoas e pessoas e você e eu, nota-se, mesmo tendo posições diferentes temos a consciência que ninguém está certo ou errado. As pessoas são todas diferentes e essa é a graça da vida.
Graci Polak disse…
É isso mesmo, Tati.

A graça está na diferença, digo mais, no aceitar a diferença. E isso eu ilustro com uma história.

Dia desses eu fiquei mal porque briguei com minha irmã e, mais barbeira que o convecional no trânsito, a Paulinha fez com que eu fosse para o acostamento.

Depois de esbravejar, chorar, me lamentar e ser consolada, ela pegou na minha mão e, bem séria, disse:
-Quer fazer uma oração?

Ri um monte, melhorei, e ainda tive de aguentar ela, mórmon, exaltando os poderes da oração, se acabando de rir. Na boa.


A graça está aí.
Pedro disse…
A religião não é a coisa mais fácil de ser discutida na faculdade.

Estudei um pouco sobre fé e milagres e pra quem dúvida ou tem dificuldades de acreditar vale a pena dar uma olhada no milagre da virgem de guadalupe eo milagre de lanciano.

ps. tati eu ainda acompanho teu bolg, só não comento,rs.
ps2. recebeu um abraço ou um oi meu segunda-feira?
Klaus disse…
Cada um tem sua própria verdade embasada em ensinamentos que lhe façam bem e, logicamente, é nisso que cada um acredita. O problema começa quando se quer mostrar ao outro uma verdade que é puramente pessoal (mesmo que de conhecimento comum). A Verdade não se discute. Acreditar na própria e compreender a do próximo é o que basta. E o mais difícil.
Tati...
ti comparo com o Bradesco, simplismente COMPLETA, seu texto é lindo, auténtico, parabéns, faltava esse. Cada pessoa tem sua própria verdade, ninguém pensa igual ao outro. Acreditar na sua própria verdade, e tentar compreende a do outro já é o bastante. Infelizmente não podemos esperar muito do outro, mostros existem. Brasilia esta cheio...

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