Capítulo

Um sábado à noite sozinha faz a gente pensar em muita coisa. Ao som de Janis Joplin, os pensamentos voam e a gente quase se teletransporta. Quando canso do passeio, desligo o som, ligo a televisão e só escuto o final da novela. Nunca assisto, mas incrivelmente sei tudo que está havendo. Tudo faz sentido.
Lembrei de quando eu assistia a novelas e da sensação que me dava quando eu ouvia a música da abertura ao final do último capítulo. Era uma coisa estranha, de algo sendo visto e ouvido pela última vez. Tanta coisa passou até todo mundo casar, ter filho, até todo mundo (com exceção de um ou outro vilão), quase em uníssono, decretar: esse é o dia mais feliz da minha vida. Pronto, a felicidade aportou.
Lembrei também de um churrasco ao qual fui, onde um dos convidados tocava violão e uma menina arriscou cantar Janis. Primeiro timidamente, depois com a força toda dos seus pulmões. Gostei de ouvi-la. Nunca mais voltei àquele lugar e talvez jamais volte. Mas ficou a sensação.
Talvez, a vida seja isso. Sensações, lembranças de sensações e a devida importância que damos a elas. A sensação atual é de um limbo, um vazio, algo estranhamente situado entre um lugar onde se esteve e outro, aonde se vai chegar. Talvez, eu nunca aprenda a enxergar a beleza de um estado de transição. Falta algum sentido, sempre falta. E o que mais incomoda é não ver o sentido de se estar aqui, ainda, e de não estar lá, ainda.
Talvez, o ainda seja só uma forma de ver as coisas. Talvez, eu ainda não tenha encontrado a beleza no trajeto.

7 comentários:

{ Graci Polak } at: 17 de maio de 2010 07:42 disse...

Uma vez, Tati, lendo Guimarães Rosa, tive de parar e pensar em um trecho em que tropecei: "o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe pra gente é no meio da travessia". Sei lá, mas senti alguma esperança com isso, porque muitas vezes eu penso que esse estado de transição, que não passa, não serve para absolutamente mais nada que me deixar no mesmo limbo a que você se referiu.

É, talvez eu esteja com problema, hehe.

(e vi a novela e ouvi Janis, exatamente como você escreveu. Me-do!)

Se cuida aí.
Bjoo!

{ FABI } at: 17 de maio de 2010 17:14 disse...

O final da novela foi estranho mas o depoimento final foi bem bacana, cheguei a chorar.

E fiquei pensando na sua angústia (ou agonia) de estar aí e não aqui... se fosse eu já tinha aprendido a fazer artesanato e já estaria morando por aqui, se não der certo uma carreira pelo menos vc teria o plano B... pano de prato na Sé e/ou quadros no Anhangabaú!

{ Fred Matos } at: 18 de maio de 2010 05:05 disse...

Tati,

Retribuo a sua visita deixando também aqui a resposta ao seu comentário lá no nas horas e horas e meias, e passo a acompanhar o seu blog que gostei muito:

Fico contente com a coincidência, Tatiana, até porque todo mundo que nasce em 24 de Outubro é gente boa. Dizem os esotéricos que pertencemos aos “Gênios da Humanidade”, pessoas cujas almas imortais, já viveram muitos séculos seguidos na Terra e que nunca estarão sujeitos à corrupção.

Diz-se ainda que para os Gênios da Humanidade existem costumes e leis admiráveis e, portanto, que não se têm um anjo específico para cada data de nascimento dos Gênios da Humanidade, pois, todos os nascidos nestas datas são protegidos por todos os Anjos de qualquer categoria.
Acredita-se também que os nascidos em 24 de Outubro são muito emotivos, possuem forte intuição, tendo grandes capacidades para desenvolver capacidades paranormais.
Além disso seríamos regidos por Osíris, deus dos deuses e da regeneração de tudo o que morre.
Mesmo tendo uma imensa dificuldade a aceitar racionalmente essas afirmações eu as aceito como paradigma, quiçá essa aceitação me torne uma pessoa melhor.


Beijos

{ Diangela } at: 18 de maio de 2010 06:07 disse...

"Encontrar a beleza no trajeto" me lembre de lembrar disso para fazer uma nota mental... hehe
Comovente, sempre!
Beijo

{ Dai } at: 18 de maio de 2010 10:22 disse...

De repente leio seu blog, coisa que, confesso, raramente faço, e me deparo com a mesma sensação. Será que poruqe somos amigas e passamos juntas por várias sensações mesmo distantes?? OU porque seja um sentimento comum a nossa fase. Estou no meio do caminho e me sinto a vontade para contar essa fraqueza. Não esotu aqui e nem lá...E busco, CANSAVELMENTE, um sentido para tudo ou simplesmente um caminho para seguir...
Obrigada por iluminar meu vago caminho...

{ Carla Leão } at: 27 de maio de 2010 06:12 disse...

Amei o blog!
vai pra minha lista de favoritos.
Beijo

{ Scheyla Joanne Horst } at: 7 de junho de 2010 06:36 disse...

Deixa o amanhã, e a gente sorri :D

 

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