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Rumo ao total

Eu não vou me eximir. Já contei inúmeras histórias únicas. Já me deixei levar por visões unilaterais, já deixei que uma raça, origem, status classificassem uma pessoa, muito antes dela própria. Enganei-me, na maioria das vezes. Aprendi, em todas elas.
Chimamanda fala da imagem construída de povos, mas a gente pode ampliar o reino de histórias únicas para muitos outros campos. Eu, por exemplo, quando pequena, consumia contos de fadas em que o único final feliz era o casamento. E para conquistá-lo, a mulher deveria ser uma bela e doce princesa. Agradeço por alguns outros livros terem cruzado meu caminho, pessoas me alcançado e que novas percepções tenham me sido mostradas. Não me considero isenta de construir e crer em histórias únicas, mas uma pequena porção de algumas particularidades já se descortinou ante meus olhos.
Hoje mesmo (um dia depois de eu assistir ao vídeo), um colega de trabalho comentou que o gol da seleção sul-africana seria reproduzido no país pelos próximos quatro anos. E acrescentou: “na única televisão que eles tem lá”. Perguntei se ele gostaria que pensassem o mesmo do Brasil. No que ele retrucou: “Ora, mas eles vivem em um país de terceiro mundo!” “E você não?”.
O interessante no relato de Chimamanda é que ela não cai na armadilha de contar apenas as histórias únicas que contaram sobre ela. Ela fala ainda das próprias histórias únicas que construiu. Mas fala também que, em tempo, descobriu o paraíso.


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Comentários

Michele Matos disse…
Eu quero ser ela! E parar de crer em história únicas também.
Diangela disse…
Fiquei emocionada com o vídeo. Muito, muito bom... Faz a gente pensar em quantas histórias únicas reproduzimos. Demais!!!
Renata Nizer disse…
Muito bom mesmo.
Vi no TEDXSudeste uma pessoa que organizou uma espécie de museu de histórias de pessoas. Quando sair o vídeo de mando o link. Você vai adorar.

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