Lagarta

Sabe quando eu te pergunto se a vontade de largar tudo passou e sabe quando você me responde que não, sabe que isso me conforta? Ontem eu vim aqui e conversamos só um pouco, mas o suficiente para te ver feliz. E isso também me conforta.
Eu estou um pouco mais retraída, mas isso não tem a ver com ciúme. Ou brabeza. É só um tempo que eu preciso para parar, entender e absorver. Faz parte do meu aprendizado olhar alguém como você e ver que tudo dá certo. Que gente inconformada também tem manhãs de sol, planos para um futuro próximo e uma sorte que transforma poça de água em chafariz.
Eu queria te acrescentar o tanto que você me acrescenta, eu queria te chacoalhar como a sua amizade me chacoalha e eu queria te inspirar como você me inspira. Eu queria ainda ter essa sua humildade profissional em se espantar quando alguém escancara que você é competente e imperdível. Eu queria, mas não posso. Não hoje, nesse dia de quietude. Hoje eu preciso ficar sozinha, ou então ficar acompanhada, mas só ouvir. E aprender.

"Quem é você?", perguntou a lagarta.
Alice retrucou, bastante timidamente. "Eu, eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento - pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então".
(Lewis Carrol, Alice no país das maravilhas)

3 comentários:

{ Diangela } at: 20 de julho de 2010 09:52 disse...

Hoje eu acordei meio lagarta também... Saudade!

{ Camila Rufine } at: 20 de julho de 2010 11:15 disse...

Ah se todo mundo (inclusive eu) fosse esperto assim e decidisse sempre falar menos e ouvir mais.

Beijo!

{ Paula de Assis Fernandes } at: 20 de julho de 2010 13:03 disse...

Taí, gostei. Tati, vc não existe!

 

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