CUIDADO! Baixe os olhos ao passar por ele (a)

Tem gente que deveria andar com uma placa assim pendurada no pescoço: CUIDADO, baixe os olhos quando passar por mim. Tenho um(a) namorado(a) demente. Nem todos os “privilegiados” têm essa feliz ideia. É aí que surgem os barracos astronômicos, na imensa maioria das vezes sem razão de ser. Quem passa por ridículo... bem, não é difícil de imaginar, né?
O primeiro sintoma do possessivo doente é venerar seu objet... digo, seu(a) namorado(a). Considera-o mais amado e idolatrado do universo, save salve. Sendo assim, é claro que todas as fêmeas de um raio de 100km, quiçá do universo inteiro (não esqueçamos das facilidades virtuais), não fazem outra coisa na vida a não ser desejar seu macho. E, em sua doente fantasia, não excluem da lista nem a mãe dele e nem a cadela de estimação.
Parece exagero, mas não é. Já ouvi casos de namoradas que armam pitis absurdos porque o rapaz deu ração para o cachorro antes de telefonar para a amada passando o relatório diário. Casos de namorados que jogam o parceiro contra a família inteira são mais comuns que alimentos com glúten.
A psicologia explica. A veneração e o medo constante de perda e traição se baseiam num sentimento comum a todas as pessoas: a insegurança. Por não perceber as próprias qualidades, atribui ao parceiro(a) virtudes quase que irreais. Como eu disse antes, insegurança é comum e perfeitamente aceitável. Mas para os possessivos doentes, isso vai muito além dos limites considerados saudáveis. Vira doença.
O fato de perder as estribeiras pode ter a ver com não se garantir, ter tido uma infância traumática ou até problemas familiares. Uma amiga minha, que nunca conheceu o pai, confessou-me que todos os seus namorados funcionavam como substituto paterno. Além do ciúme exacerbado, acreditava que o namorado poderia deixá-la a qualquer instante (como o pai havia feito). Anos de terapia e hoje leva uma vida normal.
Engana-se, porém, quem pensa que apenas uma parte do casal esta errada. Quem consente com essas cenas catastróficas de ciúme sem limite, na minha opinião, merece levar uma vida de eterno(a) cachorrinho(a). O mais espantoso é que tem gente que gosta.
Pena. Não aprendem que o mais gostoso de um relacionamento é a confiança que a gente ganha ao longo do tempo. Viver na corda bamba, futricar a vida do outro na Internet à procura de vestígios, enxergar rivais no poste, isso não é vida. É doença. Além do mais, o casal perde amigos, convites, oportunidades de dividirem bons momentos e até empregos.
Já ouvi histórias de gente que foi proibido pela namorada de terminar a faculdade por causa de um colega “risco”. Um amigo tinha uma namorada que pedia a ele dar um toque no telefone de casa quando chegasse. Ele mandava o irmão mais novo fazer isso e continuava na balada. Conheci gente que atendia o telefone fazendo cocô, manobrando o carro, no dentista, porque se demorasse dez segundos, geraria desconfianças.
Aliança, promessa de casamento, ligações frequentes, choro, ranger de dentes, manipulação, chantagens, jogar-se no chão, nada disso prende ninguém. Aos possessivos doentes de plantão, quem sabe vale a pena recomendar dar ao parceiro um sonífero e prendê-lo em grades bem fortes. Ou, quem sabe, duas passagens ao Alasca.


12 comentários:

{ Marcela Prado } at: 4 de agosto de 2010 10:04 disse...

eu ja tive um namorado ciumento. muito. ciumes dos amigos, dos primos, de gente q eu nunca vi ou falei. e demorou um tempo pra eu sacar que eu nao fazia nada demais e pular fora. hj eu tenho trauma. nao gosto de qlq manisfestacao de controle. se bem que ultimamente eu tenho afrouxado...

{ Paula de Assis Fernandes } at: 4 de agosto de 2010 11:18 disse...

Tati, é bem verdade isso. Eu acho que ciúmes é saudável porque deixa a relação mais viva. Mas acho que tudo tem limite. E não sei o que faria numa situação extrema, nunca passei por isso. E espero não passar. Beijoo

{ Camila Rufine } at: 4 de agosto de 2010 11:22 disse...

hahahaha
Nossa, acho que vou mandar esse texto anonimamente para uma amiga. Ops. Pensando bem, não vou não. Se eu mandar anonimamente ela vai saber que fui eu, se ela ler os comentários. Mas, enfim... Odeio ciúmes e só admito assistir a shows de pessoas que tem algum talento artístico. Nao de namorados e namoradas que ficam horas no telefone (na minha presença) brigando por qualquer bobagem e desconfiados de todo mundo, ainda por cima morando em países diferentes...

Ps: Já reparou também que quanto mais ciumento é um relacionamento, mais clichê e meloso ele é. Dá-lhe Maria do Bairro.

{ Veronika } at: 4 de agosto de 2010 12:24 disse...

mato na boxa!

{ Carla Leão } at: 4 de agosto de 2010 12:48 disse...

Tenho lido umas coisas no seu blog, ele está la na minha lista de favoritos, mas só agora resolvi comentar, vai ver é pq me identifiquei com o texto, e só tenho uma coisa a dizer:
"Quem consente com essas cenas catastróficas de ciúme sem limite, na minha opinião, merece levar uma vida de eterno(a) cachorrinho(a)".

Muito bom, adorei!
Beijo

{ Jessica Berdych Laviere } at: 4 de agosto de 2010 14:52 disse...

Nossa!!!Concordo com tudo o que vc disse,eu tenho uma teoria que pra mim funciona muito bem,nunca fui do tipo de ficar revirando namorado pra achar alguma prova de que era traída,pq como diz a minha mãe e eu concordo...quem procura muito um dia acaba encontrando.
Então prefiro confiar e dar espaço.

{ Klaus } at: 4 de agosto de 2010 17:27 disse...

Perfect! Tem gente que deveria imprimir, colar no espelho do banheiro e ler esse texto todos os dias, depois de acordar (e pra ver se acorda!).
A parte freudiana me fez pensar, gostei muito. Mas fato é: "o mais gostoso de um relacionamento é a confiança que a gente ganha ao longo do tempo". É revoltante alguém duvidar do amado o tempo todo. Por que não larga se ele é tão pouco confiável? Amar desconfiando é mesmo que... sei lá... comer um sonho já achando que dará dor de barriga... Ou algo assim... mais ou menos... Alasca!

{ Alyne } at: 5 de agosto de 2010 07:32 disse...

putz Tati, pior q eu já fui assim e me arrependo taaaannntoooo! Na verdade eu acho que quem é assm nunca percebe, não adianta os amigos falarem, é uma coisa cega e louca. Mas passou... terapia resolve, e muito. Hj eu percebo que era mais uma sensação de posse que qualquer outra coisa.
Muito bom o texto, fiquei com vergonha do meu passado hahahaa.

{ João } at: 5 de agosto de 2010 18:39 disse...

Posso aparentar ser uma pessoa tranquila, mas tenho a ficha bem suja quando o assunto é ciúme. Eu não ia comentar o texto, que achei fantástico e com o qual concordo em gênero e número, por achar que não tenho direito em falar sobre o assunto. Mas para não passar por medroso, dou minha cara a tapa e admito que já errei. Mas, se é com os erros que aprendemos, estamos aí para errar. E de erro em erro, cedo ou tarde a gente aprende.

{ Scheyla Joanne Horst } at: 10 de agosto de 2010 18:35 disse...

haha, Concordo com aquela parte do viver eternamente como cachorrinho. Bem feito mesmo.

{ Gislaine Bueno } at: 11 de agosto de 2010 15:15 disse...

O que faz um texto atrair você? Identificação, clareza, sinceridade? Não sei a resposta, mas gostei muito do jeito como você escreve. Ok, acho que me identifiquei. E pensei: caralho, eu escrevia bem há um tempo atrás. Por que não continuei? Por que não continuo? E quantas outras mulheres existem por aí se expressando tão bem quanto essa moça aqui do blog?

É uma bobagem deixar pra lá, porque a vida continua com ou sem você.

Que coisa!

Parabéns!

Fique à vontade para falar, também, ali:
www.fabulosodestinomeu.blogger.com.br

Gislaine

{ Michele Matos } at: 21 de agosto de 2010 15:49 disse...

É! Essa moça do blog escreve muito mesmo!
E sim, tem muita gente que gosta de ser cachorrinho(a), então que sejam felizes, ou não.
=*

 

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