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A lua

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Se me perguntassem, aos dois anos de idade, qual era meu maior medo, eu responderia: a lua. Foi motivo de muitas gargalhadas do meu pai, que gostava de atiçar meu temor. Ele me punha em frente a uma janela larga, que se estendia por quase toda a sala do nosso apartamento, sem cortinas, e se divertia com minha cara de pânico diante da lua.
Eu não sei explicar por que ela me incomodava. Talvez por ela ser grande, única e majestosa, reinando branca num império negro de servas estrelas. Ela parecia me olhar de um jeito impositivo, desafiando-me a mostrar quem eu era. E aos dois anos acho que eu não tinha muita ideia da minha real identidade. Nem que isso existisse.
Venci, aos poucos, meu medo da lua. Adquiri outras fobias, mais normais, como de répteis ou de altura. A lua voltou a me desafiar quando parti da casa dos meus pais rumo a terras estrangeiras. Quando viajei, digamos assim, ao encontro do meu voo mais alto.
Enquanto eu chorava pela saudade antecipada que já estava sentindo de quem eu deixava, dos medos, da insegurança de trilhar um caminho muito antes desejado, mas nem tampouco fácil, a lua me fitava pela janela do ônibus. Ao contrário da minha infância, não perguntou mais quem eu era. Questionou-me apenas o que é maior: a saudade ou o desejo.
Pois eu respondo, dona lua, nenhum é e nem deve ser maior que o outro. Estarão sempre permeando nosso caminho, ora interferindo, ora apenas observando, como um astro a brilhar por nós de longe, no céu.
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Meu

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O sonho trago embalado aqui dentro
Por vezes esqueço de o embalar e ele ressurge
Lembra-me de tudo o que quis e que é possível
O sonho é meu, apenas meu de ser, embora haja torcida
Trago apenas a esperança de compartilhá-lo

Hoje, porém, acordei com gosto amargo de sonho distante
De sonho longe, acenando para mim do navio
Quem parte é o sonho e não eu, o que me deixa partida
E mesmo sofrendo não posso deixar de avistá-lo

O sonho que me embala é o sonho que eu embalo
Eu faço o que posso, peço arrego, peço ajuda
Sem esse sonho me sinto perdida, sem vontade alguma
E me desespera essa falta de sonho, essa falta de vida

O sonho que me embala é o sonho que eu embalo
Sozinha.
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CUIDADO! Baixe os olhos ao passar por ele (a)

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Tem gente que deveria andar com uma placa assim pendurada no pescoço: CUIDADO, baixe os olhos quando passar por mim. Tenho um(a) namorado(a) demente. Nem todos os “privilegiados” têm essa feliz ideia. É aí que surgem os barracos astronômicos, na imensa maioria das vezes sem razão de ser. Quem passa por ridículo... bem, não é difícil de imaginar, né?
O primeiro sintoma do possessivo doente é venerar seu objet... digo, seu(a) namorado(a). Considera-o mais amado e idolatrado do universo, save salve. Sendo assim, é claro que todas as fêmeas de um raio de 100km, quiçá do universo inteiro (não esqueçamos das facilidades virtuais), não fazem outra coisa na vida a não ser desejar seu macho. E, em sua doente fantasia, não excluem da lista nem a mãe dele e nem a cadela de estimação.
Parece exagero, mas não é. Já ouvi casos de namoradas que armam pitis absurdos porque o rapaz deu ração para o cachorro antes de telefonar para a amada passando o relatório diário. Casos de namorados que jogam o parceiro contra a família inteira são mais comuns que alimentos com glúten.
A psicologia explica. A veneração e o medo constante de perda e traição se baseiam num sentimento comum a todas as pessoas: a insegurança. Por não perceber as próprias qualidades, atribui ao parceiro(a) virtudes quase que irreais. Como eu disse antes, insegurança é comum e perfeitamente aceitável. Mas para os possessivos doentes, isso vai muito além dos limites considerados saudáveis. Vira doença.
O fato de perder as estribeiras pode ter a ver com não se garantir, ter tido uma infância traumática ou até problemas familiares. Uma amiga minha, que nunca conheceu o pai, confessou-me que todos os seus namorados funcionavam como substituto paterno. Além do ciúme exacerbado, acreditava que o namorado poderia deixá-la a qualquer instante (como o pai havia feito). Anos de terapia e hoje leva uma vida normal.
Engana-se, porém, quem pensa que apenas uma parte do casal esta errada. Quem consente com essas cenas catastróficas de ciúme sem limite, na minha opinião, merece levar uma vida de eterno(a) cachorrinho(a). O mais espantoso é que tem gente que gosta.
Pena. Não aprendem que o mais gostoso de um relacionamento é a confiança que a gente ganha ao longo do tempo. Viver na corda bamba, futricar a vida do outro na Internet à procura de vestígios, enxergar rivais no poste, isso não é vida. É doença. Além do mais, o casal perde amigos, convites, oportunidades de dividirem bons momentos e até empregos.
Já ouvi histórias de gente que foi proibido pela namorada de terminar a faculdade por causa de um colega “risco”. Um amigo tinha uma namorada que pedia a ele dar um toque no telefone de casa quando chegasse. Ele mandava o irmão mais novo fazer isso e continuava na balada. Conheci gente que atendia o telefone fazendo cocô, manobrando o carro, no dentista, porque se demorasse dez segundos, geraria desconfianças.
Aliança, promessa de casamento, ligações frequentes, choro, ranger de dentes, manipulação, chantagens, jogar-se no chão, nada disso prende ninguém. Aos possessivos doentes de plantão, quem sabe vale a pena recomendar dar ao parceiro um sonífero e prendê-lo em grades bem fortes. Ou, quem sabe, duas passagens ao Alasca.


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