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Mostrando postagens de Setembro, 2010

Sob o azul

Cenário: um campo cheio de olivas de um lado, casas bonitas e bem cuidadas do outro.

Horário: final de uma tarde esplendorosamente azul.

Personagens: eu e o bebê, mas o bebê dormia.

Ato: conduzir o carrinho por uma rua estreita, a última da vila.

Trilha sonora: o som do carrinho no asfalto.

O espetáculo: o sol quase se pondo a Oeste e, ao girar a cabeça perpendicularmente a Leste, encontrar a lua crescente que despontava, tímida, quase transparente no azul. No meio dos dois astros, rastro de nuvens em um céu, repito, esplendoroso. E embaixo eu, movendo a cabeça lentamente de um lado a outro.

Conclusão: um dos meus raros momentos de paz. Uma injeção de ânimo. E saber que não estou sozinha enquanto tenho meus olhos, meus cúmplices.

Na garganta

Foi quando eu tinha uns 12 anos. Estava visitando meus tios no Rio de Janeiro e voltava da casa de um deles perto do meio-dia. Prestes a entrar no prédio da minha outra tia, onde passava a maior parte do tempo, aconteceu. Uma força estranha e invisível me arremessou para trás. Senti uma dor na garganta e quando passei a mão constatei: sangue.
Descobri minutos mais tarde que não era uma força invisível e sim uma linha esticada onde garotos tinham lambuzado de cerol. A mistura de cola e vidro moído me cortou a garganta, mas foi de levinho. Claro que fiquei assustada, mas o que mais me deixou espantada foi a voracidade com que minha tia, quando descobriu, avançou sobre a linha e esbravejou contra os moleques. Ela destruiu todo o trabalho.
Tenho a cicatriz até hoje. Para mostrar àqueles que duvidam quando eu conto a história, mais uma “das que aconteceram comigo”. Anos mais tarde, a garganta quase me matou de novo. Tive uma hemorragia séria depois de uma cirurgia e achei que daquela vez ia …

Prece

Quando eu peço a Ele “livrai-nos do mal”, na oração que gosto de rezar, está incluído no pedido que afaste de mim pessoas que não são do bem. Aquelas que carregam maldade em seu peito, aquelas invejosas, aquelas que não sabem amar. Pessoas doentes, pessoas que fogem, pessoas que imaginam que neste mundo ter a si mesmo é o que basta, que se vendem por pouco, que se deixam dominar por um orgulho cego, que se arrastam pela vida guiadas por sentimentos malévolos. Desse tipo de gente, Deus, eu quero mesmo é distância.