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Mostrando postagens de Dezembro, 2010

De todos, Marcelo

Ele só tem um olho, o outro foi perdido. O braço direito está por um fio, a boca, quando aberta, deixa aparecer a marca de uma canetinha vermelha. Um dos braços tem uma espécie de plástico por dentro, o outro não – motivo de um mistério insondável, descoberto só muitos anos mais tarde. Ao fundo da boca, uma peça dura, que também sempre fez parte do mistério.
Assim descrevo o meu brinquedo de infância predileto, que me foi dado no meu aniversário de um ano. Mas foi só com uns cinco que o batizei. O cachorrinho de pelúcia passou a ser Marcelo, nome do vizinho da nossa sorveteria, com quem eu brincava todo dia.
Nunca mais ouvi falar do Marcelo, o garoto, que hoje deve ter bem uns 30 anos. O cachorrinho continua lá, na minha ex-cama, posto de destaque frente às dezenas de brinquedos que povoam as prateleiras. Marcelo é bem menos conservado que as bonecas, as barbies, todas bem penteadas e sem um pingo de pó, fruto do trabalho minucioso da minha mãe, que não deixa por nada a gente doar os br…