Comunicação

Quando você quer se comunicar com alguém, hoje, qual meio usa? Envia um e-mail, uma mensagem off pelo MSN, um scrap, uma DM pelo twitter, publica no mural do Facebook, escreve um SMS ou liga no celular? A menos que se trate de alguém totalmente avesso às tecnologias, a resposta é quase sempre instantânea.
Meu pai contou que, há 38 anos, em 1973, ele se mudou para o Rio de Janeiro e a família – pai, mãe e irmãos – ficaram no interior de Santa Catarina. Não tinham telefone e uma carta pelos Correios demorava mais de 20 dias, além de ser caro o envio. Para se comunicar, eles se escreviam cartas, intermediadas por caminhoneiros que transportavam feijão. A maioria das cartas era escrita pelos irmãos do meu pai, já que meus avós, agricultores, escreviam pouco. O transporte das notícias era relativamente rápido, em quatro dias uma carta escrita pela família do meu pai chegava ao supermercado carioca no qual ele e um irmão trabalhavam. Mas era um tempo prolongado demais caso a notícia fosse trágica e inesperada.
Quando meu avô paterno morreu, de câncer, em 1975, meu pai e meu tio, que também estava no Rio, acompanharam o sofrimento viajando de lá para cá. Ao todo, no ano em que meu avô faleceu, foram seis viagens. Na última, passaram uma semana na casa paterna e foi aí que meu avô se foi. Caso algum parente tivesse ido embora por acidente ou enfarto fulminante, os dois jamais chegariam a tempo para o enterro.
Às vezes eu brinco que meu pai me liga direto, por qualquer motivo. Uma vez a nossa cachorra teve filhote e eles ligaram no meu celular na hora para contar, no meio de uma aula. Uma amiga disse que o priminho dela nasceu e a família nem se lembrou de comunicá-la, soube apenas uma semana depois. Talvez meu pai seja mesmo apegado ao telefone. Talvez porque ele teria dado tudo para ter a facilidade de contato que ele tem hoje com os filhos para falar com os próprios pais.

3 comentários:

{ Eduardo Machado Santinon } at: 28 de janeiro de 2011 20:35 disse...

Esse negócio de usar bem a tecnologia é uma beleza, e esse outro negócio de enxergar a verdadeira intenção que fica escondida no ato rotineiro é 10x beleza.

{ Marcela Prado } at: 30 de janeiro de 2011 03:42 disse...

ah, mas o nascimento de filhotinhos é algo importante, vá. eu acho.

{ Klaus Pettinger } at: 31 de janeiro de 2011 14:08 disse...

Com os exageros das facilidades da Internet, que separam mais do que aproxima, daqui a pouco vai (quase) voltar a ser como antes: comunicado de falecimento ou nascimento serão por e-mail, por depoimento. Pode demorar 4 dias na Caixa de Entrada até alguém ler... Ou haver tantas atualizações no Orkut que você nem vê o depoimento...

Tá, também exagerei, mas meu pai é igualzinho o seu, não se preocupe. Liga o tempo todo. E parece que quanto mais velho eu fico, melhor o entendo.

 

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