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Mostrando postagens de Agosto, 2011

Entrecortes

- Mãe, ele tem cama? - Ele quem? - Jesus - perguntou o moleque, subindo a rua Loefgren.
O ruim de morar em São Paulo é isso. Você anda tão rápido que nem consegue ouvir as respostas. Aí as conversas ficam assim, pela metade. Mas o pior de tudo é ficar desse jeito, no vácuo. Eu também queria saber, moleque.
Nunca fui boa com jogos. Jogos de tabuleiros, baralhos, pinos, controles. Fui sempre um zero a esquerda em tudo, excluindo aí o Alladin e o jogo da memória de quadros amarelos, por supuesto, os mais simples de se ganhar. Tive um período bom com cartas na mão. Poker e truco, embora muito se deva a pose e grito. Nunca fui boa com estratégias, jogadas ensaiadas. Sou de jogar o copas em cima de gato, impensadamente, no afã do momento. Sou de jogar muita besteira em cima de muita besteira, quando o caldo já entornou. Sou de chorar o caldo entornado, sabendo antes que ele pode se esparramar, sou de chorar meu caroço.Não sou boa com jogos porque talvez deteste admitir que perdi, embora o faça agora. Porque não sou mais a carta mais alta do baralho. Perdi porque faz tempo que não vem carta. Porque não consigo ganhar de virada. Perdi porque até admitindo que perdi eu perco. Perdi porque apostei e blefei. Pediram para mostrar as cartas. E eu ando sem nenhuma.

Um sonho de liberdade

Hermenegilda voltou. Não suporta ver estresse rangindo no peito, não suporta confusão rondando o espírito, não suporta explosão surtindo com efeito. Hermenegilda explodiu. Hermenegilda me surtou. A única pomada que serve para ela é branca. Hermenegilda me faz sentir uma surfista manca. Com uma mancha de pseudoprotetor solar, da largura de um dedo, num lado só da cara. Hermenegilda me faz ter saudade de esfregar o rosto com as mãos. Hermenegilda me fresqueia. Hermenegilda me faz tomar uns remédios terríveis, que me fazem sentir sede. Hermenegilda me faz sedenta por um atestado de 5 dias, para não me obrigar a encarar ninguém junto dela. Hermenegilda me irrita, Hermenegilda me pertence.