Água

Da minha casa inundada nada lembro
Sou de um lugar onde água é rio, lento
Minha infância qualquer deságua, fatia
A mãe me grita da beirada, desanuvia

O sol seca minha poça de lágrimas, eternizo
Eu consolo a tempestade disforme, granizo
Nunca me afoguei, nem soube nadar, covarde
Sonhei com portos distantes e laranjas, é tarde

O suor das coisas, de todas as coisas, morde
Minha sina é não ter de lutar tanto, sorte
Mergulhei amores e temores em copos rasos, tardia
Agarrei minha correnteza intempestiva, adia

Comentários

Cleyton Cabral disse…
AMEI. Lindooo. beijo com saudades.
Michele Matos disse…
Tem poema que é uma delícia. Esse é.
FABI disse…
Lindo Tati... tocante!
Klaus Pettinger disse…
Fala que não sabe rimar, mentirosa
Só repete rima ao ler, toda prosa
Mas mete ficha no talento, poesia
Pois também prefiro ler, dislexia

Continue, Tati, está muito bom!

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