Água

Da minha casa inundada nada lembro
Sou de um lugar onde água é rio, lento
Minha infância qualquer deságua, fatia
A mãe me grita da beirada, desanuvia

O sol seca minha poça de lágrimas, eternizo
Eu consolo a tempestade disforme, granizo
Nunca me afoguei, nem soube nadar, covarde
Sonhei com portos distantes e laranjas, é tarde

O suor das coisas, de todas as coisas, morde
Minha sina é não ter de lutar tanto, sorte
Mergulhei amores e temores em copos rasos, tardia
Agarrei minha correnteza intempestiva, adia

4 comentários:

{ Cleyton Cabral } at: 1 de setembro de 2011 08:08 disse...

AMEI. Lindooo. beijo com saudades.

{ Michele Matos } at: 2 de setembro de 2011 07:58 disse...

Tem poema que é uma delícia. Esse é.

{ FABI } at: 3 de setembro de 2011 09:38 disse...

Lindo Tati... tocante!

{ Klaus Pettinger } at: 7 de setembro de 2011 10:29 disse...

Fala que não sabe rimar, mentirosa
Só repete rima ao ler, toda prosa
Mas mete ficha no talento, poesia
Pois também prefiro ler, dislexia

Continue, Tati, está muito bom!

 

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