Corpo

Quando a atropelaram, os carros

Em alta velocidade não pararam

Pedestres reviraram suas coisas

Foram-se uns trocados, o celular

Em vão pediram-lhe números de cor

Ligaram, mas ninguém atendeu

Os pais moram longe, o namorado sem sinal

As amigas ignoram desconhecidos

O corpo e o murmúrio ficaram estendidos

No chão, os olhos quase se fecharam


Foi aí que ela pensou:

Como é triste

Morrer

na cidade

grande

4 comentários:

{ Lai Paiva } at: 23 de setembro de 2011 07:23 disse...

Nooossa Tati, impactante. Beijo

{ Michele Matos } at: 23 de setembro de 2011 11:53 disse...

É...impactante e triste. O medo de precisar ou apenas desejar alguém num momento assim não deve ser raro. Angústia em poesia. =)

{ Eduardo Machado Santinon } at: 27 de setembro de 2011 16:41 disse...

Liga no Mário Covas caceta! tá tirando? eu não te deixo morrer não.

{ Scheyla Horst } at: 28 de setembro de 2011 18:18 disse...

Triste, banal, mas tão comum. Belas palavras.

 

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