Corpo

Quando a atropelaram, os carros

Em alta velocidade não pararam

Pedestres reviraram suas coisas

Foram-se uns trocados, o celular

Em vão pediram-lhe números de cor

Ligaram, mas ninguém atendeu

Os pais moram longe, o namorado sem sinal

As amigas ignoram desconhecidos

O corpo e o murmúrio ficaram estendidos

No chão, os olhos quase se fecharam


Foi aí que ela pensou:

Como é triste

Morrer

na cidade

grande

Comentários

Lai Paiva disse…
Nooossa Tati, impactante. Beijo
Michele Matos disse…
É...impactante e triste. O medo de precisar ou apenas desejar alguém num momento assim não deve ser raro. Angústia em poesia. =)
Liga no Mário Covas caceta! tá tirando? eu não te deixo morrer não.
Scheyla Horst disse…
Triste, banal, mas tão comum. Belas palavras.

Postagens mais visitadas