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Cortei os cabelos, de um jeito que precisava. Cortei os cabelos para me libertar do escudo que armei em volta de mim, da defesa certa quando a vergonha e a insegurança me jogavam atrás das cortinas. Rasguei minhas cortinas para mostrar meu rosto, para mostrar quem eu quero ser, minha cara emoldurada, o susto que ainda levo ao ver aquela moça diferente de relance no espelho. As pessoas na rua me olham diferente e sinto-me como as centenas de paulistanos que não me conheciam e para quem eu continuo uma anônima. Sou essa imagem daqui para a frente. Libertei-me da aparência de menina, da aparência que me acompanha desde que me entendo por gente. Cortei os fios longos e hoje tenho as costas nuas, hoje meu “Alea jacta est” está à mostra. Hoje sou mais eu, ou pelo menos sou eu tentando descobrir quem sou. Fiquei mais jovem e mais moderna, dizem. Não sei. Fiquei mais feliz. Não me escondo. Não consigo me esconder dos meus fios curtos e bagunçados. Não sou mais Sansão, não preciso mais da força do peso e do comprimento dos pelos. Os curtos me renasceram. Sou Dalila. A que corta, a que rompe, a que se reinventa, a que aparece. Sou livre e me sou anônima, precisei cortar para me redescobrir. Muito prazer.


Comentários

Graci disse…
Lindo, Tati, assim como seu novo visual.
Michele Matos disse…
Lindos mesmo! Layout, cabelo e texto!!
=**
Ana... disse…
ah, escondeu na sombra, não vale eim.

Ok, dá prá ter uma noção e além do visu-mudernissímo, blog novissímo, eu amei muitissímo também o texto.

bj :)

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