Católica apostólica romana

Sim, eu tenho fé e às vezes me cansa um pouco ter que justificá-la. Eu tenho uma crença em um Deus onipotente e onipresente, em um Jesus de amor e em uma Nossa Senhora que me dá forças quando eu preciso. Eu não me considero burra ou alienada, é minha escolha e sou feliz com ela. Eu rezo o terço quando lembro, eu professo a oração do Santo Anjo quando sinto medo, eu confesso que rezo bem mais quando eu preciso do que quando as coisas estão bem. Eu agradeço o que eu tenho, eu peço saúde a minha família. Eu mal fui à missa este ano e acho que me fez falta, muita falta.


Eu não quero que você tenha a mesma fé, eu não posso nem quero decidir por você. Eu te amo do jeito que você é, com suas escolhas. Independente delas vou continuar rindo das suas piadas, vou continuar te ouvindo, vou continuar te respeitando. E nesse você eu incluo qualquer pessoa que se espanta com a fé que eu carrego. Esse você eu respeito, só peço o mesmo respeito de volta. Não quero mudar sua visão, mas também não quero explicar minha fé como se eu estivesse cometendo um crime. E olha que coincidência: quero praticar o respeito mútuo assim como quero praticar minha religião.

Mais do que ter uma fé acho que sou essa fé. Lembro-me dela desde que me entendo por gente, ela permeia muitas lembranças, então, posso dizer que ela está impressa em mim. Sou a fé da minha mãe acendendo velas pela casa, sou a fé rezando baixinho até pegar no sono, sou a fé da minha mãe chorando ao ver o papa no Brasil pela TV. Sou a minha fé aos 5 anos rezando para minha berruga cair do dedo. Sou a fé do meu pai chamando Nossa Senhora quando estive perto da morte, sou a fé da minha mãe me levando a benzedeiras para proferir orações, sou a fé do meu tio chorando feito criança numa Sexta-feira Santa por lembrar o sofrimento de Jesus, sou a fé rezando o terço para ter forças e continuar procurando emprego, sou a fé em ajudar um deficiente a descer as escadas do metrô e ouvir: Deus te abençoe. Amém.

Minha religião não me aliena, minha religião não me emburrece, a religião não me regula, a religião não me limita, a religião não me faz intolerante. Acredito que as pessoas são assim por conta própria, pela criação, por tantas influências, não é só a religião que as transforma. As pessoas são alienadas pela grande mídia, as pessoas são emburrecidas por programas de TV, as pessoas são reguladas pela moral e pela polícia, as pessoas são limitadas pelo medo da violência, as pessoas tornam-se intolerantes por péssimos exemplos. Isso ninguém condena ou não condena de forma tão ferrenha, como se fosse um estigma, uma anomalia.

Eu quero ser feliz com as escolhas que fiz, sem ser taxada.

Um Natal de renascimento, um Ano Novo sem preconceitos. Um 2012 mais tolerante.

Amém.

Comentários

Patricia disse…
E que Deus esteja contigo. ;D
Márcio Luís disse…
Amei o texto todo!
Eu, por ser um doido por tecnologia, games, e coisas do gênero da comunicação, quando alguém se aproxima mais de mim, e descobre que já coordenei grupo de oração, e canto na Igreja até hoje, arregalam os olhos por esses motivos!
Você expressou muito bem o que já vivo há um certo tempo também: O "olhar diferente" das pessoas, por saber que tenho minha fé!
E assim como você, tenho a consciência de que não sou melhor do que ninguém, nem sou ninguém para julgar alguém!
Bjo!
Feliz ano novo!
Klaus Pettinger disse…
Perfeito Tati! Ah, se todos pensassem assim, o mundo seria perfeito! Mas fique tranquila, pobres os que nao conseguem enxergar virtude nas diferenças.
Que seu ano seja muito abençoado!

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